quarta-feira, 1 de junho de 2016

Parte 109

      Artigo (“O afastamento da presidente Dilma Rousseff. Uma reflexão crítica pela esquerda.”) de Bruno Lima Rocha, no site do PCB, de 23-5-2016. Destaco estes trechos:

      “Querem derrubar os maiores entusiastas do capitalismo brasileiro, a começar por Lula, que de tão crente no capitalismo nacional resolveu crer e se misturar com os capitalistas daqui. Luiz Inácio se mistura com quem não devia, perdeu o rumo no pertencimento de classe e viu, sob o nariz do Palácio do Planalto, os Estados Unidos e seus sistemas de espionagem deitarem e rolarem no Brasil nos últimos cinco anos.”

      “Proponho uma reflexão em forma de contabilidade de chegada: ou como o lulismo acabou com o que restava de combatividade no PT e assumiu o pacto de classes como única saída. Gente, vamos fazer contas? 44 milhões de beneficiados nos programas sociais. 10% deste total dão em 4,4 milhões de brasileiros e brasileiras. 1% dá em 400 mil pessoas. Se o PT organizasse como força “populista” um em cada 100 beneficiados de seus programas, teria um poder de veto sobre a base mercenária no Congresso e o pacto com os oligarcas. Se tivesse um organizador social em cada base de 100 beneficiados poderia contar com força de mobilização permanente, a exemplo do que faz o “populismo” em toda a América Latina que leve a sério este conceito, com o qual também não concordo integralmente. É por isso que esta palhaçada de golpe branco, de golpe paraguaio não anda na Venezuela.
      Aqui foi tudo ao contrário. Preferiram nada fazer e confiar na sorte ou no destino ou em qualquer pensamento mágico. É por isso que Maduro não cai à toa. Porque o chavismo – para o bem ou o mal – organizou uma parcela razoável de sua base social beneficiada e aplica esta força como poder de veto por cima dos oligarcas e vende pátria. Populismo é isso; e é menos pior do que o pacto de classes sem poder de veto. Não foi por falta de aviso.”


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