Artigo (“O afastamento da presidente
Dilma Rousseff. Uma reflexão crítica pela esquerda.”) de Bruno Lima Rocha, no
site do PCB, de 23-5-2016. Destaco estes trechos:
“Querem derrubar os maiores entusiastas
do capitalismo brasileiro, a começar por Lula, que de tão crente no capitalismo
nacional resolveu crer e se misturar com os capitalistas daqui. Luiz Inácio se
mistura com quem não devia, perdeu o rumo no pertencimento de classe e viu, sob
o nariz do Palácio do Planalto, os Estados Unidos e seus sistemas de espionagem
deitarem e rolarem no Brasil nos últimos cinco anos.”
“Proponho uma reflexão em forma de
contabilidade de chegada: ou como o lulismo acabou com o que restava de
combatividade no PT e assumiu o pacto de classes como única saída. Gente, vamos
fazer contas? 44 milhões de beneficiados nos programas sociais. 10% deste total
dão em 4,4 milhões de brasileiros e brasileiras. 1% dá em 400 mil pessoas. Se o
PT organizasse como força “populista” um em cada 100 beneficiados de seus
programas, teria um poder de veto sobre a base mercenária no Congresso e o
pacto com os oligarcas. Se tivesse um organizador social em cada base de 100
beneficiados poderia contar com força de mobilização permanente, a exemplo do
que faz o “populismo” em toda a América Latina que leve a sério este conceito,
com o qual também não concordo integralmente. É por isso que esta palhaçada de
golpe branco, de golpe paraguaio não anda na Venezuela.
Aqui foi tudo ao contrário. Preferiram
nada fazer e confiar na sorte ou no destino ou em qualquer pensamento mágico. É
por isso que Maduro não cai à toa. Porque o chavismo – para o bem ou o mal –
organizou uma parcela razoável de sua base social beneficiada e aplica esta
força como poder de veto por cima dos oligarcas e vende pátria. Populismo é
isso; e é menos pior do que o pacto de classes sem poder de veto. Não foi por
falta de aviso.”
Nenhum comentário:
Postar um comentário