segunda-feira, 4 de julho de 2016

Parte 123

      Este artigo diz a verdade acerca da suprema responsabilidade do Lula na situação política em que vive o Brasil. Além de todas as omissões e má ações, (sem deixar de elogiar as boas medidas), ele cometeu o capital pecado de não interferir nas eleições de 2014, candidatando-se a um terceiro mandato e transferindo a Dilma para uma vice-presidência, no máximo, ou tirando ela da jogada.


terça-feira, 21 de junho de 2016

Parte 122

      Este artigo de hoje, 21-6-2016, de Eduardo Rodrigues Vianna, no blog “Náufragos da Utopia”, intitulado “Hugo Chávez e a Revolução Educacional - Uma pequenina reflexão acerca das lutas educacionais no Brasil atual”, começa com os seguintes parágrafos:

      “Quando os bolivarianos venezuelanos chegaram ao governo com a eleição de Hugo Chávez, em 1998, sabiam que era preciso promover uma transformação na educação pública, tendo optado pela via da educação popular, com beleza, com todo o colorido que os povos da nossa América possuem; e também com lucidez, com um projeto muito concreto a ser realizado.
      A revolução educacional, diferentemente do que se passou no Brasil durante os governos Lula e Dilma, era parte fundamental do processo encabeçado por Chávez, frustrado em alguns aspectos, vitorioso em outros. Os bolivarianos estabeleceram uma linha política arrojada e séria, segundo a firme convicção de que a educação serve para libertar o povo, rumo à emancipação dos povos da América Latina e em nome de sua união. E puseram-se a trabalhar.
      Implantaram as Missões Bolivarianas - que consistiam na mobilização de caravanas compostas por um convicto professorado de luta, estudantes, artistas e lutadores sociais - pelos quatro cantos do país: cada cidade, cada povoado e cada bairro.
      Um dos resultados, em aproximadamente sete anos de mobilização educacional nas escolas e fora delas, foi nada menos que a erradicação do analfabetismo na Venezuela, um feito comemorado pelas forças populares no mundo inteiro - as forças democráticas, as forças humanistas, enfim, todos aqueles que compreendem a façanha extraordinária que é dar fim ao analfabetismo em qualquer país latino-americano.
      Outro resultado foi a construção de um pensamento educacional, todo um repertório, todo um conteúdo amplo, popular, camponês, operário, negro e indígena. O imenso estado de espírito construído em grande medida pela educação popular garantiu a vitória de 2002, contra uma tentativa da burguesia venezuelana e dos Estados Unidos de esmagarem a experiência daquele povo, por meio de um golpe de estado DE VERDADE.
      Os trabalhadores, a juventude e os patriotas revolucionários venceram, armados com enxadas, pistolas, fuzis e livros. Mas armados com a poderosa espada dos povos em todos os momentos da História, sem a qual as pistolas e os fuzis nada podem, que é a das ideias fortes, quando associadas a uma forte esperança.”

      Na Parte 9 deste meu blog eu escrevi: “O PRINCIPAL ERRO do Partido dos Trabalhadores, a partir de 2003, foi TER SE RECUSADO DELIBERADAMENTE a promover a POLITIZAÇÃO DO POVO”. Na Parte 10 eu falei que Hugo Chávez usou seus canais de TV estatais para defender junto ao povo a sua revolução bolivariana. E na Parte 11 expus que os dois canais de TV estatais brasileiros “NUNCA foram usados como veículo para a POLITIZAÇÃO das massas” pelo PT.
      Sintetizando, Chávez POLITIZOU O POVO e usou os canais estatais para a POLITIZAÇÃO POPULAR, mas Lula e os dirigentes do Partido dos Trabalhadores JAMAIS PENSARAM em realizar nenhuma destas duas tarefas. A desculpa de que a Venezuela é um país pequeno e o Brasil possui dimensões continentais NÃO SERVE COMO DESCULPA para estes DOIS CRIMES DE OMISSÃO. A conclusão óbvia é a de que Chávez foi um AUTÊNTICO LÍDER REVOLUCIONÁRIO DE ESQUERDA, mesmo tendo sido apenas um militar nacionalista; ao passo que o patético Lula, apesar de ter se originado no meio sindical, não passou de um POLÍTICO DE DIREITA sem nenhuma verve REVOLUCIONÁRIA, a não ser um canhestro POPULISMO, cuja real vocação era pelo CAPITALISMO ORTODOXO.
      QUE VEXAME!!!...
      O articulista não teve a disposição de apontar esta verdade na segunda parte do seu texto, limitando-se a falar das ocupações dos estudantes nas escolas de SP. Não existe aí nenhuma REVOLUÇÃO EDUCACIONAL, mas apenas uma REAÇÃO a péssimas condições de ensino. E note-se que estas manifestações juvenis apontam que em 2003 o Brasil estava ANSIANDO DESESPERADAMENTE por um PROJETO POLÍTICO DE MASSAS QUE NÃO VEIO, e jamais virá.
      QUE MISÉRIA A NOSSA!!!...

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Parte 121

      Editorial do site “Esquerda Marxista”, “Lula contra o Fora Temer e a Greve Geral”, de 15-6-2016:

      “Quando ainda esperava ser ministro chefe da Casa Civil, Lula declarou para uma massa nas ruas que, ao aceitar ir para o governo, tinha voltado a ser o ‘Lulinha, paz e amor’, para dialogar com ‘trabalhador, sem terra, pequeno empresário, médio empresário, grande empresário, com fazendeiro, com banqueiro’.
      Agora, de volta à Avenida Paulista, Lula disse: ‘Não posso falar em greve geral porque não estou dentro da fábrica e porque aposentado não faz greve’. E concluiu, na manifestação pelo Fora Temer: ‘Não vou dizer Fora Temer, não pega bem. Temer é um advogado constitucionalista, deve devolver o poder para uma presidenta legitimamente eleita’. Esse é o discurso de um líder político que teme convocar as massas para a luta, que abandonou sua classe e foi ganho pela burguesia para defender o capitalismo.
      Com tal método e política, o da colaboração de classes, Lula e a direção do PT destruíram o partido como ferramenta de luta da classe trabalhadora. Por tudo isso, pelo estelionato eleitoral do governo Dilma, uma campanha pelo ‘Volta Dilma’, impulsionada pelo PT e abraçada pela CUT, não ganha as massas, não é capaz de parar o país.”


Parte 120

      Texto da segunda parte deste artigo, de Eduardo Rodrigues Vianna:

      “QUE SIGNIFICADO TERIA A PRISÃO DO LULA?
       Lula poderia ser preso por lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio, essas coisinhas. Para um certo ramo da esquerda, já totalmente acostumado a fazer os seus juízos de valor utilizando os dois pesos e a duas medidas a favor dos seus líderes (às vezes por ingenuidade, às vezes por outro motivo), tratar-se-ia de mais uma vitória das forças do mal contra as forças do bem, estas ilibadas e cândidas, dirigidas por aquele puríssimo brasileiro que perdeu o dedo na máquina, embora tenha ficado podre de rico fazendo política, segundo a pior tradição, o pior espírito e os piores princípios.
       Sérgio Moro é algum bobalhão deslumbrado, alguém disposto a abraçar a agenda das forças do mal, a tantos por dia, como diz aquela esquerda que gosta de ser financiada por governos? Difícil.
      É um falso juiz, como chegou a boquirrotar o Paulo Henrique Amorim? Claro que não.
      É um tipo ambicioso, que pretende passar à História como um Eliot Ness acaipirado, rapaz latino-americano, sem dinheiro no banco e vindo do interior? Certamente. Se Lula for preso, será sob todos os assim-chamados rigores da Lei. Não há amadores nisto.
      Para a esquerda mais autêntica, que desejará se reconstruir, que já sente a necessidade de renascer com toda a consciência e com força, a eventual prisão de Lula precisará significar, ainda mais, o fim de um tempo, o esgotamento de uma era e o fracasso dos métodos adotados por Lula e por todos os dirigentes do lulismo. Ou a esquerda de um modo geral compreende isto, ou marchará, a passo largo e decidido, para a completa insignificância.”

      Já falei neste blog sobre esperar com ansiedade a prisão e o aniquilamento do Lula para que MORRA de uma vez por todas este falso partido de esquerda...


sexta-feira, 10 de junho de 2016

Parte 119

      Até o PAULO HENRIQUE AMORIM, neste texto do seu site “Conversa Afiada”, publicado hoje, 10 de junho de 2016, reconhece que o PT cometeu um ERRO CRASSO não usando a TV Estatal. Eis um trecho:

      “(...) uma tevê estatal competitiva teria sido viável.
      Teria - terIA - sido um contra-ponto à Globo .
      Mas terIA sido necessário torná-la profissional e equipada.
      Com muita grana.
      O papel das redes públicas ou estatais de tevê é servir de mastro para o debate de questões públicas.
      Colocar Direita e Esquerda (que jamais deixarão de existir, não é isso, Traíra?) lado a lado, diante do espectador, e moderar as divergências, enquanto as ideias se expõem, com civilidade e complexidade.
      Quando não há rede estatal ou pública (como a BBC) forte, abre-se espaço para a radicalização nos extremos - geralmente pela Direita - , com pseudo-herois mediáticos.
      Nos Estados Unidos, Trump.
      Na Itália, Berlusconi, que destruiu o sistema estatal de televisão na Itália, com a ajuda dos "socialistas" do Craxi.
      Aqui, a Globo inventou o Barbosa e o Moro.
      E interditou o debate.
      Só a Direita tinha espaço para proclamar que o Brasil era uma m...
      E deu no que deu: no Golpe!
      O PT se acovardou duas vezes: quando não fez a Ley de Medios.
      E porque não encheu a EBC - com Ricardo - de dinheiro.
      Pagou caro.”


quinta-feira, 9 de junho de 2016

Parte 118

      Neste artigo do jornalista Fernando Canzian, no “Náufrago da Utopia”, destaco o texto final de Celso Lngaretti:

      “Podemos mudar esse jogo de cartas marcadas?  Podemos, com uma revolução. Aquela que o PT desistiu de fazer, preferindo apenas gerenciar o capitalismo para os capitalistas.”


quarta-feira, 8 de junho de 2016

Parte 117

      Neste artigo, Celso Lungaretti fala do atrelamento da pretensa blogosfera de esquerda ao PT. Perante ele, eu poderia fazer uma revisão do que escrevi na parte 12 deste meu blog.


sábado, 4 de junho de 2016

Parte 116

      Destaco os seguintes trechos do artigo “Uma crítica por esquerda aos militantes ainda vinculados ao governo deposto – 1”, de Bruno Lima Rocha, de 4-6-2016, no blog “Estratégia e Análise”

      “Neste texto, levamos em conta o conceito de André Singer a respeito do lulismo, considerando-o um pacto conservador, um jogo do “ganha-ganha”, com as seguintes características: o Brasil aproveita o crescimento econômico chinês e indiano; tenta estabelecer uma aliança de classes com os campões do capitalismo nacional; não atinge de forma direta os interesses do capital financeiro e especulativo; aposta na política de exportação de commodities agrícolas, minerais e extrativistas; e, simultaneamente, abre cunhas de alianças com setores reacionários, em troca da gigantesca promoção de melhora nas condições materiais de vida. Logo, o que pode se observar é que, embora as mudanças materiais tenham sido consideráveis, não houve alteração nas estruturas de poder assentadas no Brasil, tanto àquelas de nível doméstico como na correlação com as forças externas.”

      “(...) aceitar a melhoria material como uma espécie de solução mágica para problemas estruturais de dominação foram o cadafalso da política lulista no Brasil.”

      “Ao promover a melhoria da condição de mais de 44 milhões de pessoas, o que seria minimamente desejável seria a afirmação de estruturas de contra-poder, ou ao menos, uma capacidade de mobilização popular promotora de um poder de veto das maiorias por sobre os acórdãos oligárquicos e o viciado jogo burocrático-institucional. Ao contrário de fazer o afirmado aqui, o partido de governo reforçou o poder de seu líder político e eleitoral (Lula) e apostou toda a acumulação na vitória pelas urnas e não na construção de um novo consenso político-cultural, entregando a ideia de hegemonia societária para as estruturas pré-existentes. Deste modo, a inação levou a que nenhuma das estruturas centrais de poder no Brasil fosse alterada, ao contrário, se expandiram sob os narizes dos dirigentes petistas, tais como: o agronegócio e latifúndio; as “igrejas” neopentecostais; o poder da mídia corporativa; a financeirização da economia brasileira; a concentração econômica nos oligopólios nacionais (através de uma espécie de Bismarckismo tropical, já deveras elogiado por Eike Batista); a presença de capitais transnacionais nas telecomunicações; a divisão de poder no mundo do trabalho com as centrais pelegas; loteamento do primeiro, segundo, terceiro e quarto escalões do governo federal com oligarquias mercenárias; e, não menos grave, a negativa em modificar minimamente as instituições de segurança de Estado, verdadeiras máquinas de matar a própria população, acumulando entulho autoritário e violência endêmica na base de nossa pirâmide social.”

      “Considerando tudo o que fora citado acima, entendo que, ou os dirigentes do PT, de seus partidos aliados (como o  PC do B), das centrais sindicais que apoiaram o lulismo (como CUT e CTB), e setores afins fazem uma profunda autocrítica de suas práticas e alianças dos últimos 14 anos, ou toda esta indignação coletiva contra o golpe será jogada pelo ralo na próxima agenda eleitoral e eleitoreira. Esta crítica também vale para os movimentos componentes da Frente Brasil Popular e Frente Povo Sem Medo. Se este não é o momento para crítica e autocrítica então quando será?”

https://estrategiaeanaliseblog.wordpress.com/2016/06/04/uma-critica-por-esquerda-aos-militantes-ainda-vinculados-ao-governo-deposto-1/

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Parte 115

      Artigo “PERDEMOS 36 ANOS E CONTINUAMOS DESPERDIÇANDO NOSSO TEMPO”, de Celso Lungaretti, no seu blog “Náufrago da Utopia”, de hoje, 3-6-2016:

      “Então, ao invés de chorarmos sobre o leite derramado, temos mais é de lançarmos pontes para o futuro desejável, começando pela construção de uma esquerda de verdade, que não se proponha a gerenciar o capitalismo para os capitalistas, (como fez o PT – nota minha), mas, pelo contrário, a transformar em profundidade a sociedade brasileira, dando fim à exploração do homem pelo homem (como não fez o PT – nota minha).
      Perdemos os 36 anos em que tanto nos esforçamos para afirmar o PT e levá-lo à Presidência da República. Estamos de volta ao ponto de partida (1980 – nota minha) e temos agora de analisar rigorosamente onde foi que erramos e como evitarmos a repetição desses erros adiante (além do imperativo de separarmos o joio do trigo, depurando nossas fileiras de quantos se tornaram dóceis marionetes do inimigo e/ou comprometeram a imagem da causa utilizando-a ilicitamente em benefício pessoal).
      Repito o alerta: a refundação da esquerda é o único caminho para salvá-la da irrelevância. E, se quisermos detonar a nova hegemonia direitista, o momento decisivo será a eleição presidencial de 2018, desde que já estejamos sob nova direção (desatrelada do PT – nota minha). Em 2016 a batalha está de antemão perdida.
      Não há mais tempo a perder. Os responsáveis pela pior derrota por nós sofrida desde 1964 (Lula e a direção nacional do PT – nota minha) são os mesmos que agora impingem a ilusão de que ainda seja possível revertê-la no Senado. Sabem muito bem que não, mas a obnubilação dos esquerdistas lhes convém: permite que continuem escapando das graves cobranças a que deveriam estar respondendo neste exato instante.” (É por isso que Lula, Dilma e o PT não faz autocrítica – nota minha.)


quinta-feira, 2 de junho de 2016

Parte 114

      Estão dizendo que alguns senadores que foram a favor do impeachment no Senado podem mudar de opinião na segunda votação, mantendo Dilma na Presidência. A máfia PMDB-PSDB-STF-PIG e toda a bandidagem que se apossou do Governo Federal JAMAIS permitirá que isto ocorra. Perder o poder por causa de dois ou três votos é INADMISSÍVEL para ela. Podem chegar até o extremo da ameaça de morte a familiares de senadores, mas NUNCA MAIS sairão de lá. O povo brasileiro NÃO FOI POLITIZADO pelo PT. Os grandes sindicatos FORAM COOPTADOS pelo PT. Não existe a mínima condição para um significativo LEVANTE POPULAR. A grande CULPA desta tragédia é do próprio PT, com seus ERROS CRASSOS cometidos em 13 anos de administração DIREITISTA. Eu não suporto mais olhar para as fotos da Dilma e me recuso a ouvir o que o Lula tem a dizer. Quanto ao Temer e ao resto da quadrilha, são apenas CRIMINOSOS, nada mais. Não me causam tanto ASCO!... Mas o PT, não! Fantasiou-se de cordeiro... SUICIDOU-SE... MATOU A ESQUERDA... Não é capaz da menor autocrítica e ainda quer voltar ao Planalto?!... Ainda existem no país alguns autênticos ESQUERDISTAS que não engolem mais o “171” petista, contra milhões de cidadãos IMBECILIZADOS. Em breve o Moro mandará o Lula pra cadeia e toda este ENGODO terminará. Restará apenas o APOCALIPSE BRASILEIRO. Por vários anos. O Brasil JÁ ERA!!!...

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Parte 113

      Este artigo é EXCELENTE!!!!... Faz uma trajetória sintética do PT de sua fundação até hoje. Leitura imperdível!...

http://www.correiocidadania.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=11700:2016-05-30-23-48-50&catid=25:politica&Itemid=47

Parte 112

      Texto muito claro de Eduardo Rodrigues Vianna:

      “(...) no ano de 2002 a burguesia financeira permitiu que o PT gerenciasse os seus negócios, com lucros para ela própria e com benefícios para os despossuídos (...)”

      “De 2002 em diante, é como se os banqueiros tivessem dito: "Vocês, petistas, podem exercer a presidência, mas a vice-presidência será sempre nossa, sempre de direita", como um dispositivo de segurança à disposição dos reais donos do País.”


Parte 111

      Excelente artigo (“Os limites do neodesenvolvimentismo e o preço do pacto de classes”) da Coordenação Anarquista Brasileira, de 27-3-2014, do site “Federação Anarquista Gaúcha”:

      “Tais elementos denotam que, mesmo as políticas sociais colocadas como carros-chefes – “Bolsa Família”, “Brasil sem Miséria” e “Minha Casa, Minha Vida” – se circunscrevem em uma agenda desenvolvimentista, que visa aquecer o mercado consumidor e o mercado imobiliário e, assim, pouco se referem ao combate à pobreza e ao desenvolvimento de um “estado de bem-estar social”, que é o que se espera do reformismo estrito senso.”

      “Todavia, a dita “nova classe média” não é mais que uma invenção petista, pois essas pessoas têm rendimentos que sequer garantem acesso aos direitos fundamentais. A maior parte da população brasileira continua vivendo com menos de um salário mínimo.”

      “Mas para manter a aparência de “país rico”, o governo e a mídia disseminam o conceito de “classe média”, como se houvesse, na prática, esse segmento claramente diferenciado, a partir da recente inserção de setores populares no consumo.”

      “O perfil de distribuição de renda do país sofreu poucas alterações em sua estrutura, mantendo as enormes desigualdades de rendimentos entre os mais ricos e o restante da sociedade, com transferências de renda concentradas entre as classes populares. Percebe-se que, na realidade, o que acontece é que o governo redistribui a pobreza.”

      “No que tange ao ganho real nos salários, este é muito pequeno no atual cenário.”

      “Isso atesta que o aumento no consumo se deu com a ampliação do crédito e corrobora a afirmação de que não há uma distribuição de renda significativa no país.”

      “Como vemos, temos um modelo econômico que está distante de uma perspectiva transformadora; ele não pode ser assim caracterizado sequer em uma perspectiva reformista. Mesmo no que diz respeito ao equilíbrio capitalista, ele parece estar sustentado em “bases” instáveis, sujeitas a desequilíbrios.”

      “No momento que nos encontramos, após os dez anos de PT no poder do Estado, podem-se apontar algumas tendências. Como sublinhamos, não existem esboços de mudanças mais radicais e a política tem pequenas oscilações. No campo social, sem romper compromissos com o capital financeiro, é muito difícil alterar radicalmente o quadro, pois 40% do orçamento do Estado destina-se à amortização da dívida pública. Era um compromisso histórico da esquerda romper com a dívida pública, ou seja, dar o calote nos agiotas do poder público para poder ter recursos mais robustos para as políticas sociais, projeto que o petismo abandonou há muito, pois seus compromissos atuais são com as classes dominantes.”

      “Como vemos, o governo faz uma opção de apoio à burguesia, ao apoiar seus megaempreendimentos em momento de crise, em vez de investir recursos em áreas de interesse social.”

      “Esses aspectos acabam por apontar algo que as ruas já sinalizavam: as grandes revoltas não se referem ao prenúncio de uma crise econômica, pois no momento não existem sinais aparentes dessa crise, mas à insatisfação da população com os serviços e a precariedade das condições de trabalho. Esse quadro é claro e se refere, em geral, aos grandes centros, onde a população goza de algumas benesses conquistadas no governo PT (crédito fácil que dá poder de compra e relativa ascensão social para segmentos da classe trabalhadora extremamente pauperizados), mas que, porém, não consegue ver melhoras reais em sua qualidade de vida, pois não vê as melhorias tanto prometidas pelo PT.”

      “Vemos o atual governo romper somente na retórica com a antiga política privatizante, impondo-a por meio de medidas mascaradas (...)”

      “Nosso país não somente tem uma educação de péssima qualidade, como, por conta da expansão via universidades privadas, é incapaz de promover o desenvolvimento tecnológico, pois as privadas não investem em pesquisa e possuem um frágil sistema de produção de conhecimento. O Brasil é responsável por meros 2,7% da produção científica no mundo, o que é pouco para uma das maiores economias mundiais. Não é à toa que somente quatro universidades brasileiras estão entre as 100 mais bem avaliadas dos BRICS.”

      “O transporte público vem, há anos, sendo administrado por máfias que, além de fazerem negócio privado daquilo que é direito fundamental, embutindo nas tarifas seu lucro, administram o transporte com práticas de superfaturamento de custos que fazem com que ele se torne ainda mais caro.”

      “Na esteira da política neodesenvolvimentista, fica evidente que o direito social tem espaço somente na medida em que pode ser comprado. Assim, os brasileiros continuam a carecer de um sistema de proteção social em áreas fundamentais como saúde, educação e transporte, condizente com uma política social-reformista. Tomamos esses elementos como referência pois, segundo pesquisa do IBOPE, foram eles os mais citados por manifestantes como motivos de seus protestos.”

      “O que fica claro é que o PT não traz grandes mudanças às áreas sociais e que segue, em parte, a agenda neoliberal, privatizando, por vezes usando outras modalidades. A pequena mas sensível mudança se dá na colocação robusta de recursos públicos na iniciativa privada. Temos como dois grandes exemplos o PROUNI, que compra vagas em universidades particulares, e o “Minha Casa, Minha Vida”, que fornece moradias populares com crédito público, mas subsidiando grandes empreiteiras.”

      “Com a chegada do PT ao poder, era o momento de desarticular os movimentos naquilo que traziam de perigo: sua capacidade combativa de mobilização. Isso foi feito por meio da cooptação em seu sentido mais direto, isto é, oferecendo cargos, injetando dinheiro e tornando os movimentos meros gestores de recursos. Outra medida foi a concessão de esparsas concessões no campo dos direitos sociais, com os projetos de distribuição de renda e alguns projetos que atendem a população do campo sendo os carros-chefes, valendo-se, assim, da condição extremamente subalternizada da população para lhes distribuir migalhas. Esses dois elementos, somados à burocratização interna dos movimentos, os quais passam a ser subordinados pela correia de transmissão que havia sido criada entre PT e movimentos sociais, foram fundamentais para promover a “paz social”, isto é, amaciar, servir de pelego para os conflitos de classe, fazendo o que a direita, que priorizou a via da repressão, não pôde realizar em seu período de governo.”

      “Tais ações do governo PT colocaram o movimento social em um longo período de refluxo. Aparecem, aqui e ali, esboços de resistência, mas é difícil a articulação da luta de massas com os instrumentos que foram constituídos historicamente pelas classes oprimidas no país, pois eles têm sido desmobilizados e vêm perdendo completamente sua autonomia e independência com a cooptação e a burocratização.”

      “A ação direta volta à cena para contrapor o burocratismo e institucionalismo imposto aos movimentos sociais pelo PT, ou seja, a população volta a agir política e diretamente, traçando meios para atingir um objetivo classista.”

      “Cabe apontar que é necessário sermos cautelosos com toda a massa que saiu às ruas portando os símbolos nacionais. Isso não se traduz, necessariamente, em uma onda de fascismo, ou uma nova revoada dos “galinhas verdes”, mas, em geral, representa a desorientação de parte dessa juventude trabalhadora que vai às ruas, a qual acaba por se tornar suscetível às disputas verticais que a mídia estabelece, justamente por lhes faltar referências de organizações de esquerda e mesmo de movimentos sociais. Apontamos, por isso, a necessidade da paciência do trabalho de base e da formação de opinião.”


Parte 110

      Textos do artigo “Tragédia anunciada e a capitulação da esquerda estatista – Parte I”, de Pablo Misraji, no site “Estratégia e Análise:

       “O mesmo PT que em seu programa de 2006 anunciava os avanços do partilhamento de renda para as camadas mais pobres, era o que dava marcha ré na estratégia de reformas estruturais. O que não podemos chamar de recuo ideológico. O partido abandonava seus preceitos antigos, indo buscar um lugar ao sol como os demais partidos de centro e direita. O PT, como ex-esquerda, inicialmente amparada por uma sólida base de movimentos sindicais de luta no campo, retrocede em volume contra pautas eleitas por suas próprias bases eleitoreiras, como o enfrentamento ao grande capital estrangeiro, a democratização dos meios de comunicação, reforma agrária, política (campanhas eleitorais), urbana e tributária, as privatizações, entre outras, pondo um fim definitivo no avanço de medidas estratégicas no jogo político. Estas medidas, tanto para o campo da esquerda quanto para dos movimentos sociais em luta, geraram um afastamento progressivo de suas bases e uma espécie de achatamento da esquerda estatista.”

      “Nessa lógica de isenção do acirramento de classe, o lulismo definitivamente soterrou a chamada “guinada à esquerda”. Ao invés de elaborar um programa pautado na convocação permanente das bandeiras históricas de luta, priorizou e deu as costas para as reformas estruturais.”

      “Ao contrário, uma guinada à direita foi o que o Partido dos Trabalhadores fez. Dentro dessa linha histórica, após criar uma plataforma de consumo mediante crédito e isenções fiscais destes itens, podemos citar como exemplo de ações: a governabilidade a qualquer preço e conciliação de interesses, políticas de privatização em série, a aliança e capitulação com o capitalismo estrangeiro regulador como o FMI, as nomeações de ministros (ex-banqueiros), a entrega das divisas para a bancada do agronegócio, principalmente após a redição do Código Florestal e com isto sob a tutela de Kátia Abreu pondo em xeque a legislação trabalhista rural, os acordos e a regularização de terras quilombolas e indígenas, as alianças partidárias com os setores mais retrógrados da política – na tentativa de manutenção a nível do legislativo e do executivo para garantir um pleito nas eleições futuras -, os planos de austeridade de Levy junto à sua filosofia herdada pelo BID e pela nova configuração do capital estrangeiro para a América Latina (Plano IIRSA, por exemplo), corte e ajuste fiscal nos setores que já estavam mobilizados como a Educação, a omissão na democratização dos meios de comunicação que fora criada e amparada pela própria base petista, o comprometimento da criação e ampliação da política de repressão e criminalização dos movimentos sociais através de leis semelhantes aos períodos de exceção (Lei de Terrorismo), entre outras sérias e graves pedaladas no campo da esquerda.”


Parte 109

      Artigo (“O afastamento da presidente Dilma Rousseff. Uma reflexão crítica pela esquerda.”) de Bruno Lima Rocha, no site do PCB, de 23-5-2016. Destaco estes trechos:

      “Querem derrubar os maiores entusiastas do capitalismo brasileiro, a começar por Lula, que de tão crente no capitalismo nacional resolveu crer e se misturar com os capitalistas daqui. Luiz Inácio se mistura com quem não devia, perdeu o rumo no pertencimento de classe e viu, sob o nariz do Palácio do Planalto, os Estados Unidos e seus sistemas de espionagem deitarem e rolarem no Brasil nos últimos cinco anos.”

      “Proponho uma reflexão em forma de contabilidade de chegada: ou como o lulismo acabou com o que restava de combatividade no PT e assumiu o pacto de classes como única saída. Gente, vamos fazer contas? 44 milhões de beneficiados nos programas sociais. 10% deste total dão em 4,4 milhões de brasileiros e brasileiras. 1% dá em 400 mil pessoas. Se o PT organizasse como força “populista” um em cada 100 beneficiados de seus programas, teria um poder de veto sobre a base mercenária no Congresso e o pacto com os oligarcas. Se tivesse um organizador social em cada base de 100 beneficiados poderia contar com força de mobilização permanente, a exemplo do que faz o “populismo” em toda a América Latina que leve a sério este conceito, com o qual também não concordo integralmente. É por isso que esta palhaçada de golpe branco, de golpe paraguaio não anda na Venezuela.
      Aqui foi tudo ao contrário. Preferiram nada fazer e confiar na sorte ou no destino ou em qualquer pensamento mágico. É por isso que Maduro não cai à toa. Porque o chavismo – para o bem ou o mal – organizou uma parcela razoável de sua base social beneficiada e aplica esta força como poder de veto por cima dos oligarcas e vende pátria. Populismo é isso; e é menos pior do que o pacto de classes sem poder de veto. Não foi por falta de aviso.”


Parte 108

      Texto de Bruno Lima Rocha, de 26-5-2016, na sua página no Facebook:


      “Uma crítica por esquerda aos ainda militantes com vínculos ao governo deposto. Pessoal, rápida e direta, abrindo uma nova série. Por mais boa vontade e sinceridade política que tenham centenas de milhares de militantes contra o golpe, não há como varrer a titica para debaixo do tapete. Ou os dirigentes do PT, cutistas e setores afins fazem uma profunda autocrítica de suas práticas e alianças dos últimos 14 anos, ou toda esta indignação coletiva será jogada pelo ralo na próxima agenda eleitoral e eleitoreira. Esta crítica vale para os movimentos componentes da Frente Brasil Popular e Frente Povo Sem Medo. Se este não é o momento para crítica e autocrítica, então quando será? Lembremos do PCB após 1964 e seus rachas sem fim até em função de sua inação diante do golpe evidente. Sei que este tema atinge afetos e amizades, mas o faço de maneira fraterna e direta. Ou a esquerda assume seus erros e parte para um projeto político de democracia com justiça social, pluripartidarismo e igualdade sócio econômica ou a sua parcela hoje ainda majoritária ficará apelando para debates místicos como "a história não pára e as relações são dialéticas" e sem debater a fundo um PROJETO DE PODER. Seguirei no tema nos próximos dias. Saudações libertárias e fraternas, Bruno Lima Rocha.”

Parte 107

      Artigo de 27-5-2016, de Celso Lungaretti, no blog “Náufrago da Utopia”, sobre a internacionalmente vergonhosa incapacidade brasileira de punir judicialmente os assassinos da ditadura Militar.

      LULA e DILMA foram CONIVENTES e COVARDES com TORTURADORES. Tiveram MEDO dos GENERAIS. E criaram uma RIDÍCULA “Comissão Nacional da Verdade”.


Parte 106

      Artigo de Eduardo Rodrigues Vianna no blog “Náufragos da Utopia”, de 26-5-2016, criticando o presidente do PT, Rui Falcão (ver comentários):

      (Nas manifestações de 2013) “O sr. ministro da Justiça José Eduardo Cardozo ofereceu solenemente a Força Nacional de Segurança ao Alckmin, para manter a ordem em São Paulo, enquanto Lula, pai dos pobres e mãe dos banqueiros, lavava as mãos como sempre. Aliás, pouco antes de 2013, falando sobre violência policial, Lula chegou a dizer: "Ué, a polícia bate em quem tem de bater".”

       “Ao longo de uma década e meia, o PT se associou a tudo que não presta (a Michel Temer e Eduardo Cunha, inclusive), em nome de uma tal governabilidade. E agora, onde está essa maravilha, a milagrosa governabilidade? E, principalmente, para que serviu?”

      “Falcão, pelo menos na omissão,juntamente com Lula e outros, é um dos responsáveis, pela descaracterização, pelo desvio do PT que remeteu-nos para uma crise política mais profunda da história dado o descrédito, pelo povo, para toda a esquerda.”


Parte 105

      Artigo de Saturnino Braga, “Eis o momento para o PT fazer sua autocrítica”, de Saturnino Braga, do site “Carta Maior”, de 25-5-2016:

      “Bem, mas o PT já não era o mesmo da pureza original e, no jogo das composições políticas para o exercício do poder, foi avançando mais e mais nas práticas da mercantilização política. Na aliança com partidos useiros e vezeiros na corrupção eleitoral, foi aprendendo e praticando com maior desenvoltura as mesmas normas. A saída, discreta mas significativa, de Frei Betto das funções que exercia no Palácio foi um primeiro aviso, que o PT não quis perceber. O episódio rumoroso do mensalão e a saída do grupo de militantes que fundou o PSOL foi um segundo e definitivo aviso. Que o PT ainda não quis escutar.”


Parte 104

      Trechos deste artigo:

      “Após 35 anos de existência como um partido dito de “esquerda”, o PT, aplicando a política de colaboração de classe com a burguesia, defendida por Lula e outros, se destruiu com uma alternativa para os trabalhadores.”

      “O resultado dessa nefasta política da direção do PT foi trágico e vai sair muito caro para o conjunto da classe trabalhadora. Basta ver que, após a posse de Temer, as medidas anunciadas não são nada mais que as mesmas que Dilma estava chamada a aplicar, mas com um grau maior de dureza.”

      “Podemos constatar que, na verdade, o PT realizou um desserviço para o conjunto da esquerda com essa política de colaboração com a classe inimiga, não só no Brasil, mas também em toda a América Latina.
      A burguesia, por meio da desmoralização do PT, com o envolvimento de seus principais dirigentes com a corrupção, busca manchar toda a esquerda, como se ela fosse igual. E o PT continua ajudando isso, ao não se colocar contra a política do novo governo que, no fundo, é a mesma que ele estava aplicando.
      Mas, uma nova esquerda independente e socialista haverá de surgir das lutas atuais e futuras.”


Parte 103

      Eis uma boa comparação entre Alckmin e Dilma:


Parte 102

      Volta, querida!!!... Ah! volta!!!... Fica, querida!!!... Ah! fica!!!... KKKKK!!!... Ó DEUSES!!!... Tenham compaixão!... "É gente humilde, que vontade de..." GARGALHAR!!!... Sancta Simplicitas!... A Dilma foi afastada sem ter cometido nenhum crime de responsabilidade, e isto é GOLPE. Mas o que este povo IMBECIL ignora ou finge que não sabe é que o segundo mandato dela FOI UMA BOSTA!!!... Nenhum governo pode ser deposto por ser RUIM, isto é certo. Mas, como falou agora o Roberto Requião, nem a Dilma, nem o Lula, nem NINGUÉM do PT está fazendo a MÍNIMA AUTOCRÍTICA... Isto é MUITO PIOR do que o que virá pelos próximos anos com a EXTREMÍSSIMA DIREITA no Poder. DURMA-SE COM UM SILÊNCIO ATERRADOR DESSES!!!...

Parte 101

      DURA VERITA, SED VERITA 

      Considerando o descarado golpe contra a Democracia feito aos olhos do mundo e às vésperas da Olimpíada, levando também em conta as absurdas e nefastas ações do interino Temer, o Brasil se transformou em repasto de uma ULTRA-DIREITA sedenta do sangue, do suor e das lágrimas do povo brasileiro. Estamos à mercê das forças mais RETRÓGRADAS imagináveis, as quais contam com o total apoio do STF, do Legislativo, do PIG, etc. Eles podem agora FAZER O QUE QUISEREM. As Forças Armadas são comandadas por FROUXOS a endossarem com seu silêncio covarde este descalabro internacional. As manifestações populares NÃO DARÃO EM NADA, pois o aparato policial repressor será usado para esmagar todas as resistências. O Lula será ANULADO. Eles poderão, com a maior tranquilidade, fazer doravante todas as fraudes possíveis com estas patéticas urnas eleitorais de primeira geração. Pretendem e conseguirão se manter no Poder por 10-20-30 anos (tanto quanto durou a ditadura militar). JAMAIS permitirão que a esquerda volte ao Governo Federal. A Dilma não tem chance na segunda votação do Senado (vale tudo: propinas milionárias, chantagem e até ameaça de morte a familiares). O país está entregue a um bando de MONSTRUOSOS BANDIDOS. Temer governa como Presidente definitivo porque sabe que a Dilma já era. Enfim, tudo isso está de acordo com o que pensa a parcela mais esclarecida da população. MAS HÁ UMA COISA QUE NINGUÉM ESTÁ VENDO. Grande parte da culpa pelo que está ocorrendo é do próprio PT. Não estou me referindo ao “Mensalão” e nem à corrupção na Petrobrás. O PT cometeu ERROS INADMISSÍVEIS, os quais propiciaram a instalação desta CORJA no Poder. Não se fala nunca destes erros. Lula e os líderes petistas não têm feito a menor autocrítica: é mais fácil e cômodo SATANIZAR o adversário. Na blogosfera não há nenhuma crítica, a não ser em meia dúzia de “iluminados” (vide o blog “Náufrago da Utopia”). Porém, desde o dia 18 de abril passado eu tenho registrado os erros de omissão e de ação do PT neste blog. Os corajosos que tiverem “estômago”, estão convidados a lê-lo. A VERDADE É DURA, MAS É A VERDADE!...


      (Escrevi no dia 22-5-2016.)

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Parte 100

      Texto do link abaixo, do site de notícias internacionais G1, de 19-5-2016:

      “O Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) venezuelano declarou nesta quinta-feira (19) como ‘constitucional’ o estado de exceção decretado pelo presidente Nicolás Maduro, que tinha sido rejeitado pelo Parlamento e que dá ao governo amplos poderes para enfrentar a crise econômica e conter a ofensiva para tirá-lo do poder”.

      Ele equivale ao nosso STF – Supremo Tribunal Federal. Note-se que o TSJ posicionou-se contra os deputados. Por que o Supremo venezuelano apoiou Maduro? Ora, muito simples. Porque os magistrados indicados por Chávez e Maduro são de sua ABSOLUTA CONFIANÇA. Só isto. Não preciso falar mais nada.

    Estou começando a sentir VERGONHA de um dia ter apoiado e votado no PT!!!...

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2016/05/supremo-venezuelano-declara-constitucional-o-estado-de-excecao.html

Parte 99

      BLOGUES E SITES NÃO ATRELADOS AO PT:

Náufrago da Utopia

Esquerda Marxista

Correio da Cidadania

Espaço Socialista

Brasil de Fato

Movimento Marxista 5 de Maio

Da Esquerda Anarco-Comunista

Parte 98

      Li ontem, 18-5-2016, num blog desatrelado do PT, o seguinte comentário de um esquerdista:

      “Praticamente TODOS os companheiros com quem estou no caminho, gente boa e de briga, diz que está em marcha um golpe de estado do país e que o Brasil tornou-se centenas de vezes mais atrasado e violento desde que o Temer assumiu (no dia 12). Essa onda toda vai passar, mas até o momento, pelo menos é o que parece, a maioria esmagadora das pessoas de esquerda quer acreditar, ou finge acreditar, que o Brasil era uma maravilha até umas semanas atrás, até que vieram os golpistas, a mando de Satanás, e transformaram o nosso paraíso num vale de lágrimas. É complicado.”

      O responsável pelo blog respondeu:

      “Sim, os insultos que me chegam comprovam isso. Parece que estamos de volta ao stalinismo, já não se admite a diversidade de opiniões no campo da esquerda: ou engolimos as fábulas do PT ou nos cassam a carteirinha de esquerdista. Mesmo estando muito à esquerda do PT, invariavelmente nos acusam de sermos ou estarmos servindo à direita. Cérebros bem lavados estão aí... Mas, comigo isso jamais colará. Sei quem sou e quanto valho. Não me deixarei intimidar jamais! Sempre considerei que um homem de esquerda, quando tem certeza de estar defendendo a posição correta, deve sustentá-la contra todos os que estiverem do outro lado, sejam quantos forem. E eu sei que, neste exato instante, o PT está sendo o coveiro da revolução. Vou até o fim com minhas convicções.”

      A situação acima referida revela a profundidade e a extensão do estrago perpetrado à autêntica esquerda por Lula, o “direitaço”, e pela cúpula petista de direita desde o início da década de 80 até hoje. Aliás, esta obra destrutiva do PT, pelo que eu também estou percebendo, não se extinguirá agora com tão fragorosa derrota, mas continuará pelo menos por mais dois anos, até as eleições de 2018. O partido continuará descaradamente a aplicar o seu “171” nacional, mascarado de esquerda oposicionista. Até mesmo militantes aguerridos permanecem a bordo deste barco furado. Eu conheço pessoalmente um deles, um grande e velho amigo, um sujeito muito inteligente e perspicaz, guerreiro em todas as batalhas já havidas. Pois os seus atuais comentários absolutamente idiotizados, defendendo cegamente o PT e demonizando passionalmente os golpistas, sem o menor senso crítico, têm me chocado mais do que a saída da Dilma. Não estou exagerando.
      Ele e alguns outros, mesmo reconhecendo a obra nefasta do partido, devem pensar da seguinte forma: “Nós estamos cientes de que o PT ocupou um espaço revolucionário e aglutinou as esquerdas em torno de si, para depois virar a casaca e culminar esta queda à direita, no segundo mandato da Dilma, assumindo abertamente o mais vil neoliberalismo. Sabemos disso. Porém, temos de convir que houve muitos avanços nos últimos 13 anos em relação à era FHC, e são tais conquistas que devem ser defendidas, e não arroubos idealistas de uma esquerda sonhadora e utópica. Nós somos realistas. Não é o que esperávamos, mas é o que temos.”
      Este argumento, válido à primeira vista, carece de profundidade e no fundo é capitulação. Aliás, TODA a militância petista brasileira, na sua base dos diretórios municipais, desde a década de 80, com a vitória da facção lulista nas cizânias internas, até o presente, agiu desta forma covarde, permitindo à cúpula nacional do PT atitudes autoritárias e não condizentes com o verdadeiro ideal revolucionário. Assim, deu carta branca e endossou as ações da elite petista, e o resultado está aí. Portanto, esta base também é responsável. Tal atitude poderia ser desculpada até 2002, quando éramos apenas oposição. Mas, com a chegada ao poder, com aquela “carta aos banqueiros”, tornou-se clara a postura direitista do Lula e da direção nacional. Eu assisti à sua posse, no dia 1º de janeiro de 2003, na casa daquele amigo acima citado. Após o discurso do Lula, ele me disse que não havia gostado do seu teor.
      Após a saída da Dilma e a posse do Temer, as conquistas petistas serão gradativamente anuladas, até se extinguirem, e outros arrochos virão. Isto significa a DERROTA ABSOLUTA do PT e de sua estratégia política no mínimo equivocada. Portanto, continuar a defender o partido nestas circunstâncias, como TODOS estão fazendo, é a atitude mais CONTRARREVOLUCIONÁRIA possível. É ajudar a enterrar ainda mais a esquerda. É pura ignorância e cegueira. Mais ainda, chega a ser maucaratismo e desprezo pela Revolução. É assumir a direita e condenar o Brasil a uma abjeta subserviência a tudo o que as elites representam, incluso a elite nacional do partido. É não enxergar a necessidade de RECONSTRUIR a esquerda a partir dos escombros do terremoto petista. É lamentar pelo leite derramado, posto que a Dilma não retornará ao Planalto, o Lula será anulado e aqueles que voltaram ao Governo Federal tão cedo sairão.

      Fazendo desde já uma projeção, podemos pensar nos seguintes candidatos às próximas eleições presidenciais. Haverá certamente alguém do PSDB, com um vice do PMDB. Duas mulheres voltarão à cena: Marina (Rede) e Luciana Genro (PSOL). O PT, é claro, lançará um candidato qualquer, mas com poucas chances. Mas há um nome que poderá ter uma força maior: Ciro Gomes. Está claro que o tucano vencerá, ajudado sobremaneira pelas fraudes nestas patéticas urnas de primeira geração. É provável que somente a partir de 2019 possa ser realmente empreendido esforços significativos de reconstrução da esquerda combativa e progressista. Até lá, a militância ainda cooptada pelo PT e o povo ignaro estarão numa espécie de estado de choque. Cabe a nós, os pouquíssimos conscientes, tentar esclarecer e conscientizar os ainda iludidos pela falácia petista. E para isto não há pressa, pois esta luta irá durar ainda longos e difíceis anos. É SÓ PARA OS FORTES!!!...

Parte 97

      Artigo do jornalista Mário Sérgio Conti no blog “Náufrago da Utopía”:

      “A derrota foi tão funda que a existência mesma do PT está em xeque.”

      Não é a existência do Partido dos Trabalhadores que está em jogo. O PT continuará existindo, fazendo de conta que é esquerda e não realizando nenhuma autocrítica (do Lula ao menor dos militantes). A sua catastrófica DESTRUIÇÃO DA ESQUERDA não irá parar. Dilma está liquidada. Agora precisamos nos livrar do Lula. Estou esperando ansioso o Moro mandar a PF no apê do ex-presidente. O PT não está extinção. É A ESQUERDA QUE SE EXTINGUIU!!!...


Parte 96

      Três artigos do blog “Da Esquerda Anarco-Comunista” apontando o PT como partido burguês, capitalista e de direita:




Parte 95

      Outro artigo do blog “Náufrago da Utopia”, de Celso Lungaretti:

      “Fui dos primeiros a entrevistar o Lula na campanha eleitoral de 1989. Perguntei-lhe como faria para evitar que as estatais continuassem a serviço da politicalha. Ele respondeu que as colocaria sob a tutela de conselhos de trabalhadores. Quando finalmente chegou à Presidência da República, não moveu uma palha neste sentido. Nem isto lhe foi cobrado por quase ninguém, infelizmente.”

      “Desmoralizar a revolução aos olhos dos trabalhadores, fazendo-os identificarem-na com tudo que há de antipopular e antiético, equivaleu a destruir sua esperança num futuro de realização plena dos seres humanos, em troca de um poder muito mais ilusório do que real. Quando o verdadeiro poder --o econômico-- decidiu dar um fim ao ciclo petista, o fez com um simples piparote, sem nem mesmo ter de recorrer aos serviçais fardados.”


Parte 94

      Outro texto de Frei Betto:

      “Lástima que o PT se deixou picar pela mosca azul. Não ousou implementar reformas de estruturas, como a política, a tributária e a agrária. Permitiu que o Fome Zero, de caráter emancipatório, fosse substituído pelo Bolsa Família, compensatório. Erradicou, em fins de 2004, Comitês Gestores em mais de 2 mil municípios, e entregou às mãos dos prefeitos o cadastro do Bolsa Família.
      Como se a retórica fosse suficiente para encobrir gritantes desigualdades, o PT tentou, em vão, ser o pai dos pobres e a mãe dos ricos. Para renovar o Congresso, não confiou no potencial político de líderes de movimentos sociais. Preferiu alianças promíscuas, cujos vírus oportunistas acabaram por contaminar alguns de seus dirigentes. Em 13 anos de governo, não se empenhou na alfabetização política da nação nem na democratização da mídia, sequer no modo de distribuir verbas publicitárias para veículos de comunicação.
      Graças ao crédito facilitado, ao controle da inflação e ao aumento real (e anual) do salário mínimo acima da inflação, a população teve mais acesso a bens pessoais. Dentro do barraco de favela, toda a linha branca favorecida pela desoneração tributária e, ainda, computador, celular e, quem sabe, no pé do morro, o carro comprado a prestações.
      Porém, lá está o barraco ocupado pela família sem acesso à moradia, segurança, saúde, educação e ao transporte coletivo de qualidade. A prioridade deveria ter sido o acesso aos bens sociais. Criou-se, portanto, uma nação de consumistas, não de cidadãos, nação feita de eleitores que votam como quem cumpre um preceito religioso ou retribui um favor de compadrio, enternecidos com os laços de família que se estendem do netinho evocado em pleno parlamento à protuberância glútea exibida ministerialmente.
      Entre avanços e desvios, o PT deixa como legado programas sociais que merecem figurar como políticas de Estado, e não ocasionalmente de governos. Mas terá o partido a ousadia de se reinventar?
      Agora, os pobres, os excluídos, os sem-terra e os sem-teto, que tinham a esperança de ser felizes, terão que buscar outras agremiações partidárias ou forjar novas ferramentas de fazer política, fundadas na ética, na supressão das causas de desigualdades sociais e na busca de um outro Brasil possível.”


Parte 93

      Este artigo fala das perspectivas futuras em relação ao PT, ao governo Temer e à construção de uma nova vanguarda revolucionária.


Parte 92

      O texto a seguir é uma síntese das 91 partes anteriores. Para que a análise permanecesse a mais abrangente possível e não sofresse com a exiguidade, fui obrigado a ser prolixo.
      CRÍTICA  DO  PT  POR  UM  PETISTA
      Acompanhando na internet os fatos desde 2010, e com mais assiduidade desde 2014, foram raríssimos os textos críticos que li com relação ao Lula, à Dilma e ao Partido dos Trabalhadores. Praticamente só existiu no meio virtual a condenação da extrema-direita, como se esta fosse a única responsável pela crise política. Não é. Os erros cometidos pelo PT foram tantos e tão graves que a ele pode ser imputada uma grande parcela de responsabilidade na tragédia que culminou neste 11 de maio de 2016, com a perda do Governo Federal. Apontar tais erros é o objetivo deste texto. Recomendo com veemência que seja lido até o final, apesar de ser extenso, mesmo porque o leitor jamais encontrará algo semelhante em parte alguma, disso tenho absoluta certeza.
      O governo do FHC, de 1995 a 2002, privatizou várias estatais a preço de banana, não realizou nenhuma obra, recorreu três vezes ao FMI, arrochou salários, provocou miséria, fome e mortes na população mais pobre e instaurou uma forte recessão econômica, com juros altos e altas taxas de desemprego, dentre inúmeros outros grandes danos provocados ao país. Mas o pior de tudo foi a roubalheira desenfreada em cima do erário público, com bilhões de reais sendo desviados para contas particulares em paraísos fiscais, beneficiando centenas de autênticos bandidos disfarçados de políticos, revelada no livro “A Privataria Tucana”, de Amaury Ribeiro Júnior. Após este caos neoliberal, a partir de 2003 Lula conseguiu reverter o quadro distribuindo renda para a população carente, criando vários programas sociais, dinamizando a economia, pagando a dívida externa, realizando inúmeras obras em todo o Brasil, colocando o desemprego em níveis baixos, escapando da crise financeira internacional, aumentando salários, aderindo ao bloco do BRICS e retirando milhões de pessoas da linha da miséria, dentre outras louváveis realizações.
      Com uma sólida formação política, toda a liderança petista percebia, nos primórdios do partido, que a construção de um projeto progressista e revolucionário, a médio e longo prazo, tinha de levar em conta, de modo incondicional, a politização das massas e a valorização de todos os movimentos sociais. Afinal de contas, o PT era de esquerda e arcava com a imensa responsabilidade de governar realmente EM NOME do povo e PARA o povo, na frágil democracia brasileira. Bastava apenas instaurar um autêntico capitalismo, sem o arrombamento dos cofres públicos, num modelo econômico ortodoxo, mas comendo pelas beiras, na construção revolucionária de um socialismo “social”, de cunho popular, preparando a sociedade para futuras conquistas humanistas, posto que o homem, cada cidadão, é o verdadeiro gestor desta abstração chamada Nação.
      O principal erro do Partido dos Trabalhadores, a partir de 2003, foi ter se recusado deliberadamente a promover a politização do povo. Toda a sua liderança sabia que a população brasileira, secularmente explorada pelas elites, era em sua esmagadora parcela politicamente analfabeta. Se não fosse realizada esta tarefa, se a grei fosse deixada à mercê de sua natural ignorância e ficasse desprotegida dos inevitáveis ataques da oposição, o resultado, mais cedo ou mais tarde, seria no mínimo a perda do apoio dos beneficiados pelas ações governamentais do PT, com outras graves consequências. Se se dispusesse a efetivar tal programação, o PT poderia contar com três mecanismos extraordinários, perfeitamente disponíveis e legais. Não utilizou nunca nenhum deles.
      Primeiro Mecanismo. Na Venezuela, Hugo Chávez usou intensamente três estações de TV do governo, para contrabalançar o poder da mídia televisiva privada de direita. No Brasil, o PT jamais fez uso político dos seus dois canais, NBR e TV Brasil. Ao longo dos últimos 13 anos, o que se viu foi um massacre da grande mídia em cima do PT, com um Governo Federal encastelado em si mesmo, sem nenhuma defesa, com exceção dos programas obrigatórios eleitorais a cada quatro anos. Durante todas as recentes crises, como a do julgamento do Mensalão pelo STF, a Jornada de Junho e o recente impeachment, a população brasileira viu-se privada de ser informada com relação ao contraditório, devido à omissão petista.
      Segundo mecanismo. Mesmo não usando as duas TVs estatais, o PT poderia, pelo menos, ter utilizado a internet. Nem isso ele fez. Não deu nenhum apoio logístico e financeiro aos blogueiros de esquerda, cujos sites foram a única fonte de informação mais confiável dos atos do PT. Além disso, Lula e Dilma não fizeram a Lei dos Meios e não deram um passo para enfrentar a grande mídia. Mas o pior de tudo é que o governo continuou a pagar publicidades milionárias nos veículos do PIG, principalmente a TV Globo.
      Terceiro mecanismo. Esta ideia é produto de minha exclusiva percepção, pois jamais li sobre ela em parte alguma. A estrutura do PT consta do Diretório e da Executiva nacionais, dos Diretórios Estaduais e dos Diretórios Municipais. O Partido se isolou no Palácio do Planalto e na sua direção nacional, divorciando-se de sua base. Poderia ter usado os Diretórios Municipais para garantir o sucesso permanente do programa partidário. Todos os membros do Partido, em seus municípios de residência, transformar-se-iam em agentes politizadores por excelência, conectados intimamente aos níveis do Estado e da União. É nas cidades que se travam as batalhas, é de lá que saem os votos, é nelas que as obras governamentais são aplicadas. Cada Diretório Municipal teria um papel dinâmico de co-gestor do projeto petista. Promoveria ciclos de estudos, debates públicos, atuação esclarecedora na mídia convencional local, e muitas outras atribuições junto à população, transformando a sede do partido numa extensão do Governo Federal. Desta forma, toda a militância, de norte a sul, em todos os Estados, seria envolvida num engajamento real e em sintonia plena com a liderança última, o Presidente, em Brasília. A base militante não ficaria, desta maneira, ociosa e abandonada. Este sentimento de isolamento com a cúpula partidária arrefeceu os ânimos da maior parte dos petistas, os quais se acovardaram perante as atitudes autocráticas de sua liderança nacional. Um potencial gigantesco de energia e trabalho foi simplesmente ignorado.
      A politização das massas é um projeto de governo de esquerda. Ao dar as costas a ela, o PT tornou público e notório que no fundo não é de esquerda, mas de direita. Como disse Frei Betto, ele pegou o violino com a mão esquerda e tocou com a direita. Esta politização poderia se estender desde a população mais miserável, passando pela classe C, podendo chegar até mesmo à classe média. Os líderes petistas se negaram de forma peremptória a mover uma palha no que tange à conscientização popular, acreditando na gratidão (votos) das massas engambeladas por seus programas sociais. Isto torna evidente que a principal preocupação da liderança do partido era o seu projeto de poder. Um genuíno partido de esquerda jamais faria isso. O Bolsa Família, a Minha Casa, Minha Vida, a Copa do Mundo, foram insuficientes, pois o povo precisava também de uma política sócio-cultural forte para que a sua alma fosse esclarecida, alimentada e fortalecida. O PT apostou tudo na conciliação com as forças retrógradas da elite burguesa e desprezou acintosamente as massas humildes que o colocaram no poder.
      Crítica do líder do MST, João Pedro Stédile, ao PT: “O maior partido da esquerda, com toda sua influência nas massas e nas organizações populares, abdicou de seu papel de organizador político e formador ideológico; resignou-se ao medíocre papel de disputar cargos públicos. Isso o esclerosou ideologicamente. Como é possível conceber um partido que tem 800 mil filiados, mas não tem cursos de formação política, não tem sequer um jornal nacional que oriente o debate e a militância?”
      O povo brasileiro, de forma geral, desconhece a malignidade dos tucanos (e milhares de outras coisas) porque foi esquecido e desprezado pela liderança petista, porque não foi politizado, porque foi influenciado diretamente apenas por um lado: o PIG. Fala-se muito numa “onda conservadora de direita”. Vulgarizaram-se os termos “coxinhas”, “alienados” e “fascistas”. Nada disso é real! Existe tão somente uma população duplamente desinformada, do trabalhador comum à classe média, primeiro pela omissão petista, depois pelas mentiras da elite.
      As manifestações de rua contra o impeachment foram feitas por sindicalistas, estudantes, integrantes politizados de minorias e cidadãos com um nível maior de politização. O povão trabalhador ficou longe delas. Estava ocupado demais sobrevivendo para engajar-se numa luta para a qual não foi instruído e nem conscientizado. O fracasso das mobilizações populares convocadas pela CUT e pela Frente Brasil Popular não é outra coisa senão o fracasso do PT. Desta forma, elas também são culpadas, por se atrelarem à cúpula petista e traírem a autêntica luta revolucionária. Até mesmo uma parcela da população mais pobre voltou-se contra o partido nos últimos tempos, atitude condizente com a sua orfandade política. A omissão do PT na politização popular e na sua autodefesa atingiu o máximo durante o show televisivo do “Mensalão”. O seu silêncio, a ausência de uma contestação veemente por parte do Governo Federal àquele “Mentirão”, insuflou nas massas a desconfiança e a suspeita. O termo “petralhas” se vulgarizou. Quem cala, não consente?!
      Frei Betto disse: “O PT abandonou seu projeto inicial na campanha de 2002, quando fez a opção de assegurar a governabilidade pelo mercado e pelo Congresso – daí as alianças e a ‘Carta aos Brasileiros’, que na verdade é a ‘carta aos banqueiros’. Ali, o PT abandona sua matéria-prima, que são os movimentos sociais pelos quais deveria ter assegurado a governabilidade, como fez Evo Morales na Bolívia, que não tinha apoio no congresso, se apoiou nos movimentos sociais e, através deles, conseguiu mudar o perfil do congresso. Hoje, ele tem apoio dos dois, é o presidente mais consolidado de toda essa safra progressista. O PT optou pelo mercado e pelo Congresso. Agora, está refém dos dois e pagando um preço muito alto.”
      O Poder Executivo petista nomeou Ministros do STF, Procuradores Gerais, Ministros de Estado e outros não alinhados com o ideário do partido, em função de uma falácia chamada “republicanismo”, denotando no mínimo ingenuidade. Dilma manteve no Ministério das Comunicações aquela falência humana chamada Paulo Bernardo por quatro longos anos. Nos Estados Unidos e países europeus o Presidente da República nomeia ministros da Suprema Corte e Procuradores de sua absoluta confiança, e demite-os sumariamente caso contrariem as orientações do governo. O PT fez nomeações absurdas para o STF e PGR, nomeados estes que viraram carrascos do partido, como o Joaquim Barbosa.
      Outra mancada foram as alianças com abomináveis figuras políticas, como o Sarney, em função da política pragmática da governabilidade a qualquer custo, que no final resultou catastrófica. “Foi Lula quem levou o PT a fazer alianças com os setores mais atrasados e anti-democráticos da política brasileira. Foi Lula no Maranhão quem desmontou o PT local para que fosse concretizada a aliança com a família feudal dos Sarney. Foi Lula em Alagoas que destituiu as lideranças petistas contrárias a Collor para que o PT apoiasse a sua candidatura ao governo do estado. Em São Paulo foi Lula quem buscou alianças com Maluff e Gilberto Kassab fazendo de tudo para isolar a esquerda petista em benefício dos seus interesses eleitoreiros e políticos. No Rio de Janeiro Lula agiu da mesma forma autoritária obrigando os diretórios estadual e municipal a se juntarem ao PMDB. Isso só para citar alguns exemplos nos estados onde o lulismo conseguiu desfigurar completamente o Partido dos Trabalhadores em prol de uma política que jamais beneficiaria a população ou o partido, mas que lhe traria dividendos políticos pessoais.”
      Se o PT tivesse assumido a politização das massas e a sua efetiva defesa contra os ataques que sofreu, se tivesse usado os três mecanismos, (TVs estatais, internet e Diretórios Municipais), se tivesse indicado nomes alinhados ao seu ideal político para os altos cargos, jamais teria sido alijado do Poder. O Brasil seria outro. A oposição estaria drasticamente reduzida no Judiciário, no Ministério Público, no Legislativo e até mesmo na mídia. Foi uma população totalmente despolitizada que elegeu os atuais membros do Congresso, aqueles que votaram em peso a favor do impeachment. Praticamente não existiria os “coxinhas”. A classe média estaria mais consciente dos avanços sócio-econômicos. E as bases para uma futura e autêntica revolução cultural estariam plantadas no País. O PT poderia pensar em se manter no Palácio do Planalto por muito tempo. Pelo contrário, o que temos hoje é o trágico fim de um Governo que se perdeu nos meandros e corredores do Poder. O que o PT fez, em última análise, foi MATAR A ESQUERDA. Não existe atenuante para isto.
      Enfim, o governo petista cometeu gravíssimos erros não se defendendo veementemente dos ataques sofridos, não fazendo publicidade de suas obras, distanciando-se da sociedade civil, portando-se de forma tão fraca e irresponsável que beirou a capitulação e a traição. Não é outra coisa senão suicídio político. Grandes reformas deixaram de ser feitas, como a eleitoral. A crise final do impeachment, subproduto das falhas petistas (80%) e da virulência elitista (20%), colocará na condução do país elementos os mais reacionários e corruptos possíveis. Tudo porque políticos com sólida formação marxista e esquerdista se contentaram com algumas medidas econômicas ortodoxas, achando que eram suficientes, num primor de incompetência, senão de deliberada desfaçatez.
      Faço estas críticas ao PT porque ele traiu o seu programa partidário original, burlou a sua base militante, ludibriou os setores progressistas e enganou o povo brasileiro. Sou contra porque SOU DE ESQUERDA. Os críticos do PT situados à direita (coxinhas, classe média, elite) não possuem nada em comum comigo. Também não significa que estou tentando minimizar a culpa dos golpistas, muito pelo contrário, pois merecem a mais rigorosa condenação. Mas é preciso que alguém exponha a verdade dos fatos, mesmo sendo insignificante como o autor destas linhas.
      Outra vez dou a palavra a Frei Betto: “O erro do Lula foi ter facilitado o acesso do povo a bens pessoais, e não a bens sociais – o contrário do que fez a Europa no começo do século 20, que primeiro deu acesso a educação, moradia, transporte e saúde, para então as pessoas chegarem aos bens pessoais. Aqui, não. Você vai a uma favela e as pessoas têm TV a cores, fogão, geladeira, microondas (graças à desoneração da linha branca), celular, computador e até um carrinho no pé do morro, mas estão morando na favela, não têm saneamento, educação de qualidade. É um governo que fez a inclusão econômica na base do consumismo e não fez inclusão política. As pessoas estavam consumindo, o dinheiro rolando e a inflação sob controle, mas não se criou sustentabilidade para isso. Agora a farra acabou, está na hora de pagar a conta.”
      O PT estabeleceu a dissociação entre a sua elite dirigente e a sua base militante. Ignorou o clamor das minorias. Ocultou a ação revolucionária no biombo de um desenvolvimentismo capitalista que satisfez todos os segmentos do status quo, dos banqueiros aos miseráveis (“todos lucraram”). O PT não colocou, pela primeira vez na história, um índio na Funai. O PT acreditou que a grande massa beneficiada por seus programas sociais ficaria eternamente grata pelo seu assistencialismo. O PT, nas crises agudas, sempre apelou para a força popular para não ser derrotado nos embates desta guerra das elites contra o povão, transferindo injustamente a sua histórica responsabilidade para os ombros da militância. Eu vejo os erros do PT quando me deparo com jovens vazios e imbecilizados. A culpa não é deles. Hugo Chávez distribuiu gratuitamente para o povo venezuelano um milhão de exemplares do “Dom Quixote”, de Cervantes. Isto é esquerda. Nós temos o “Grande Sertão: Veredas”, do Guimarães Rosa. Mas o PT não teve a coragem de Chávez.
      O dito Partido dos “Trabalhadores” traiu a classe operária. Autodenominando-se esquerdista, assumiu o poder em 2003 sem a menor intenção de fazer um governo realmente de esquerda. O PT ocupou um espaço revolucionário, fazendo de conta que iria transformar o país de forma estrutural, e acabou se revelando incompetente para tão alta tarefa. Agindo assim, destruiu quase quatro décadas de atuação revolucionária. Por sua vez, os blogues e sites pretensamente de esquerda (a chamada imprensa chapa branca, tida como progressista mas, na verdade, cooptada) são geridos por intelectuais também pretensamente de esquerda, como Paulo Henrique Amorim, Luiz Nassif, Emir Sader, Altamiro Borges e outros a endossarem a política direitista do PT, a não alertarem o público sobre a real natureza da mutreta petista e a se esquivarem a qualquer crítica e autocrítica. Alguns chegaram a abolir os comentários de leitores, quando aparecia algum “esquerdista radical”, como o “Carta Maior”.
      O PT se esclerosou no poder. Tornou-se um partido de massas estruturalmente falido, sem vitalidade intelectual. Burocratizou-se e rendeu-se à política mais mesquinha do toma-lá-dá-cá. Perdeu o vigor dos movimentos sociais, alguns dos quais cooptou, ignorando a sua maioria. Não realizou as muitas reivindicações populares. Revelou-se traidor, estelionatário e privatizador. Não fez reforma política séria, nem reforma tributária, nem reforma agrária, nem reforma urbana. A desculpa de que o Congresso era hostil não justifica tais omissões. Mas fez uma desastrosa reforma da Previdência. O PT foi, quando esteve no Governo, um ferrenho opositor das esquerdas autênticas e combativas, mais feroz até mesmo que o PSDB, pois trata-se de uma oposição de crítica e de princípios, e não de interesses.
      As palavras a seguir são de um sindicalista de esquerda experiente nas lides sindicais e foram escritas em 2014: “O PT nasceu nas greves e sabe muito bem como sufocar um movimento grevista e como combater um sindicato independente. E é isto o que o partido está fazendo, sobretudo no governo Dilma. Usam todo o tipo de manobra suja para minar o esforço de greve. Utilizam de todas as manobras para cansar, ludibriar, enervar, passar por cima dos sindicatos combativos e dos movimentos grevistas, com o apoio do sindicalismo cooptado, um desastre, a institucionalização da pelegagem. A ex-guerrilheira se recusa a receber sindicalista para negociar ou finge negociar só para posar para as fotos e pegar os dividendos políticos. O PT cooptou as grandes centrais sindicais e com a ajuda da CUT tem usado todos os truques sujos contra sindicatos livres, pois são ex-sindicalistas e sabem fazer isso muito bem. O Governo petista trata o funcionalismo público federal como um patrão ditatorial e de forma muito mais cruel do que o PSDB de FHC tratou, não porque estes fossem melhores, mas porque eram mais ingênuos e desconheciam o meio sindical. Muito mais duro é lidar com sindicalista traíra que explora as deficiências do movimento sindical por dentro, coopta a CUT e tenta solapar as novas centrais sindicais e partidos da esquerda combativa. Nos governos Lula e Dilma a CUT e outras centrais e sindicatos foram deliberadamente domesticados para evitar confrontos com os patrões e aplaudir, sem qualquer senso crítico, as ações do governo. Nunca o sindicalismo lutador sofreu um golpe tão duro, em todos os campos, quanto na era do PT no governo federal. O Partido dos Trabalhadores tem medo dos trabalhadores organizados e críticos. Esquerda respeita sindicato independente, não domestica central sindical e é justa com trabalhador, sertanejo, ribeirinho, índio e quilombola.”
      O PT governou 90% para a elite financeira, banqueiros, oligarcas, empreiteiras e latifundiários, os quais jamais perderam nada nos últimos 13 anos. O Lula mesmo disse que os bancos nunca lucraram tanto como na era PT. Concessões tributárias e previdenciárias foram feitas a setores empresariais sem retribuições para o mundo do trabalho. A usina de Belo Monte foi construída para satisfazer as exigências da família Sarney e os interesses das grandes construtoras e das multinacionais do alumínio de olho nas minas de Carajás, massacrando sem piedade comunidades indígenas e ribeirinhas próximas a Altamira, no Pará. Lula, que jamais foi socialista e nunca defendeu a preservação ambiental, tornou-se o garoto propaganda das grandes empreiteiras e do agronegócio brasileiros na África, pois é um porta-voz de peso e tido como defensor dos pobres. Neste sentido, o BRICS pode ser visto como o neo-imperialismo mundial, com a China, Brasil, etc., brigando por novos mecanismos de dominação nos mercados do hemisfério sul.
      O PT foi incapaz de se aliar à esquerda autêntica (ou melhor, à esquerda, pois é um partido de direita) para derrotar o projeto do Código Florestal da CNA – Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, abrindo as pernas para o grande capital da agroindústria. Apesar de estar comprometido com a preservação do nosso patrimônio ambiental, vendeu sua alma aos interesses dos barões pecuaristas. Nesta aliança com os ruralistas, Dilma sepultou a reforma agrária e esvaziou o Incra e a Funai. Além disso, o PT não fez nada para enfrentar a aristocracia financeira, submetendo-se servilmente ao Deus Mercado, na maior cara de pau. Dando isenção tributária a grupos poderosos e ao pagar a eterna e impagável dívida pública, dívida que tanto mais aumenta quanto mais é saldada, como todos os outros governos anteriores, só fez abarrotar o bolso já cheio da elite econômica.
      Lula tentou sem sucesso provar que era possível conciliar trabalho e capital. Não existe capitalismo “humano”: ele sempre será predador e monopolista. Na ideologia pseudo-distributiva do PT, os beneficiários do Bolsa Família receberam a sua pequena quota do orçamento, e foi feito um grande alarde propagandista desta boa ação. Mas o que não se propagou foram os beneficiários dos juros altos, os empréstimos do BNDES, as isenções fiscais, etc. O grosso da grana ia para a aristocracia financeira, sobrando as migalhas para os deserdados do Bolsa Família, de modo a mantê-los no cabresto eleitoral. Este programa é uma esmola estatal que a esquerda marxista sempre denunciou como uma contrarrevolucionária política compensatória ditada pelo Banco Mundial para controlar a luta de classes e impedir explosões sociais. O PT só beneficiou a população pobre e trabalhadora quando não precisou contrariar nenhum grande interesse. Promoveu a retirada de alguns milhões da extrema pobreza para lançá-los na pobreza, e aqueceu a economia para tirar outros milhões da pobreza para lançá-los no seio da classe média baixa. Fez um jogo capitalista, injetando dinheiro no mercado e formando uma legião de pequenos consumidores dos produtos fabricados pelos empresários. Benesses para todos! – era o lema petista. O Bolsa Família teria sido realmente nobre se fosse acompanhado de POLITIZAÇÃO. Aliás, não é um gesto assim tão grandiosamente humanitário como se pensa, pois é uma obrigação do Estado e os reais interesses por trás eram eleitoreiros.
      O PT privatizou 23 mil km de estradas federais (até 2013); 45 portos; 8 aeroportos; 7500 km de linha de transmissão (até 2013); usinas de geração de energia (aos chineses); Brasil Telecon; Estádios da Copa; Ferrovia Norte-Sul; Banco do Nordeste (agora banco misto); e Banco do Brasil (46% nas mãos dos acionistas). Tentou privatizar os Correios (MP 532/11) e terceirizou muitos de seus serviços. Instituiu milhares de PPPs (Parcerias Públicos Privadas) e terceirizações. Dilma colocou o banqueiro Joaquim Levy (um Chicago Boy) no Ministério da Fazenda e a líder do agronegócio Kátia Abreu (grande ruralista) no Ministério da Agricultura. Deu isenção de impostos a mega-empresários dos setores de automóveis e outros. Fez pouquíssima reforma agrária. Cortou o PIS e reduziu o Seguro Desemprego. Vetou a Auditoria da Dívida Pública e pagou fielmente o seu injusto e absurdo juro (47% de tudo o que é arrecadado). Quanto à Petrobrás, 49,7% está nas mãos dos acionistas. As suas contratações foram paradas para contratar 108 empreiteiras. O Pré-Sal foi leiloado. Estes leilões são uma forma de privatizar o petróleo, dando tudo de mão-beijada para as multinacionais, sem ser preciso privatizar a empresa. O que o Brasil lucrará com o Pré-Sal é uma ninharia. O Campo de Libra foi dado para os chineses. E tudo isto foi feito na “moita”, sem que o grosso da população tomasse conhecimento. Esta é, ou melhor, foi a especialidade do PT: promover a agenda da direita na surdina. Talvez não tenha sido pronunciada uma vez sequer, nos últimos 13 anos, pelos líderes petistas, a palavra “estatização”. Tudo isto é uma gigantesca e execrável traição à esquerda e ao socialismo, os quais defendem exatamente o oposto das privatizações, defende o patrimônio do povo.
      Em 13 anos, 4 meses e 11 dias no Poder, o Partido dos Trabalhadores conseguiu a façanha histórica de frustrar quase todas as esperanças que nele foram depositadas por 200 milhões de brasileiros. Foram exatos 4.880 dias se tornando cúmplice dos exploradores em vários sentidos, e isto vindo de um partido que se dizia de esquerda e que tinha a missão primordial de defender os explorados contra os opressores. O PT fez todo o tipo possível de concessões aos setores direitistas retrógrados e ortodoxos. Nascido no final da ditadura militar e composto originalmente por grandes nomes da esquerda e da intelligentsia nacional, muitos deles vítimas da brutalidade dos gestores do golpe de 1964, o PT não teve sequer a coragem de peitar os carrascos torturadores na pífia Comissão da Verdade, mesmo quando cortes internacionais de justiça o exigiam. O partido tinha uma pauta de modernização dos costumes, fim dos preconceitos e defesa das minorias sexuais, mas se absteve pois precisava dos votos da bancada dos evangélicos. Órgãos e autarquias foram ignorados, como Funai, Ibama e IBGE. Foi aprovada a lei antiterror, que pode criminalizar manifestantes que depredem patrimônio público. Enfim, de tanto jogar no lixo as suas bandeiras, o PT ficou no final sem nenhuma proposta positiva para conquistar os corações e as mentes dos eleitores, daí só lhe restando trunfos negativos como a satanização dos adversários.
      As informações acima são verídicas. Não se trata de calúnias da oposição. Foram retiradas na internet de fontes exclusivamente esquerdistas. Nunca leio nada escrito pela direita. A esta altura, o perplexo leitor deve estar com nó no cérebro. Poderia perguntar: Mas, e as obras positivas do PT? Realmente, como foi dito no início, somos obrigados a reconhecer que muita coisa boa foi feita, especialmente nos dois mandatos de Lula. Como o governo FHC foi péssimo, o do PT pode parecer, em contraposição e enganosamente, excelente. Mas não devemos supervalorizar a administração petista. Sendo de esquerda, o PT era OBRIGADO a fazer alguma coisa, não poderia ser um repeteco dos tucanos. Porém, o que ele deixou de fazer (politização, autodefesa, mídia, etc.) e o que ele fez de modo oculto (neoliberalismo, privatizações, etc.) depõe contrariamente de forma arrasadora. Pior do que o lobo em si, é o lobo em pele de ovelha. Os setores elitistas e conservadores não mascaram suas intenções, todos sabem do que são capazes. Entretanto, a cúpula petista não correspondeu às expectativas que o povo nutria, ao dar-lhe carta branca nas últimas quatro eleições. O que o PT fez com as mãos, desmanchou com os pés. Recomendo ao leitor que se liberte de ideias preconcebidas e de paixões políticas e faça um exame honesto e sensato dos fatos.
      Fora do poder, o PT fará oposição ao governo de Michel Temer. Lula e a cúpula do partido manterão a mesma imagem original de oposição esquerdista, como fazia até 2002, sem a mínima autocrítica e nenhuma vergonha na cara. Sendo assim, o PT inaugurará a sua terceira fase de enganos e farsas: a primeira de 1980 a 2002; a segunda de 2003 a 2016; e a terceira de agora em diante. O povo iludido contará com “Lula 2018”. Mas ele será preso, processado e condenado. Jamais permitirão que se candidate novamente, nem que seja preciso eliminá-lo. A extrema-direita PMDB-PSDB dificilmente largará o osso. E esta eliminação do “Pai dos Pobres”, o seu patético ostracismo, para a esquerda é ótimo, posto que assim o PT não continuará a sua obra nefasta de destruição dos setores realmente progressistas. Somente desta forma o país poderá construir livremente, nos anos seguintes, uma AUTÊNTICA MILITÂNCIA ESQUERDISTA a partir de sua juventude atual. O PT se esgotou, não tem mais defesa ou credibilidade. Será preciso começar a agir desde já para reconstruir a esquerda fora do vácuo petista, sem a ilusão de que está do nosso lado, ou seja, do povo. Não há nenhum tempo para se perder um tempo precioso, pois será uma luta de pelo menos duas décadas para reerguer a cabeça da esquerda, destroçada pelo PT.
      É óbvio que o PT lançará um candidato nas eleições de 2018, seja qual for. Votar nele significará a continuação de tudo o que foi exposto acima. Não é uma boa ideia. O bom senso diz que é preciso fortalecer os partidos de esquerda, como PCdoB, PCO, PSTU e PSOL, já em 2016. Esta é uma boa ideia. Todavia, é bom lembrar que qualquer um destes quatro partidos, chegando no poder num futuro distante, fará o mesmo que fez o PT, inevitavelmente. O que significa que a via político-eleitoral-democrática não é a melhor solução. A grande ideia é a POLITIZAÇÃO DO POVO ao longo das décadas seguintes, efetuada POR ELE MESMO, (não de cima para baixo), através de suas inúmeras organizações como entidades estudantis, grupos anarquistas, sindicatos livres, minorias, camponeses, associações, enfim, todo o conjunto que forma a sua imensa base social, desligada completamente do poder público e dos grupos econômicos de qualquer nível ou escala. Somente quando o povo possuir uma razoável compreensão do seu poder natural e inerente, será possível dar início à VERDADEIRA REVOLUÇÃO. Se esta politização não for feita, se a massa permanecer na sua habitual ignorância, na sua eterna inércia, se nada for feito para tentar despertá-la de seu torpor, o jogo tenderá SEMPRE para o lado das elites que detém o poder político, econômico, jurídico, eleitoral, midiático, policial e repressor. A única salvação para o povo é ELE MESMO. Esta é a visão mais avançada da esquerda mundial.
      Desejo a todos uma LONGA LUTA!...

      Marcos Nunes Filho – Muriaé/MG – Maio de 2016.