Outra crítica sobre a administração
petista no Governo Federal:
domingo, 17 de julho de 2016
quinta-feira, 7 de julho de 2016
segunda-feira, 4 de julho de 2016
Parte 123
Este artigo diz a verdade acerca da suprema
responsabilidade do Lula na situação política em que vive o Brasil. Além de
todas as omissões e má ações, (sem deixar de elogiar as boas medidas), ele
cometeu o capital pecado de não interferir nas eleições de 2014,
candidatando-se a um terceiro mandato e transferindo a Dilma para uma
vice-presidência, no máximo, ou tirando ela da jogada.
terça-feira, 21 de junho de 2016
Parte 122
Este artigo de hoje, 21-6-2016, de
Eduardo Rodrigues Vianna, no blog “Náufragos da Utopia”, intitulado “Hugo
Chávez e a Revolução Educacional - Uma pequenina reflexão acerca das lutas
educacionais no Brasil atual”, começa com os seguintes parágrafos:
“Quando os bolivarianos venezuelanos
chegaram ao governo com a eleição de Hugo Chávez, em 1998, sabiam que era
preciso promover uma transformação na educação pública, tendo optado pela via
da educação popular, com beleza, com todo o colorido que os povos da nossa
América possuem; e também com lucidez, com um projeto muito concreto a ser
realizado.
A revolução educacional, diferentemente
do que se passou no Brasil durante os governos Lula e Dilma, era parte
fundamental do processo encabeçado por Chávez, frustrado em alguns aspectos,
vitorioso em outros. Os bolivarianos estabeleceram uma linha política arrojada
e séria, segundo a firme convicção de que a educação serve para libertar o
povo, rumo à emancipação dos povos da América Latina e em nome de sua união. E
puseram-se a trabalhar.
Implantaram as Missões Bolivarianas - que
consistiam na mobilização de caravanas compostas por um convicto professorado
de luta, estudantes, artistas e lutadores sociais - pelos quatro cantos do
país: cada cidade, cada povoado e cada bairro.
Um dos resultados, em aproximadamente
sete anos de mobilização educacional nas escolas e fora delas, foi nada menos
que a erradicação do analfabetismo na Venezuela, um feito comemorado pelas
forças populares no mundo inteiro - as forças democráticas, as forças
humanistas, enfim, todos aqueles que compreendem a façanha extraordinária que é
dar fim ao analfabetismo em qualquer país latino-americano.
Outro resultado foi a construção de um
pensamento educacional, todo um repertório, todo um conteúdo amplo, popular,
camponês, operário, negro e indígena. O imenso estado de espírito construído em
grande medida pela educação popular garantiu a vitória de 2002, contra uma
tentativa da burguesia venezuelana e dos Estados Unidos de esmagarem a experiência
daquele povo, por meio de um golpe de estado DE VERDADE.
Os trabalhadores, a juventude e os
patriotas revolucionários venceram, armados com enxadas, pistolas, fuzis e
livros. Mas armados com a poderosa espada dos povos em todos os momentos da
História, sem a qual as pistolas e os fuzis nada podem, que é a das ideias
fortes, quando associadas a uma forte esperança.”
Na Parte 9 deste meu blog eu escrevi: “O
PRINCIPAL ERRO do Partido dos Trabalhadores, a partir de 2003, foi TER SE
RECUSADO DELIBERADAMENTE a promover a POLITIZAÇÃO DO POVO”. Na Parte 10 eu falei
que Hugo Chávez usou seus canais de TV estatais para defender junto ao povo a
sua revolução bolivariana. E na Parte 11 expus que os dois canais de TV
estatais brasileiros “NUNCA foram usados como veículo para a POLITIZAÇÃO das
massas” pelo PT.
Sintetizando, Chávez POLITIZOU O POVO e
usou os canais estatais para a POLITIZAÇÃO POPULAR, mas Lula e os dirigentes do
Partido dos Trabalhadores JAMAIS PENSARAM em realizar nenhuma destas duas
tarefas. A desculpa de que a Venezuela é um país pequeno e o Brasil possui
dimensões continentais NÃO SERVE COMO DESCULPA para estes DOIS CRIMES DE
OMISSÃO. A conclusão óbvia é a de que Chávez foi um AUTÊNTICO LÍDER
REVOLUCIONÁRIO DE ESQUERDA, mesmo tendo sido apenas um militar nacionalista; ao
passo que o patético Lula, apesar de ter se originado no meio sindical, não
passou de um POLÍTICO DE DIREITA sem nenhuma verve REVOLUCIONÁRIA, a não ser um
canhestro POPULISMO, cuja real vocação era pelo CAPITALISMO ORTODOXO.
QUE VEXAME!!!...
O articulista não teve a disposição de
apontar esta verdade na segunda parte do seu texto, limitando-se a falar das
ocupações dos estudantes nas escolas de SP. Não existe aí nenhuma REVOLUÇÃO
EDUCACIONAL, mas apenas uma REAÇÃO a péssimas condições de ensino. E note-se
que estas manifestações juvenis apontam que em 2003 o Brasil estava ANSIANDO
DESESPERADAMENTE por um PROJETO POLÍTICO DE MASSAS QUE NÃO VEIO, e jamais virá.
QUE MISÉRIA A NOSSA!!!...
sexta-feira, 17 de junho de 2016
Parte 121
Editorial do site “Esquerda Marxista”, “Lula
contra o Fora Temer e a Greve Geral”, de 15-6-2016:
“Quando ainda esperava ser ministro chefe
da Casa Civil, Lula declarou para uma massa nas ruas que, ao aceitar ir para o governo,
tinha voltado a ser o ‘Lulinha, paz e amor’, para dialogar com ‘trabalhador,
sem terra, pequeno empresário, médio empresário, grande empresário, com
fazendeiro, com banqueiro’.
Agora, de volta à Avenida Paulista, Lula
disse: ‘Não posso falar em greve geral porque não estou dentro da fábrica e
porque aposentado não faz greve’. E concluiu, na manifestação pelo Fora Temer: ‘Não
vou dizer Fora Temer, não pega bem. Temer é um advogado constitucionalista,
deve devolver o poder para uma presidenta legitimamente eleita’. Esse é o
discurso de um líder político que teme convocar as massas para a luta, que
abandonou sua classe e foi ganho pela burguesia para defender o capitalismo.
Com tal método e política, o da
colaboração de classes, Lula e a direção do PT destruíram o partido como
ferramenta de luta da classe trabalhadora. Por tudo isso, pelo estelionato
eleitoral do governo Dilma, uma campanha pelo ‘Volta Dilma’, impulsionada pelo
PT e abraçada pela CUT, não ganha as massas, não é capaz de parar o país.”
Parte 120
Texto da segunda parte deste artigo, de
Eduardo Rodrigues Vianna:
“QUE SIGNIFICADO TERIA A PRISÃO DO LULA?
Lula poderia ser preso por lavagem de
dinheiro, ocultação de patrimônio, essas coisinhas. Para um certo ramo da
esquerda, já totalmente acostumado a fazer os seus juízos de valor utilizando
os dois pesos e a duas medidas a favor dos seus líderes (às vezes por
ingenuidade, às vezes por outro motivo), tratar-se-ia de mais uma vitória das
forças do mal contra as forças do bem, estas ilibadas e cândidas, dirigidas por
aquele puríssimo brasileiro que perdeu o dedo na máquina, embora tenha ficado
podre de rico fazendo política, segundo a pior tradição, o pior espírito e os
piores princípios.
Sérgio Moro é algum bobalhão deslumbrado,
alguém disposto a abraçar a agenda das forças do mal, a tantos por dia, como
diz aquela esquerda que gosta de ser financiada por governos? Difícil.
É um falso juiz, como chegou a
boquirrotar o Paulo Henrique Amorim? Claro que não.
É um tipo ambicioso, que pretende passar
à História como um Eliot Ness acaipirado, rapaz latino-americano, sem dinheiro
no banco e vindo do interior? Certamente. Se Lula for preso, será sob todos os
assim-chamados rigores da Lei. Não há amadores nisto.
Para a esquerda mais autêntica, que
desejará se reconstruir, que já sente a necessidade de renascer com toda a
consciência e com força, a eventual prisão de Lula precisará significar, ainda
mais, o fim de um tempo, o esgotamento de uma era e o fracasso dos métodos
adotados por Lula e por todos os dirigentes do lulismo. Ou a esquerda de um
modo geral compreende isto, ou marchará, a passo largo e decidido, para a
completa insignificância.”
Já falei neste blog sobre esperar com
ansiedade a prisão e o aniquilamento do Lula para que MORRA de uma vez por
todas este falso partido de esquerda...
sexta-feira, 10 de junho de 2016
Parte 119
Até o PAULO HENRIQUE AMORIM, neste texto
do seu site “Conversa Afiada”, publicado hoje, 10 de junho de 2016, reconhece
que o PT cometeu um ERRO CRASSO não usando a TV Estatal. Eis um trecho:
“(...) uma tevê estatal competitiva teria
sido viável.
Teria - terIA - sido um contra-ponto à
Globo .
Mas terIA sido necessário torná-la
profissional e equipada.
Com muita grana.
O papel das redes públicas ou estatais de
tevê é servir de mastro para o debate de questões públicas.
Colocar Direita e Esquerda (que jamais
deixarão de existir, não é isso, Traíra?) lado a lado, diante do espectador, e
moderar as divergências, enquanto as ideias se expõem, com civilidade e
complexidade.
Quando não há rede estatal ou pública
(como a BBC) forte, abre-se espaço para a radicalização nos extremos -
geralmente pela Direita - , com pseudo-herois mediáticos.
Nos Estados Unidos, Trump.
Na Itália, Berlusconi, que destruiu o
sistema estatal de televisão na Itália, com a ajuda dos "socialistas"
do Craxi.
Aqui, a Globo inventou o Barbosa e o
Moro.
E interditou o debate.
Só a Direita tinha espaço para proclamar
que o Brasil era uma m...
E deu no que deu: no Golpe!
O PT se acovardou duas vezes: quando não
fez a Ley de Medios.
E porque não encheu a EBC - com Ricardo -
de dinheiro.
Pagou caro.”
quinta-feira, 9 de junho de 2016
Parte 118
Neste artigo do jornalista Fernando
Canzian, no “Náufrago da Utopia”, destaco o texto final de Celso Lngaretti:
“Podemos mudar esse jogo de cartas
marcadas? Podemos, com uma revolução.
Aquela que o PT desistiu de fazer, preferindo apenas gerenciar o capitalismo
para os capitalistas.”
quarta-feira, 8 de junho de 2016
Parte 117
Neste artigo, Celso Lungaretti fala do
atrelamento da pretensa blogosfera de esquerda ao PT. Perante ele, eu poderia
fazer uma revisão do que escrevi na parte 12 deste meu blog.
sábado, 4 de junho de 2016
Parte 116
Destaco os seguintes trechos do artigo “Uma
crítica por esquerda aos militantes ainda vinculados ao governo deposto – 1”, de
Bruno Lima Rocha, de 4-6-2016, no blog “Estratégia e Análise”
“Neste texto, levamos em conta o conceito
de André Singer a respeito do lulismo, considerando-o um pacto conservador, um
jogo do “ganha-ganha”, com as seguintes características: o Brasil aproveita o
crescimento econômico chinês e indiano; tenta estabelecer uma aliança de
classes com os campões do capitalismo nacional; não atinge de forma direta os
interesses do capital financeiro e especulativo; aposta na política de exportação
de commodities agrícolas, minerais e extrativistas; e, simultaneamente, abre
cunhas de alianças com setores reacionários, em troca da gigantesca promoção de
melhora nas condições materiais de vida. Logo, o que pode se observar é que,
embora as mudanças materiais tenham sido consideráveis, não houve alteração nas
estruturas de poder assentadas no Brasil, tanto àquelas de nível doméstico como
na correlação com as forças externas.”
“(...) aceitar a melhoria material como
uma espécie de solução mágica para problemas estruturais de dominação foram o
cadafalso da política lulista no Brasil.”
“Ao promover a melhoria da condição de
mais de 44 milhões de pessoas, o que seria minimamente desejável seria a
afirmação de estruturas de contra-poder, ou ao menos, uma capacidade de
mobilização popular promotora de um poder de veto das maiorias por sobre os
acórdãos oligárquicos e o viciado jogo burocrático-institucional. Ao contrário
de fazer o afirmado aqui, o partido de governo reforçou o poder de seu líder
político e eleitoral (Lula) e apostou toda a acumulação na vitória pelas urnas
e não na construção de um novo consenso político-cultural, entregando a ideia
de hegemonia societária para as estruturas pré-existentes. Deste modo, a inação
levou a que nenhuma das estruturas centrais de poder no Brasil fosse alterada,
ao contrário, se expandiram sob os narizes dos dirigentes petistas, tais como:
o agronegócio e latifúndio; as “igrejas” neopentecostais; o poder da mídia
corporativa; a financeirização da economia brasileira; a concentração econômica
nos oligopólios nacionais (através de uma espécie de Bismarckismo tropical, já deveras
elogiado por Eike Batista); a presença de capitais transnacionais nas
telecomunicações; a divisão de poder no mundo do trabalho com as centrais
pelegas; loteamento do primeiro, segundo, terceiro e quarto escalões do governo
federal com oligarquias mercenárias; e, não menos grave, a negativa em
modificar minimamente as instituições de segurança de Estado, verdadeiras
máquinas de matar a própria população, acumulando entulho autoritário e
violência endêmica na base de nossa pirâmide social.”
“Considerando tudo o que fora citado
acima, entendo que, ou os dirigentes do PT, de seus partidos aliados (como
o PC do B), das centrais sindicais que apoiaram o lulismo (como CUT e
CTB), e setores afins fazem uma profunda autocrítica de suas práticas e alianças
dos últimos 14 anos, ou toda esta indignação coletiva contra o golpe será
jogada pelo ralo na próxima agenda eleitoral e eleitoreira. Esta crítica também
vale para os movimentos componentes da Frente Brasil Popular e Frente Povo Sem
Medo. Se este não é o momento para crítica e autocrítica então quando será?”
sexta-feira, 3 de junho de 2016
Parte 115
Artigo “PERDEMOS 36 ANOS E CONTINUAMOS
DESPERDIÇANDO NOSSO TEMPO”, de Celso Lungaretti, no seu blog “Náufrago da
Utopia”, de hoje, 3-6-2016:
“Então, ao invés de chorarmos sobre o
leite derramado, temos mais é de lançarmos pontes para o futuro desejável,
começando pela construção de uma esquerda de verdade, que não se proponha a
gerenciar o capitalismo para os capitalistas, (como fez o PT – nota minha), mas,
pelo contrário, a transformar em profundidade a sociedade brasileira, dando fim
à exploração do homem pelo homem (como não fez o PT – nota minha).
Perdemos os 36 anos em que tanto nos
esforçamos para afirmar o PT e levá-lo à Presidência da República. Estamos de
volta ao ponto de partida (1980 – nota minha) e temos agora de analisar
rigorosamente onde foi que erramos e como evitarmos a repetição desses erros
adiante (além do imperativo de separarmos o joio do trigo, depurando nossas
fileiras de quantos se tornaram dóceis marionetes do inimigo e/ou comprometeram
a imagem da causa utilizando-a ilicitamente em benefício pessoal).
Repito o alerta: a refundação da esquerda
é o único caminho para salvá-la da irrelevância. E, se quisermos detonar a nova
hegemonia direitista, o momento decisivo será a eleição presidencial de 2018,
desde que já estejamos sob nova direção (desatrelada do PT – nota minha). Em
2016 a batalha está de antemão perdida.
Não há mais tempo a perder. Os
responsáveis pela pior derrota por nós sofrida desde 1964 (Lula e a direção
nacional do PT – nota minha) são os mesmos que agora impingem a ilusão de que
ainda seja possível revertê-la no Senado. Sabem muito bem que não, mas a
obnubilação dos esquerdistas lhes convém: permite que continuem escapando das
graves cobranças a que deveriam estar respondendo neste exato instante.” (É por
isso que Lula, Dilma e o PT não faz autocrítica – nota minha.)
quinta-feira, 2 de junho de 2016
Parte 114
Estão dizendo que alguns senadores que
foram a favor do impeachment no Senado podem mudar de opinião na segunda
votação, mantendo Dilma na Presidência. A máfia PMDB-PSDB-STF-PIG e toda a
bandidagem que se apossou do Governo Federal JAMAIS permitirá que isto ocorra.
Perder o poder por causa de dois ou três votos é INADMISSÍVEL para ela. Podem
chegar até o extremo da ameaça de morte a familiares de senadores, mas NUNCA
MAIS sairão de lá. O povo brasileiro NÃO FOI POLITIZADO pelo PT. Os grandes
sindicatos FORAM COOPTADOS pelo PT. Não existe a mínima condição para um
significativo LEVANTE POPULAR. A grande CULPA desta tragédia é do próprio PT,
com seus ERROS CRASSOS cometidos em 13 anos de administração DIREITISTA. Eu não
suporto mais olhar para as fotos da Dilma e me recuso a ouvir o que o Lula tem
a dizer. Quanto ao Temer e ao resto da quadrilha, são apenas CRIMINOSOS, nada
mais. Não me causam tanto ASCO!... Mas o PT, não! Fantasiou-se de cordeiro...
SUICIDOU-SE... MATOU A ESQUERDA... Não é capaz da menor autocrítica e ainda
quer voltar ao Planalto?!... Ainda existem no país alguns autênticos
ESQUERDISTAS que não engolem mais o “171” petista, contra milhões de cidadãos
IMBECILIZADOS. Em breve o Moro mandará o Lula pra cadeia e toda este ENGODO
terminará. Restará apenas o APOCALIPSE BRASILEIRO. Por vários anos. O Brasil JÁ
ERA!!!...
quarta-feira, 1 de junho de 2016
Parte 113
Este artigo é EXCELENTE!!!!... Faz uma
trajetória sintética do PT de sua fundação até hoje. Leitura imperdível!...
Parte 112
Texto muito claro de Eduardo Rodrigues
Vianna:
“(...) no ano de 2002 a burguesia
financeira permitiu que o PT gerenciasse os seus negócios, com lucros para ela
própria e com benefícios para os despossuídos (...)”
“De 2002 em diante, é como se os
banqueiros tivessem dito: "Vocês, petistas, podem exercer a presidência,
mas a vice-presidência será sempre nossa, sempre de direita", como um
dispositivo de segurança à disposição dos reais donos do País.”
Parte 111
Excelente artigo (“Os limites do
neodesenvolvimentismo e o preço do pacto de classes”) da Coordenação Anarquista
Brasileira, de 27-3-2014, do site “Federação Anarquista Gaúcha”:
“Tais elementos denotam que, mesmo as
políticas sociais colocadas como carros-chefes – “Bolsa Família”, “Brasil sem
Miséria” e “Minha Casa, Minha Vida” – se circunscrevem em uma agenda
desenvolvimentista, que visa aquecer o mercado consumidor e o mercado imobiliário
e, assim, pouco se referem ao combate à pobreza e ao desenvolvimento de um
“estado de bem-estar social”, que é o que se espera do reformismo estrito
senso.”
“Todavia, a dita “nova classe média” não
é mais que uma invenção petista, pois essas pessoas têm rendimentos que sequer
garantem acesso aos direitos fundamentais. A maior parte da população
brasileira continua vivendo com menos de um salário mínimo.”
“Mas para manter a aparência de “país
rico”, o governo e a mídia disseminam o conceito de “classe média”, como se
houvesse, na prática, esse segmento claramente diferenciado, a partir da
recente inserção de setores populares no consumo.”
“O perfil de distribuição de renda do
país sofreu poucas alterações em sua estrutura, mantendo as enormes
desigualdades de rendimentos entre os mais ricos e o restante da sociedade, com
transferências de renda concentradas entre as classes populares. Percebe-se
que, na realidade, o que acontece é que o governo redistribui a pobreza.”
“No que tange ao ganho real nos salários,
este é muito pequeno no atual cenário.”
“Isso atesta que o aumento no consumo se
deu com a ampliação do crédito e corrobora a afirmação de que não há uma
distribuição de renda significativa no país.”
“Como vemos, temos um modelo econômico
que está distante de uma perspectiva transformadora; ele não pode ser assim
caracterizado sequer em uma perspectiva reformista. Mesmo no que diz respeito
ao equilíbrio capitalista, ele parece estar sustentado em “bases” instáveis,
sujeitas a desequilíbrios.”
“No momento que nos encontramos, após os
dez anos de PT no poder do Estado, podem-se apontar algumas tendências. Como
sublinhamos, não existem esboços de mudanças mais radicais e a política tem
pequenas oscilações. No campo social, sem romper compromissos com o capital
financeiro, é muito difícil alterar radicalmente o quadro, pois 40% do
orçamento do Estado destina-se à amortização da dívida pública. Era um
compromisso histórico da esquerda romper com a dívida pública, ou seja, dar o
calote nos agiotas do poder público para poder ter recursos mais robustos para
as políticas sociais, projeto que o petismo abandonou há muito, pois seus
compromissos atuais são com as classes dominantes.”
“Como vemos, o governo faz uma opção de
apoio à burguesia, ao apoiar seus megaempreendimentos em momento de crise, em
vez de investir recursos em áreas de interesse social.”
“Esses aspectos acabam por apontar algo
que as ruas já sinalizavam: as grandes revoltas não se referem ao prenúncio de
uma crise econômica, pois no momento não existem sinais aparentes dessa crise,
mas à insatisfação da população com os serviços e a precariedade das condições
de trabalho. Esse quadro é claro e se refere, em geral, aos grandes centros,
onde a população goza de algumas benesses conquistadas no governo PT (crédito
fácil que dá poder de compra e relativa ascensão social para segmentos da
classe trabalhadora extremamente pauperizados), mas que, porém, não consegue
ver melhoras reais em sua qualidade de vida, pois não vê as melhorias tanto
prometidas pelo PT.”
“Vemos o atual governo romper somente na
retórica com a antiga política privatizante, impondo-a por meio de medidas
mascaradas (...)”
“Nosso país não somente tem uma educação
de péssima qualidade, como, por conta da expansão via universidades privadas, é
incapaz de promover o desenvolvimento tecnológico, pois as privadas não
investem em pesquisa e possuem um frágil sistema de produção de conhecimento. O
Brasil é responsável por meros 2,7% da produção científica no mundo, o que é
pouco para uma das maiores economias mundiais. Não é à toa que somente quatro
universidades brasileiras estão entre as 100 mais bem avaliadas dos BRICS.”
“O transporte público vem, há anos, sendo
administrado por máfias que, além de fazerem negócio privado daquilo que é
direito fundamental, embutindo nas tarifas seu lucro, administram o transporte
com práticas de superfaturamento de custos que fazem com que ele se torne ainda
mais caro.”
“Na esteira da política
neodesenvolvimentista, fica evidente que o direito social tem espaço somente na
medida em que pode ser comprado. Assim, os brasileiros continuam a carecer de
um sistema de proteção social em áreas fundamentais como saúde, educação e
transporte, condizente com uma política social-reformista. Tomamos esses
elementos como referência pois, segundo pesquisa do IBOPE, foram eles os mais
citados por manifestantes como motivos de seus protestos.”
“O que fica claro é que o PT não traz
grandes mudanças às áreas sociais e que segue, em parte, a agenda neoliberal,
privatizando, por vezes usando outras modalidades. A pequena mas sensível
mudança se dá na colocação robusta de recursos públicos na iniciativa privada.
Temos como dois grandes exemplos o PROUNI, que compra vagas em universidades
particulares, e o “Minha Casa, Minha Vida”, que fornece moradias populares com
crédito público, mas subsidiando grandes empreiteiras.”
“Com a chegada do PT ao poder, era o
momento de desarticular os movimentos naquilo que traziam de perigo: sua
capacidade combativa de mobilização. Isso foi feito por meio da cooptação em
seu sentido mais direto, isto é, oferecendo cargos, injetando dinheiro e
tornando os movimentos meros gestores de recursos. Outra medida foi a concessão
de esparsas concessões no campo dos direitos sociais, com os projetos de
distribuição de renda e alguns projetos que atendem a população do campo sendo
os carros-chefes, valendo-se, assim, da condição extremamente subalternizada da
população para lhes distribuir migalhas. Esses dois elementos, somados à
burocratização interna dos movimentos, os quais passam a ser subordinados pela
correia de transmissão que havia sido criada entre PT e movimentos sociais,
foram fundamentais para promover a “paz social”, isto é, amaciar, servir de
pelego para os conflitos de classe, fazendo o que a direita, que priorizou a
via da repressão, não pôde realizar em seu período de governo.”
“Tais ações do governo PT colocaram o
movimento social em um longo período de refluxo. Aparecem, aqui e ali, esboços
de resistência, mas é difícil a articulação da luta de massas com os
instrumentos que foram constituídos historicamente pelas classes oprimidas no
país, pois eles têm sido desmobilizados e vêm perdendo completamente sua
autonomia e independência com a cooptação e a burocratização.”
“A ação direta volta à cena para
contrapor o burocratismo e institucionalismo imposto aos movimentos sociais
pelo PT, ou seja, a população volta a agir política e diretamente, traçando
meios para atingir um objetivo classista.”
“Cabe apontar que é necessário sermos
cautelosos com toda a massa que saiu às ruas portando os símbolos nacionais.
Isso não se traduz, necessariamente, em uma onda de fascismo, ou uma nova
revoada dos “galinhas verdes”, mas, em geral, representa a desorientação de
parte dessa juventude trabalhadora que vai às ruas, a qual acaba por se tornar
suscetível às disputas verticais que a mídia estabelece, justamente por lhes
faltar referências de organizações de esquerda e mesmo de movimentos sociais.
Apontamos, por isso, a necessidade da paciência do trabalho de base e da
formação de opinião.”
Parte 110
Textos do artigo “Tragédia anunciada e a
capitulação da esquerda estatista – Parte I”, de Pablo Misraji, no site
“Estratégia e Análise:
“O mesmo PT que em seu programa de 2006 anunciava
os avanços do partilhamento de renda para as camadas mais pobres, era o que
dava marcha ré na estratégia de reformas estruturais. O que não podemos chamar
de recuo ideológico. O partido abandonava seus preceitos antigos, indo buscar
um lugar ao sol como os demais partidos de centro e direita. O PT, como
ex-esquerda, inicialmente amparada por uma sólida base de movimentos sindicais
de luta no campo, retrocede em volume contra pautas eleitas por suas próprias
bases eleitoreiras, como o enfrentamento ao grande capital estrangeiro, a
democratização dos meios de comunicação, reforma agrária, política (campanhas
eleitorais), urbana e tributária, as privatizações, entre outras, pondo um fim
definitivo no avanço de medidas estratégicas no jogo político. Estas medidas,
tanto para o campo da esquerda quanto para dos movimentos sociais em luta,
geraram um afastamento progressivo de suas bases e uma espécie de achatamento
da esquerda estatista.”
“Nessa lógica de isenção do acirramento
de classe, o lulismo definitivamente soterrou a chamada “guinada à esquerda”.
Ao invés de elaborar um programa pautado na convocação permanente das bandeiras
históricas de luta, priorizou e deu as costas para as reformas estruturais.”
“Ao contrário, uma guinada à direita foi
o que o Partido dos Trabalhadores fez. Dentro dessa linha histórica, após criar
uma plataforma de consumo mediante crédito e isenções fiscais destes itens,
podemos citar como exemplo de ações: a governabilidade a qualquer preço e
conciliação de interesses, políticas de privatização em série, a aliança e
capitulação com o capitalismo estrangeiro regulador como o FMI, as nomeações de
ministros (ex-banqueiros), a entrega das divisas para a bancada do agronegócio,
principalmente após a redição do Código Florestal e com isto sob a tutela de
Kátia Abreu pondo em xeque a legislação trabalhista rural, os acordos e a
regularização de terras quilombolas e indígenas, as alianças partidárias com os
setores mais retrógrados da política – na tentativa de manutenção a nível do
legislativo e do executivo para garantir um pleito nas eleições futuras -, os
planos de austeridade de Levy junto à sua filosofia herdada pelo BID e pela
nova configuração do capital estrangeiro para a América Latina (Plano IIRSA,
por exemplo), corte e ajuste fiscal nos setores que já estavam mobilizados como
a Educação, a omissão na democratização dos meios de comunicação que fora
criada e amparada pela própria base petista, o comprometimento da criação e
ampliação da política de repressão e criminalização dos movimentos sociais
através de leis semelhantes aos períodos de exceção (Lei de Terrorismo), entre
outras sérias e graves pedaladas no campo da esquerda.”
Parte 109
Artigo (“O afastamento da presidente
Dilma Rousseff. Uma reflexão crítica pela esquerda.”) de Bruno Lima Rocha, no
site do PCB, de 23-5-2016. Destaco estes trechos:
“Querem derrubar os maiores entusiastas
do capitalismo brasileiro, a começar por Lula, que de tão crente no capitalismo
nacional resolveu crer e se misturar com os capitalistas daqui. Luiz Inácio se
mistura com quem não devia, perdeu o rumo no pertencimento de classe e viu, sob
o nariz do Palácio do Planalto, os Estados Unidos e seus sistemas de espionagem
deitarem e rolarem no Brasil nos últimos cinco anos.”
“Proponho uma reflexão em forma de
contabilidade de chegada: ou como o lulismo acabou com o que restava de
combatividade no PT e assumiu o pacto de classes como única saída. Gente, vamos
fazer contas? 44 milhões de beneficiados nos programas sociais. 10% deste total
dão em 4,4 milhões de brasileiros e brasileiras. 1% dá em 400 mil pessoas. Se o
PT organizasse como força “populista” um em cada 100 beneficiados de seus
programas, teria um poder de veto sobre a base mercenária no Congresso e o
pacto com os oligarcas. Se tivesse um organizador social em cada base de 100
beneficiados poderia contar com força de mobilização permanente, a exemplo do
que faz o “populismo” em toda a América Latina que leve a sério este conceito,
com o qual também não concordo integralmente. É por isso que esta palhaçada de
golpe branco, de golpe paraguaio não anda na Venezuela.
Aqui foi tudo ao contrário. Preferiram
nada fazer e confiar na sorte ou no destino ou em qualquer pensamento mágico. É
por isso que Maduro não cai à toa. Porque o chavismo – para o bem ou o mal –
organizou uma parcela razoável de sua base social beneficiada e aplica esta
força como poder de veto por cima dos oligarcas e vende pátria. Populismo é
isso; e é menos pior do que o pacto de classes sem poder de veto. Não foi por
falta de aviso.”
Parte 108
Texto de Bruno Lima Rocha, de 26-5-2016,
na sua página no Facebook:
“Uma crítica por esquerda aos ainda
militantes com vínculos ao governo deposto. Pessoal, rápida e direta, abrindo
uma nova série. Por mais boa vontade e sinceridade política que tenham centenas
de milhares de militantes contra o golpe, não há como varrer a titica para
debaixo do tapete. Ou os dirigentes do PT, cutistas e setores afins fazem uma
profunda autocrítica de suas práticas e alianças dos últimos 14 anos, ou toda
esta indignação coletiva será jogada pelo ralo na próxima agenda eleitoral e
eleitoreira. Esta crítica vale para os movimentos componentes da Frente Brasil
Popular e Frente Povo Sem Medo. Se este não é o momento para crítica e
autocrítica, então quando será? Lembremos do PCB após 1964 e seus rachas sem fim
até em função de sua inação diante do golpe evidente. Sei que este tema atinge
afetos e amizades, mas o faço de maneira fraterna e direta. Ou a esquerda
assume seus erros e parte para um projeto político de democracia com justiça
social, pluripartidarismo e igualdade sócio econômica ou a sua parcela hoje
ainda majoritária ficará apelando para debates místicos como "a história
não pára e as relações são dialéticas" e sem debater a fundo um PROJETO DE
PODER. Seguirei no tema nos próximos dias. Saudações libertárias e fraternas,
Bruno Lima Rocha.”
Parte 107
Artigo de 27-5-2016, de Celso Lungaretti,
no blog “Náufrago da Utopia”, sobre a internacionalmente vergonhosa
incapacidade brasileira de punir judicialmente os assassinos da ditadura
Militar.
LULA e DILMA foram CONIVENTES e COVARDES
com TORTURADORES. Tiveram MEDO dos GENERAIS. E criaram uma RIDÍCULA “Comissão
Nacional da Verdade”.
Parte 106
Artigo de Eduardo Rodrigues Vianna no
blog “Náufragos da Utopia”, de 26-5-2016, criticando o presidente do PT, Rui
Falcão (ver comentários):
(Nas manifestações de 2013) “O sr.
ministro da Justiça José Eduardo Cardozo ofereceu solenemente a Força Nacional
de Segurança ao Alckmin, para manter a ordem em São Paulo, enquanto Lula, pai
dos pobres e mãe dos banqueiros, lavava as mãos como sempre. Aliás, pouco antes
de 2013, falando sobre violência policial, Lula chegou a dizer: "Ué, a
polícia bate em quem tem de bater".”
“Ao longo de uma década e meia, o PT se
associou a tudo que não presta (a Michel Temer e Eduardo Cunha, inclusive), em
nome de uma tal governabilidade. E agora, onde está essa maravilha, a milagrosa
governabilidade? E, principalmente, para que serviu?”
“Falcão, pelo menos na omissão,juntamente
com Lula e outros, é um dos responsáveis, pela descaracterização, pelo desvio
do PT que remeteu-nos para uma crise política mais profunda da história dado o
descrédito, pelo povo, para toda a esquerda.”
Parte 105
Artigo de Saturnino Braga, “Eis o momento
para o PT fazer sua autocrítica”, de Saturnino Braga, do site “Carta Maior”, de
25-5-2016:
“Bem, mas o PT já não era o mesmo da
pureza original e, no jogo das composições políticas para o exercício do poder,
foi avançando mais e mais nas práticas da mercantilização política. Na aliança
com partidos useiros e vezeiros na corrupção eleitoral, foi aprendendo e
praticando com maior desenvoltura as mesmas normas. A saída, discreta mas
significativa, de Frei Betto das funções que exercia no Palácio foi um primeiro
aviso, que o PT não quis perceber. O episódio rumoroso do mensalão e a saída do
grupo de militantes que fundou o PSOL foi um segundo e definitivo aviso. Que o
PT ainda não quis escutar.”
Parte 104
Trechos deste artigo:
“Após 35 anos de existência como um
partido dito de “esquerda”, o PT, aplicando a política de colaboração de classe
com a burguesia, defendida por Lula e outros, se destruiu com uma alternativa
para os trabalhadores.”
“O resultado dessa nefasta política da
direção do PT foi trágico e vai sair muito caro para o conjunto da classe
trabalhadora. Basta ver que, após a posse de Temer, as medidas anunciadas não
são nada mais que as mesmas que Dilma estava chamada a aplicar, mas com um grau
maior de dureza.”
“Podemos constatar que, na verdade, o PT
realizou um desserviço para o conjunto da esquerda com essa política de
colaboração com a classe inimiga, não só no Brasil, mas também em toda a
América Latina.
A burguesia, por meio da desmoralização
do PT, com o envolvimento de seus principais dirigentes com a corrupção, busca
manchar toda a esquerda, como se ela fosse igual. E o PT continua ajudando
isso, ao não se colocar contra a política do novo governo que, no fundo, é a
mesma que ele estava aplicando.
Mas, uma nova esquerda independente e
socialista haverá de surgir das lutas atuais e futuras.”
Parte 102
Volta, querida!!!... Ah! volta!!!...
Fica, querida!!!... Ah! fica!!!... KKKKK!!!... Ó DEUSES!!!... Tenham
compaixão!... "É gente humilde, que vontade de..." GARGALHAR!!!...
Sancta Simplicitas!... A Dilma foi afastada sem ter cometido nenhum crime de
responsabilidade, e isto é GOLPE. Mas o que este povo IMBECIL ignora ou finge
que não sabe é que o segundo mandato dela FOI UMA BOSTA!!!... Nenhum governo
pode ser deposto por ser RUIM, isto é certo. Mas, como falou agora o Roberto
Requião, nem a Dilma, nem o Lula, nem NINGUÉM do PT está fazendo a MÍNIMA
AUTOCRÍTICA... Isto é MUITO PIOR do que o que virá pelos próximos anos com a
EXTREMÍSSIMA DIREITA no Poder. DURMA-SE COM UM SILÊNCIO ATERRADOR DESSES!!!...
Parte 101
DURA VERITA, SED VERITA
Considerando o
descarado golpe contra a Democracia feito aos olhos do mundo e às vésperas da
Olimpíada, levando também em conta as absurdas e nefastas ações do interino
Temer, o Brasil se transformou em repasto de uma ULTRA-DIREITA sedenta do
sangue, do suor e das lágrimas do povo brasileiro. Estamos à mercê das forças
mais RETRÓGRADAS imagináveis, as quais contam com o total apoio do STF, do
Legislativo, do PIG, etc. Eles podem agora FAZER O QUE QUISEREM. As Forças
Armadas são comandadas por FROUXOS a endossarem com seu silêncio covarde este
descalabro internacional. As manifestações populares NÃO DARÃO EM NADA, pois o
aparato policial repressor será usado para esmagar todas as resistências. O
Lula será ANULADO. Eles poderão, com a maior tranquilidade, fazer doravante todas
as fraudes possíveis com estas patéticas urnas eleitorais de primeira geração. Pretendem
e conseguirão se manter no Poder por 10-20-30 anos (tanto quanto durou a
ditadura militar). JAMAIS permitirão que a esquerda volte ao Governo Federal. A
Dilma não tem chance na segunda votação do Senado (vale tudo: propinas
milionárias, chantagem e até ameaça de morte a familiares). O país está
entregue a um bando de MONSTRUOSOS BANDIDOS. Temer governa como Presidente
definitivo porque sabe que a Dilma já era. Enfim, tudo isso está de acordo com
o que pensa a parcela mais esclarecida da população. MAS HÁ UMA COISA QUE
NINGUÉM ESTÁ VENDO. Grande parte da culpa pelo que está ocorrendo é do próprio
PT. Não estou me referindo ao “Mensalão” e nem à corrupção na Petrobrás. O PT
cometeu ERROS INADMISSÍVEIS, os quais propiciaram a instalação desta CORJA no
Poder. Não se fala nunca destes erros. Lula e os líderes petistas não têm feito
a menor autocrítica: é mais fácil e cômodo SATANIZAR o adversário. Na
blogosfera não há nenhuma crítica, a não ser em meia dúzia de “iluminados”
(vide o blog “Náufrago da Utopia”). Porém, desde o dia 18 de abril passado eu
tenho registrado os erros de omissão e de ação do PT neste blog. Os corajosos
que tiverem “estômago”, estão convidados a lê-lo. A VERDADE É DURA, MAS É A
VERDADE!...
(Escrevi no dia 22-5-2016.)
sexta-feira, 27 de maio de 2016
Parte 100
Texto do link abaixo, do site de notícias
internacionais G1, de 19-5-2016:
“O Tribunal Supremo de Justiça (TSJ)
venezuelano declarou nesta quinta-feira (19) como ‘constitucional’ o estado de
exceção decretado pelo presidente Nicolás Maduro, que tinha sido rejeitado pelo
Parlamento e que dá ao governo amplos poderes para enfrentar a crise econômica
e conter a ofensiva para tirá-lo do poder”.
Ele equivale ao nosso STF – Supremo
Tribunal Federal. Note-se que o TSJ posicionou-se contra os deputados. Por que
o Supremo venezuelano apoiou Maduro? Ora, muito simples. Porque os magistrados
indicados por Chávez e Maduro são de sua ABSOLUTA CONFIANÇA. Só isto. Não
preciso falar mais nada.
Estou começando a sentir VERGONHA de um dia
ter apoiado e votado no PT!!!...
Parte 99
BLOGUES E SITES NÃO ATRELADOS AO PT:
Náufrago da Utopia
Esquerda Marxista
Correio da Cidadania
Espaço Socialista
Brasil de Fato
Movimento Marxista 5 de Maio
Da Esquerda Anarco-Comunista
Parte 98
Li ontem, 18-5-2016, num blog desatrelado
do PT, o seguinte comentário de um esquerdista:
“Praticamente TODOS os companheiros com
quem estou no caminho, gente boa e de briga, diz que está em marcha um golpe de
estado do país e que o Brasil tornou-se centenas de vezes mais atrasado e
violento desde que o Temer assumiu (no dia 12). Essa onda toda vai passar, mas
até o momento, pelo menos é o que parece, a maioria esmagadora das pessoas de
esquerda quer acreditar, ou finge acreditar, que o Brasil era uma maravilha até
umas semanas atrás, até que vieram os golpistas, a mando de Satanás, e
transformaram o nosso paraíso num vale de lágrimas. É complicado.”
O responsável pelo blog respondeu:
“Sim, os insultos que me chegam comprovam
isso. Parece que estamos de volta ao stalinismo, já não se admite a diversidade
de opiniões no campo da esquerda: ou engolimos as fábulas do PT ou nos cassam a
carteirinha de esquerdista. Mesmo estando muito à esquerda do PT,
invariavelmente nos acusam de sermos ou estarmos servindo à direita. Cérebros
bem lavados estão aí... Mas, comigo isso jamais colará. Sei quem sou e quanto
valho. Não me deixarei intimidar jamais! Sempre considerei que um homem de
esquerda, quando tem certeza de estar defendendo a posição correta, deve
sustentá-la contra todos os que estiverem do outro lado, sejam quantos forem. E
eu sei que, neste exato instante, o PT está sendo o coveiro da revolução. Vou
até o fim com minhas convicções.”
A situação acima referida revela a
profundidade e a extensão do estrago perpetrado à autêntica esquerda por Lula,
o “direitaço”, e pela cúpula petista de direita desde o início da década de 80
até hoje. Aliás, esta obra destrutiva do PT, pelo que eu também estou
percebendo, não se extinguirá agora com tão fragorosa derrota, mas continuará
pelo menos por mais dois anos, até as eleições de 2018. O partido continuará
descaradamente a aplicar o seu “171” nacional, mascarado de esquerda
oposicionista. Até mesmo militantes aguerridos permanecem a bordo deste barco
furado. Eu conheço pessoalmente um deles, um grande e velho amigo, um sujeito
muito inteligente e perspicaz, guerreiro em todas as batalhas já havidas. Pois
os seus atuais comentários absolutamente idiotizados, defendendo cegamente o PT
e demonizando passionalmente os golpistas, sem o menor senso crítico, têm me
chocado mais do que a saída da Dilma. Não estou exagerando.
Ele e alguns outros, mesmo reconhecendo a
obra nefasta do partido, devem pensar da seguinte forma: “Nós estamos cientes
de que o PT ocupou um espaço revolucionário e aglutinou as esquerdas em torno
de si, para depois virar a casaca e culminar esta queda à direita, no segundo
mandato da Dilma, assumindo abertamente o mais vil neoliberalismo. Sabemos
disso. Porém, temos de convir que houve muitos avanços nos últimos 13 anos em
relação à era FHC, e são tais conquistas que devem ser defendidas, e não
arroubos idealistas de uma esquerda sonhadora e utópica. Nós somos realistas.
Não é o que esperávamos, mas é o que temos.”
Este argumento, válido à primeira vista,
carece de profundidade e no fundo é capitulação. Aliás, TODA a militância
petista brasileira, na sua base dos diretórios municipais, desde a década de
80, com a vitória da facção lulista nas cizânias internas, até o presente, agiu
desta forma covarde, permitindo à cúpula nacional do PT atitudes autoritárias e
não condizentes com o verdadeiro ideal revolucionário. Assim, deu carta branca
e endossou as ações da elite petista, e o resultado está aí. Portanto, esta
base também é responsável. Tal atitude poderia ser desculpada até 2002, quando
éramos apenas oposição. Mas, com a chegada ao poder, com aquela “carta aos
banqueiros”, tornou-se clara a postura direitista do Lula e da direção
nacional. Eu assisti à sua posse, no dia 1º de janeiro de 2003, na casa daquele
amigo acima citado. Após o discurso do Lula, ele me disse que não havia gostado
do seu teor.
Após a saída da Dilma e a posse do Temer,
as conquistas petistas serão gradativamente anuladas, até se extinguirem, e
outros arrochos virão. Isto significa a DERROTA ABSOLUTA do PT e de sua
estratégia política no mínimo equivocada. Portanto, continuar a defender o
partido nestas circunstâncias, como TODOS estão fazendo, é a atitude mais
CONTRARREVOLUCIONÁRIA possível. É ajudar a enterrar ainda mais a esquerda. É
pura ignorância e cegueira. Mais ainda, chega a ser maucaratismo e desprezo
pela Revolução. É assumir a direita e condenar o Brasil a uma abjeta
subserviência a tudo o que as elites representam, incluso a elite nacional do
partido. É não enxergar a necessidade de RECONSTRUIR a esquerda a partir dos
escombros do terremoto petista. É lamentar pelo leite derramado, posto que a
Dilma não retornará ao Planalto, o Lula será anulado e aqueles que voltaram ao
Governo Federal tão cedo sairão.
Fazendo desde já uma projeção, podemos
pensar nos seguintes candidatos às próximas eleições presidenciais. Haverá
certamente alguém do PSDB, com um vice do PMDB. Duas mulheres voltarão à cena:
Marina (Rede) e Luciana Genro (PSOL). O PT, é claro, lançará um candidato
qualquer, mas com poucas chances. Mas há um nome que poderá ter uma força
maior: Ciro Gomes. Está claro que o tucano vencerá, ajudado sobremaneira pelas
fraudes nestas patéticas urnas de primeira geração. É provável que somente a
partir de 2019 possa ser realmente empreendido esforços significativos de
reconstrução da esquerda combativa e progressista. Até lá, a militância ainda
cooptada pelo PT e o povo ignaro estarão numa espécie de estado de choque. Cabe
a nós, os pouquíssimos conscientes, tentar esclarecer e conscientizar os ainda
iludidos pela falácia petista. E para isto não há pressa, pois esta luta irá
durar ainda longos e difíceis anos. É SÓ PARA OS FORTES!!!...
Parte 97
Artigo do jornalista Mário Sérgio Conti
no blog “Náufrago da Utopía”:
“A derrota foi tão funda que a existência
mesma do PT está em xeque.”
Não é a existência do Partido dos
Trabalhadores que está em jogo. O PT continuará existindo, fazendo de conta que
é esquerda e não realizando nenhuma autocrítica (do Lula ao menor dos
militantes). A sua catastrófica DESTRUIÇÃO DA ESQUERDA não irá parar. Dilma
está liquidada. Agora precisamos nos livrar do Lula. Estou esperando ansioso o
Moro mandar a PF no apê do ex-presidente. O PT não está extinção. É A ESQUERDA
QUE SE EXTINGUIU!!!...
Parte 96
Três artigos do blog “Da Esquerda
Anarco-Comunista” apontando o PT como partido burguês, capitalista e de
direita:
Parte 95
Outro artigo do blog “Náufrago da
Utopia”, de Celso Lungaretti:
“Fui dos primeiros a entrevistar o Lula
na campanha eleitoral de 1989. Perguntei-lhe como faria para evitar que as
estatais continuassem a serviço da politicalha. Ele respondeu que as colocaria
sob a tutela de conselhos de trabalhadores. Quando finalmente chegou à
Presidência da República, não moveu uma palha neste sentido. Nem isto lhe foi
cobrado por quase ninguém, infelizmente.”
“Desmoralizar a revolução aos olhos dos
trabalhadores, fazendo-os identificarem-na com tudo que há de antipopular e
antiético, equivaleu a destruir sua esperança num futuro de realização plena
dos seres humanos, em troca de um poder muito mais ilusório do que real. Quando
o verdadeiro poder --o econômico-- decidiu dar um fim ao ciclo petista, o fez
com um simples piparote, sem nem mesmo ter de recorrer aos serviçais fardados.”
Parte 94
Outro texto de Frei Betto:
“Lástima que o PT se deixou picar pela
mosca azul. Não ousou implementar reformas de estruturas, como a política, a
tributária e a agrária. Permitiu que o Fome Zero, de caráter emancipatório,
fosse substituído pelo Bolsa Família, compensatório. Erradicou, em fins de
2004, Comitês Gestores em mais de 2 mil municípios, e entregou às mãos dos
prefeitos o cadastro do Bolsa Família.
Como se a retórica fosse suficiente para
encobrir gritantes desigualdades, o PT tentou, em vão, ser o pai dos pobres e a
mãe dos ricos. Para renovar o Congresso, não confiou no potencial político de
líderes de movimentos sociais. Preferiu alianças promíscuas, cujos vírus
oportunistas acabaram por contaminar alguns de seus dirigentes. Em 13 anos de
governo, não se empenhou na alfabetização política da nação nem na
democratização da mídia, sequer no modo de distribuir verbas publicitárias para
veículos de comunicação.
Graças ao crédito facilitado, ao controle
da inflação e ao aumento real (e anual) do salário mínimo acima da inflação, a
população teve mais acesso a bens pessoais. Dentro do barraco de favela, toda a
linha branca favorecida pela desoneração tributária e, ainda, computador,
celular e, quem sabe, no pé do morro, o carro comprado a prestações.
Porém, lá está o barraco ocupado pela
família sem acesso à moradia, segurança, saúde, educação e ao transporte
coletivo de qualidade. A prioridade deveria ter sido o acesso aos bens sociais.
Criou-se, portanto, uma nação de consumistas, não de cidadãos, nação feita de
eleitores que votam como quem cumpre um preceito religioso ou retribui um favor
de compadrio, enternecidos com os laços de família que se estendem do netinho
evocado em pleno parlamento à protuberância glútea exibida ministerialmente.
Entre avanços e desvios, o PT deixa como
legado programas sociais que merecem figurar como políticas de Estado, e não
ocasionalmente de governos. Mas terá o partido a ousadia de se reinventar?
Agora, os pobres, os excluídos, os
sem-terra e os sem-teto, que tinham a esperança de ser felizes, terão que
buscar outras agremiações partidárias ou forjar novas ferramentas de fazer
política, fundadas na ética, na supressão das causas de desigualdades sociais e
na busca de um outro Brasil possível.”
Parte 93
Este artigo fala das perspectivas futuras
em relação ao PT, ao governo Temer e à construção de uma nova vanguarda
revolucionária.
Parte 92
O texto a seguir é uma síntese das 91
partes anteriores. Para que a análise permanecesse a mais abrangente possível e
não sofresse com a exiguidade, fui obrigado a ser prolixo.
CRÍTICA
DO PT POR
UM PETISTA
Acompanhando na internet os fatos desde
2010, e com mais assiduidade desde 2014, foram raríssimos os textos críticos
que li com relação ao Lula, à Dilma e ao Partido dos Trabalhadores.
Praticamente só existiu no meio virtual a condenação da extrema-direita, como
se esta fosse a única responsável pela crise política. Não é. Os erros
cometidos pelo PT foram tantos e tão graves que a ele pode ser imputada uma
grande parcela de responsabilidade na tragédia que culminou neste 11 de maio de
2016, com a perda do Governo Federal. Apontar tais erros é o objetivo deste
texto. Recomendo com veemência que seja lido até o final, apesar de ser
extenso, mesmo porque o leitor jamais encontrará algo semelhante em parte
alguma, disso tenho absoluta certeza.
O governo do FHC, de 1995 a 2002,
privatizou várias estatais a preço de banana, não realizou nenhuma obra,
recorreu três vezes ao FMI, arrochou salários, provocou miséria, fome e mortes
na população mais pobre e instaurou uma forte recessão econômica, com juros
altos e altas taxas de desemprego, dentre inúmeros outros grandes danos
provocados ao país. Mas o pior de tudo foi a roubalheira desenfreada em cima do
erário público, com bilhões de reais sendo desviados para contas particulares
em paraísos fiscais, beneficiando centenas de autênticos bandidos disfarçados
de políticos, revelada no livro “A Privataria Tucana”, de Amaury Ribeiro Júnior.
Após este caos neoliberal, a partir de 2003 Lula conseguiu reverter o quadro
distribuindo renda para a população carente, criando vários programas sociais,
dinamizando a economia, pagando a dívida externa, realizando inúmeras obras em
todo o Brasil, colocando o desemprego em níveis baixos, escapando da crise
financeira internacional, aumentando salários, aderindo ao bloco do BRICS e
retirando milhões de pessoas da linha da miséria, dentre outras louváveis
realizações.
Com uma sólida formação política, toda a
liderança petista percebia, nos primórdios do partido, que a construção de um projeto
progressista e revolucionário, a médio e longo prazo, tinha de levar em conta,
de modo incondicional, a politização das massas e a valorização de todos os
movimentos sociais. Afinal de contas, o PT era de esquerda e arcava com a
imensa responsabilidade de governar realmente EM NOME do povo e PARA o povo, na
frágil democracia brasileira. Bastava apenas instaurar um autêntico
capitalismo, sem o arrombamento dos cofres públicos, num modelo econômico
ortodoxo, mas comendo pelas beiras, na construção revolucionária de um socialismo
“social”, de cunho popular, preparando a sociedade para futuras conquistas humanistas,
posto que o homem, cada cidadão, é o verdadeiro gestor desta abstração chamada
Nação.
O principal erro do Partido dos
Trabalhadores, a partir de 2003, foi ter se recusado deliberadamente a promover
a politização do povo. Toda a sua liderança sabia que a população brasileira,
secularmente explorada pelas elites, era em sua esmagadora parcela politicamente
analfabeta. Se não fosse realizada esta tarefa, se a grei fosse deixada à mercê
de sua natural ignorância e ficasse desprotegida dos inevitáveis ataques da
oposição, o resultado, mais cedo ou mais tarde, seria no mínimo a perda do
apoio dos beneficiados pelas ações governamentais do PT, com outras graves
consequências. Se se dispusesse a efetivar tal programação, o PT poderia contar
com três mecanismos extraordinários, perfeitamente disponíveis e legais. Não
utilizou nunca nenhum deles.
Primeiro Mecanismo. Na Venezuela, Hugo
Chávez usou intensamente três estações de TV do governo, para contrabalançar o
poder da mídia televisiva privada de direita. No Brasil, o PT jamais fez uso
político dos seus dois canais, NBR e TV Brasil. Ao longo dos últimos 13 anos, o
que se viu foi um massacre da grande mídia em cima do PT, com um Governo
Federal encastelado em si mesmo, sem nenhuma defesa, com exceção dos programas
obrigatórios eleitorais a cada quatro anos. Durante todas as recentes crises,
como a do julgamento do Mensalão pelo STF, a Jornada de Junho e o recente
impeachment, a população brasileira viu-se privada de ser informada com relação
ao contraditório, devido à omissão petista.
Segundo mecanismo. Mesmo não usando as
duas TVs estatais, o PT poderia, pelo menos, ter utilizado a internet. Nem isso
ele fez. Não deu nenhum apoio logístico e financeiro aos blogueiros de
esquerda, cujos sites foram a única fonte de informação mais confiável dos atos
do PT. Além disso, Lula e Dilma não fizeram a Lei dos Meios e não deram um
passo para enfrentar a grande mídia. Mas o pior de tudo é que o governo continuou
a pagar publicidades milionárias nos veículos do PIG, principalmente a TV
Globo.
Terceiro mecanismo. Esta ideia é produto
de minha exclusiva percepção, pois jamais li sobre ela em parte alguma. A
estrutura do PT consta do Diretório e da Executiva nacionais, dos Diretórios
Estaduais e dos Diretórios Municipais. O Partido se isolou no Palácio do
Planalto e na sua direção nacional, divorciando-se de sua base. Poderia ter
usado os Diretórios Municipais para garantir o sucesso permanente do programa
partidário. Todos os membros do Partido, em seus municípios de residência,
transformar-se-iam em agentes politizadores por excelência, conectados
intimamente aos níveis do Estado e da União. É nas cidades que se travam as
batalhas, é de lá que saem os votos, é nelas que as obras governamentais são
aplicadas. Cada Diretório Municipal teria um papel dinâmico de co-gestor do
projeto petista. Promoveria ciclos de estudos, debates públicos, atuação esclarecedora
na mídia convencional local, e muitas outras atribuições junto à população,
transformando a sede do partido numa extensão do Governo Federal. Desta forma,
toda a militância, de norte a sul, em todos os Estados, seria envolvida num engajamento
real e em sintonia plena com a liderança última, o Presidente, em Brasília. A
base militante não ficaria, desta maneira, ociosa e abandonada. Este sentimento
de isolamento com a cúpula partidária arrefeceu os ânimos da maior parte dos
petistas, os quais se acovardaram perante as atitudes autocráticas de sua
liderança nacional. Um potencial gigantesco de energia e trabalho foi simplesmente
ignorado.
A politização das massas é um projeto de governo
de esquerda. Ao dar as costas a ela, o PT tornou público e notório que no fundo
não é de esquerda, mas de direita. Como disse Frei Betto, ele pegou o violino
com a mão esquerda e tocou com a direita. Esta politização poderia se estender
desde a população mais miserável, passando pela classe C, podendo chegar até mesmo
à classe média. Os líderes petistas se negaram de forma peremptória a mover uma
palha no que tange à conscientização popular, acreditando na gratidão (votos)
das massas engambeladas por seus programas sociais. Isto torna evidente que a
principal preocupação da liderança do partido era o seu projeto de poder. Um
genuíno partido de esquerda jamais faria isso. O Bolsa Família, a Minha Casa,
Minha Vida, a Copa do Mundo, foram insuficientes, pois o povo precisava também
de uma política sócio-cultural forte para que a sua alma fosse esclarecida,
alimentada e fortalecida. O PT apostou tudo na conciliação com as forças
retrógradas da elite burguesa e desprezou acintosamente as massas humildes que
o colocaram no poder.
Crítica do líder do MST, João Pedro Stédile,
ao PT: “O maior partido da esquerda, com toda sua influência nas massas e nas
organizações populares, abdicou de seu papel de organizador político e formador
ideológico; resignou-se ao medíocre papel de disputar cargos públicos. Isso o
esclerosou ideologicamente. Como é possível conceber um partido que tem 800 mil
filiados, mas não tem cursos de formação política, não tem sequer um jornal
nacional que oriente o debate e a militância?”
O povo brasileiro, de forma geral,
desconhece a malignidade dos tucanos (e milhares de outras coisas) porque foi esquecido
e desprezado pela liderança petista, porque não foi politizado, porque foi
influenciado diretamente apenas por um lado: o PIG. Fala-se muito numa “onda
conservadora de direita”. Vulgarizaram-se os termos “coxinhas”, “alienados” e
“fascistas”. Nada disso é real! Existe tão somente uma população duplamente
desinformada, do trabalhador comum à classe média, primeiro pela omissão
petista, depois pelas mentiras da elite.
As manifestações de rua contra o
impeachment foram feitas por sindicalistas, estudantes, integrantes politizados
de minorias e cidadãos com um nível maior de politização. O povão trabalhador ficou
longe delas. Estava ocupado demais sobrevivendo para engajar-se numa luta para
a qual não foi instruído e nem conscientizado. O fracasso das mobilizações
populares convocadas pela CUT e pela Frente Brasil Popular não é outra coisa
senão o fracasso do PT. Desta forma, elas também são culpadas, por se atrelarem
à cúpula petista e traírem a autêntica luta revolucionária. Até mesmo uma
parcela da população mais pobre voltou-se contra o partido nos últimos tempos,
atitude condizente com a sua orfandade política. A omissão do PT na politização
popular e na sua autodefesa atingiu o máximo durante o show televisivo do
“Mensalão”. O seu silêncio, a ausência de uma contestação veemente por parte do
Governo Federal àquele “Mentirão”, insuflou nas massas a desconfiança e a
suspeita. O termo “petralhas” se vulgarizou. Quem cala, não consente?!
Frei Betto disse: “O PT abandonou seu
projeto inicial na campanha de 2002, quando fez a opção de assegurar a
governabilidade pelo mercado e pelo Congresso – daí as alianças e a ‘Carta aos
Brasileiros’, que na verdade é a ‘carta aos banqueiros’. Ali, o PT abandona sua
matéria-prima, que são os movimentos sociais pelos quais deveria ter assegurado
a governabilidade, como fez Evo Morales na Bolívia, que não tinha apoio no
congresso, se apoiou nos movimentos sociais e, através deles, conseguiu mudar o
perfil do congresso. Hoje, ele tem apoio dos dois, é o presidente mais
consolidado de toda essa safra progressista. O PT optou pelo mercado e pelo
Congresso. Agora, está refém dos dois e pagando um preço muito alto.”
O Poder Executivo petista nomeou
Ministros do STF, Procuradores Gerais, Ministros de Estado e outros não
alinhados com o ideário do partido, em função de uma falácia chamada
“republicanismo”, denotando no mínimo ingenuidade. Dilma manteve no Ministério
das Comunicações aquela falência humana chamada Paulo Bernardo por quatro
longos anos. Nos Estados Unidos e países europeus o Presidente da República
nomeia ministros da Suprema Corte e Procuradores de sua absoluta confiança, e
demite-os sumariamente caso contrariem as orientações do governo. O PT fez
nomeações absurdas para o STF e PGR, nomeados estes que viraram carrascos do
partido, como o Joaquim Barbosa.
Outra mancada foram as alianças com abomináveis
figuras políticas, como o Sarney, em função da política pragmática da governabilidade
a qualquer custo, que no final resultou catastrófica. “Foi Lula quem levou o PT
a fazer alianças com os setores mais atrasados e anti-democráticos da política
brasileira. Foi Lula no Maranhão quem desmontou o PT local para que fosse
concretizada a aliança com a família feudal dos Sarney. Foi Lula em Alagoas que
destituiu as lideranças petistas contrárias a Collor para que o PT apoiasse a
sua candidatura ao governo do estado. Em São Paulo foi Lula quem buscou
alianças com Maluff e Gilberto Kassab fazendo de tudo para isolar a esquerda
petista em benefício dos seus interesses eleitoreiros e políticos. No Rio de
Janeiro Lula agiu da mesma forma autoritária obrigando os diretórios estadual e
municipal a se juntarem ao PMDB. Isso só para citar alguns exemplos nos estados
onde o lulismo conseguiu desfigurar completamente o Partido dos Trabalhadores
em prol de uma política que jamais beneficiaria a população ou o partido, mas
que lhe traria dividendos políticos pessoais.”
Se o PT tivesse assumido a politização
das massas e a sua efetiva defesa contra os ataques que sofreu, se tivesse
usado os três mecanismos, (TVs estatais, internet e Diretórios Municipais), se
tivesse indicado nomes alinhados ao seu ideal político para os altos cargos, jamais
teria sido alijado do Poder. O Brasil seria outro. A oposição estaria
drasticamente reduzida no Judiciário, no Ministério Público, no Legislativo e até
mesmo na mídia. Foi uma população totalmente despolitizada que elegeu os atuais
membros do Congresso, aqueles que votaram em peso a favor do impeachment.
Praticamente não existiria os “coxinhas”. A classe média estaria mais
consciente dos avanços sócio-econômicos. E as bases para uma futura e autêntica
revolução cultural estariam plantadas no País. O PT poderia pensar em se manter
no Palácio do Planalto por muito tempo. Pelo contrário, o que temos hoje é o trágico
fim de um Governo que se perdeu nos meandros e corredores do Poder. O que o PT
fez, em última análise, foi MATAR A ESQUERDA. Não existe atenuante para isto.
Enfim, o governo petista cometeu
gravíssimos erros não se defendendo veementemente dos ataques sofridos, não
fazendo publicidade de suas obras, distanciando-se da sociedade civil,
portando-se de forma tão fraca e irresponsável que beirou a capitulação e a
traição. Não é outra coisa senão suicídio político. Grandes reformas deixaram
de ser feitas, como a eleitoral. A crise final do impeachment, subproduto das
falhas petistas (80%) e da virulência elitista (20%), colocará na condução do
país elementos os mais reacionários e corruptos possíveis. Tudo porque
políticos com sólida formação marxista e esquerdista se contentaram com algumas
medidas econômicas ortodoxas, achando que eram suficientes, num primor de incompetência,
senão de deliberada desfaçatez.
Faço estas críticas ao PT porque ele
traiu o seu programa partidário original, burlou a sua base militante,
ludibriou os setores progressistas e enganou o povo brasileiro. Sou contra
porque SOU DE ESQUERDA. Os críticos do PT situados à direita (coxinhas, classe
média, elite) não possuem nada em comum comigo. Também não significa que estou
tentando minimizar a culpa dos golpistas, muito pelo contrário, pois merecem a
mais rigorosa condenação. Mas é preciso que alguém exponha a verdade dos fatos,
mesmo sendo insignificante como o autor destas linhas.
Outra vez dou a palavra a Frei Betto: “O
erro do Lula foi ter facilitado o acesso do povo a bens pessoais, e não a bens
sociais – o contrário do que fez a Europa no começo do século 20, que primeiro
deu acesso a educação, moradia, transporte e saúde, para então as pessoas
chegarem aos bens pessoais. Aqui, não. Você vai a uma favela e as pessoas têm
TV a cores, fogão, geladeira, microondas (graças à desoneração da linha
branca), celular, computador e até um carrinho no pé do morro, mas estão
morando na favela, não têm saneamento, educação de qualidade. É um governo que
fez a inclusão econômica na base do consumismo e não fez inclusão política. As
pessoas estavam consumindo, o dinheiro rolando e a inflação sob controle, mas
não se criou sustentabilidade para isso. Agora a farra acabou, está na hora de
pagar a conta.”
O PT estabeleceu a dissociação entre a
sua elite dirigente e a sua base militante. Ignorou o clamor das minorias.
Ocultou a ação revolucionária no biombo de um desenvolvimentismo capitalista que
satisfez todos os segmentos do status quo, dos banqueiros aos miseráveis
(“todos lucraram”). O PT não colocou, pela primeira vez na história, um índio
na Funai. O PT acreditou que a grande massa beneficiada por seus programas
sociais ficaria eternamente grata pelo seu assistencialismo. O PT, nas crises
agudas, sempre apelou para a força popular para não ser derrotado nos embates
desta guerra das elites contra o povão, transferindo injustamente a sua
histórica responsabilidade para os ombros da militância. Eu vejo os erros do PT
quando me deparo com jovens vazios e imbecilizados. A culpa não é deles. Hugo
Chávez distribuiu gratuitamente para o povo venezuelano um milhão de exemplares
do “Dom Quixote”, de Cervantes. Isto é esquerda. Nós temos o “Grande Sertão:
Veredas”, do Guimarães Rosa. Mas o PT não teve a coragem de Chávez.
O dito Partido dos “Trabalhadores” traiu
a classe operária. Autodenominando-se esquerdista, assumiu o poder em 2003 sem
a menor intenção de fazer um governo realmente de esquerda. O PT ocupou um
espaço revolucionário, fazendo de conta que iria transformar o país de forma
estrutural, e acabou se revelando incompetente para tão alta tarefa. Agindo
assim, destruiu quase quatro décadas de atuação revolucionária. Por sua vez, os
blogues e sites pretensamente de esquerda (a chamada imprensa chapa branca,
tida como progressista mas, na verdade, cooptada) são geridos por intelectuais também
pretensamente de esquerda, como Paulo Henrique Amorim, Luiz Nassif, Emir Sader,
Altamiro Borges e outros a endossarem a política direitista do PT, a não
alertarem o público sobre a real natureza da mutreta petista e a se esquivarem
a qualquer crítica e autocrítica. Alguns chegaram a abolir os comentários de leitores,
quando aparecia algum “esquerdista radical”, como o “Carta Maior”.
O PT se esclerosou no poder. Tornou-se um
partido de massas estruturalmente falido, sem vitalidade intelectual.
Burocratizou-se e rendeu-se à política mais mesquinha do toma-lá-dá-cá. Perdeu
o vigor dos movimentos sociais, alguns dos quais cooptou, ignorando a sua
maioria. Não realizou as muitas reivindicações populares. Revelou-se traidor,
estelionatário e privatizador. Não fez reforma política séria, nem reforma
tributária, nem reforma agrária, nem reforma urbana. A desculpa de que o
Congresso era hostil não justifica tais omissões. Mas fez uma desastrosa
reforma da Previdência. O PT foi, quando esteve no Governo, um ferrenho
opositor das esquerdas autênticas e combativas, mais feroz até mesmo que o
PSDB, pois trata-se de uma oposição de crítica e de princípios, e não de
interesses.
As palavras a seguir são de um
sindicalista de esquerda experiente nas lides sindicais e foram escritas em
2014: “O PT nasceu nas greves e sabe muito bem como sufocar um movimento
grevista e como combater um sindicato independente. E é isto o que o partido
está fazendo, sobretudo no governo Dilma. Usam todo o tipo de manobra suja para
minar o esforço de greve. Utilizam de todas as manobras para cansar, ludibriar,
enervar, passar por cima dos sindicatos combativos e dos movimentos grevistas,
com o apoio do sindicalismo cooptado, um desastre, a institucionalização da
pelegagem. A ex-guerrilheira se recusa a receber sindicalista para negociar ou
finge negociar só para posar para as fotos e pegar os dividendos políticos. O
PT cooptou as grandes centrais sindicais e com a ajuda da CUT tem usado todos
os truques sujos contra sindicatos livres, pois são ex-sindicalistas e sabem
fazer isso muito bem. O Governo petista trata o funcionalismo público federal
como um patrão ditatorial e de forma muito mais cruel do que o PSDB de FHC
tratou, não porque estes fossem melhores, mas porque eram mais ingênuos e
desconheciam o meio sindical. Muito mais duro é lidar com sindicalista traíra
que explora as deficiências do movimento sindical por dentro, coopta a CUT e
tenta solapar as novas centrais sindicais e partidos da esquerda combativa. Nos
governos Lula e Dilma a CUT e outras centrais e sindicatos foram deliberadamente
domesticados para evitar confrontos com os patrões e aplaudir, sem qualquer
senso crítico, as ações do governo. Nunca o sindicalismo lutador sofreu um
golpe tão duro, em todos os campos, quanto na era do PT no governo federal. O
Partido dos Trabalhadores tem medo dos trabalhadores organizados e críticos.
Esquerda respeita sindicato independente, não domestica central sindical e é
justa com trabalhador, sertanejo, ribeirinho, índio e quilombola.”
O PT governou 90% para a elite
financeira, banqueiros, oligarcas, empreiteiras e latifundiários, os quais
jamais perderam nada nos últimos 13 anos. O Lula mesmo disse que os bancos
nunca lucraram tanto como na era PT. Concessões tributárias e previdenciárias
foram feitas a setores empresariais sem retribuições para o mundo do trabalho.
A usina de Belo Monte foi construída para satisfazer as exigências da família
Sarney e os interesses das grandes construtoras e das multinacionais do
alumínio de olho nas minas de Carajás, massacrando sem piedade comunidades
indígenas e ribeirinhas próximas a Altamira, no Pará. Lula, que jamais foi
socialista e nunca defendeu a preservação ambiental, tornou-se o garoto
propaganda das grandes empreiteiras e do agronegócio brasileiros na África,
pois é um porta-voz de peso e tido como defensor dos pobres. Neste sentido, o
BRICS pode ser visto como o neo-imperialismo mundial, com a China, Brasil,
etc., brigando por novos mecanismos de dominação nos mercados do hemisfério
sul.
O PT foi incapaz de se aliar à esquerda
autêntica (ou melhor, à esquerda, pois é um partido de direita) para derrotar o
projeto do Código Florestal da CNA – Confederação da Agricultura e Pecuária do
Brasil, abrindo as pernas para o grande capital da agroindústria. Apesar de
estar comprometido com a preservação do nosso patrimônio ambiental, vendeu sua
alma aos interesses dos barões pecuaristas. Nesta aliança com os ruralistas,
Dilma sepultou a reforma agrária e esvaziou o Incra e a Funai. Além disso, o PT
não fez nada para enfrentar a aristocracia financeira, submetendo-se
servilmente ao Deus Mercado, na maior cara de pau. Dando isenção tributária a
grupos poderosos e ao pagar a eterna e impagável dívida pública, dívida que
tanto mais aumenta quanto mais é saldada, como todos os outros governos anteriores,
só fez abarrotar o bolso já cheio da elite econômica.
Lula tentou sem sucesso provar que era
possível conciliar trabalho e capital. Não existe capitalismo “humano”: ele
sempre será predador e monopolista. Na ideologia pseudo-distributiva do PT, os
beneficiários do Bolsa Família receberam a sua pequena quota do orçamento, e
foi feito um grande alarde propagandista desta boa ação. Mas o que não se
propagou foram os beneficiários dos juros altos, os empréstimos do BNDES, as
isenções fiscais, etc. O grosso da grana ia para a aristocracia financeira,
sobrando as migalhas para os deserdados do Bolsa Família, de modo a mantê-los
no cabresto eleitoral. Este programa é uma esmola estatal que a esquerda
marxista sempre denunciou como uma contrarrevolucionária política compensatória
ditada pelo Banco Mundial para controlar a luta de classes e impedir explosões
sociais. O PT só beneficiou a população pobre e trabalhadora quando não
precisou contrariar nenhum grande interesse. Promoveu a retirada de alguns milhões
da extrema pobreza para lançá-los na pobreza, e aqueceu a economia para tirar
outros milhões da pobreza para lançá-los no seio da classe média baixa. Fez um
jogo capitalista, injetando dinheiro no mercado e formando uma legião de
pequenos consumidores dos produtos fabricados pelos empresários. Benesses para
todos! – era o lema petista. O Bolsa Família teria sido realmente nobre se
fosse acompanhado de POLITIZAÇÃO. Aliás, não é um gesto assim tão
grandiosamente humanitário como se pensa, pois é uma obrigação do Estado e os
reais interesses por trás eram eleitoreiros.
O PT privatizou 23 mil km de estradas
federais (até 2013); 45 portos; 8 aeroportos; 7500 km de linha de transmissão
(até 2013); usinas de geração de energia (aos chineses); Brasil Telecon;
Estádios da Copa; Ferrovia Norte-Sul; Banco do Nordeste (agora banco misto); e
Banco do Brasil (46% nas mãos dos acionistas). Tentou privatizar os Correios
(MP 532/11) e terceirizou muitos de seus serviços. Instituiu milhares de PPPs
(Parcerias Públicos Privadas) e terceirizações. Dilma colocou o banqueiro
Joaquim Levy (um Chicago Boy) no Ministério da Fazenda e a líder do agronegócio
Kátia Abreu (grande ruralista) no Ministério da Agricultura. Deu isenção de
impostos a mega-empresários dos setores de automóveis e outros. Fez pouquíssima
reforma agrária. Cortou o PIS e reduziu o Seguro Desemprego. Vetou a Auditoria
da Dívida Pública e pagou fielmente o seu injusto e absurdo juro (47% de tudo o
que é arrecadado). Quanto à Petrobrás, 49,7% está nas mãos dos acionistas. As
suas contratações foram paradas para contratar 108 empreiteiras. O Pré-Sal foi
leiloado. Estes leilões são uma forma de privatizar o petróleo, dando tudo de
mão-beijada para as multinacionais, sem ser preciso privatizar a empresa. O que
o Brasil lucrará com o Pré-Sal é uma ninharia. O Campo de Libra foi dado para
os chineses. E tudo isto foi feito na “moita”, sem que o grosso da população
tomasse conhecimento. Esta é, ou melhor, foi a especialidade do PT: promover a
agenda da direita na surdina. Talvez não tenha sido pronunciada uma vez sequer,
nos últimos 13 anos, pelos líderes petistas, a palavra “estatização”. Tudo isto
é uma gigantesca e execrável traição à esquerda e ao socialismo, os quais
defendem exatamente o oposto das privatizações, defende o patrimônio do povo.
Em 13 anos, 4 meses e 11 dias no Poder, o
Partido dos Trabalhadores conseguiu a façanha histórica de frustrar quase todas
as esperanças que nele foram depositadas por 200 milhões de brasileiros. Foram
exatos 4.880 dias se tornando cúmplice dos exploradores em vários sentidos, e
isto vindo de um partido que se dizia de esquerda e que tinha a missão
primordial de defender os explorados contra os opressores. O PT fez todo o tipo
possível de concessões aos setores direitistas retrógrados e ortodoxos. Nascido
no final da ditadura militar e composto originalmente por grandes nomes da
esquerda e da intelligentsia nacional, muitos deles vítimas da brutalidade dos
gestores do golpe de 1964, o PT não teve sequer a coragem de peitar os
carrascos torturadores na pífia Comissão da Verdade, mesmo quando cortes
internacionais de justiça o exigiam. O partido tinha uma pauta de modernização
dos costumes, fim dos preconceitos e defesa das minorias sexuais, mas se
absteve pois precisava dos votos da bancada dos evangélicos. Órgãos e
autarquias foram ignorados, como Funai, Ibama e IBGE. Foi aprovada a lei
antiterror, que pode criminalizar manifestantes que depredem patrimônio
público. Enfim, de tanto jogar no lixo as suas bandeiras, o PT ficou no final
sem nenhuma proposta positiva para conquistar os corações e as mentes dos
eleitores, daí só lhe restando trunfos negativos como a satanização dos
adversários.
As informações acima são verídicas. Não
se trata de calúnias da oposição. Foram retiradas na internet de fontes
exclusivamente esquerdistas. Nunca leio nada escrito pela direita. A esta
altura, o perplexo leitor deve estar com nó no cérebro. Poderia perguntar: Mas,
e as obras positivas do PT? Realmente, como foi dito no início, somos obrigados
a reconhecer que muita coisa boa foi feita, especialmente nos dois mandatos de
Lula. Como o governo FHC foi péssimo, o do PT pode parecer, em contraposição e
enganosamente, excelente. Mas não devemos supervalorizar a administração
petista. Sendo de esquerda, o PT era OBRIGADO a fazer alguma coisa, não poderia
ser um repeteco dos tucanos. Porém, o que ele deixou de fazer (politização,
autodefesa, mídia, etc.) e o que ele fez de modo oculto (neoliberalismo,
privatizações, etc.) depõe contrariamente de forma arrasadora. Pior do que o
lobo em si, é o lobo em pele de ovelha. Os setores elitistas e conservadores
não mascaram suas intenções, todos sabem do que são capazes. Entretanto, a
cúpula petista não correspondeu às expectativas que o povo nutria, ao dar-lhe
carta branca nas últimas quatro eleições. O que o PT fez com as mãos,
desmanchou com os pés. Recomendo ao leitor que se liberte de ideias
preconcebidas e de paixões políticas e faça um exame honesto e sensato dos
fatos.
Fora do poder, o PT fará oposição ao
governo de Michel Temer. Lula e a cúpula do partido manterão a mesma imagem
original de oposição esquerdista, como fazia até 2002, sem a mínima autocrítica
e nenhuma vergonha na cara. Sendo assim, o PT inaugurará a sua terceira fase de
enganos e farsas: a primeira de 1980 a 2002; a segunda de 2003 a 2016; e a
terceira de agora em diante. O povo iludido contará com “Lula 2018”. Mas ele
será preso, processado e condenado. Jamais permitirão que se candidate
novamente, nem que seja preciso eliminá-lo. A extrema-direita PMDB-PSDB
dificilmente largará o osso. E esta eliminação do “Pai dos Pobres”, o seu
patético ostracismo, para a esquerda é ótimo, posto que assim o PT não
continuará a sua obra nefasta de destruição dos setores realmente progressistas.
Somente desta forma o país poderá construir livremente, nos anos seguintes, uma
AUTÊNTICA MILITÂNCIA ESQUERDISTA a partir de sua juventude atual. O PT se
esgotou, não tem mais defesa ou credibilidade. Será preciso começar a agir
desde já para reconstruir a esquerda fora do vácuo petista, sem a ilusão de que
está do nosso lado, ou seja, do povo. Não há nenhum tempo para se perder um
tempo precioso, pois será uma luta de pelo menos duas décadas para reerguer a
cabeça da esquerda, destroçada pelo PT.
É
óbvio que o PT lançará um candidato nas eleições de 2018, seja qual for. Votar
nele significará a continuação de tudo o que foi exposto acima. Não é uma boa
ideia. O bom senso diz que é preciso fortalecer os partidos de esquerda, como
PCdoB, PCO, PSTU e PSOL, já em 2016. Esta é uma boa ideia. Todavia, é bom
lembrar que qualquer um destes quatro partidos, chegando no poder num futuro
distante, fará o mesmo que fez o PT, inevitavelmente. O que significa que a via
político-eleitoral-democrática não é a melhor solução. A grande ideia é a
POLITIZAÇÃO DO POVO ao longo das décadas seguintes, efetuada POR ELE MESMO,
(não de cima para baixo), através de suas inúmeras organizações como entidades
estudantis, grupos anarquistas, sindicatos livres, minorias, camponeses,
associações, enfim, todo o conjunto que forma a sua imensa base social,
desligada completamente do poder público e dos grupos econômicos de qualquer
nível ou escala. Somente quando o povo possuir uma razoável compreensão do seu
poder natural e inerente, será possível dar início à VERDADEIRA REVOLUÇÃO. Se
esta politização não for feita, se a massa permanecer na sua habitual
ignorância, na sua eterna inércia, se nada for feito para tentar despertá-la de
seu torpor, o jogo tenderá SEMPRE para o lado das elites que detém o poder
político, econômico, jurídico, eleitoral, midiático, policial e repressor. A
única salvação para o povo é ELE MESMO. Esta é a visão mais avançada da
esquerda mundial.
Desejo a todos uma LONGA LUTA!...
Marcos Nunes Filho – Muriaé/MG – Maio de
2016.
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