sexta-feira, 27 de maio de 2016

Parte 100

      Texto do link abaixo, do site de notícias internacionais G1, de 19-5-2016:

      “O Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) venezuelano declarou nesta quinta-feira (19) como ‘constitucional’ o estado de exceção decretado pelo presidente Nicolás Maduro, que tinha sido rejeitado pelo Parlamento e que dá ao governo amplos poderes para enfrentar a crise econômica e conter a ofensiva para tirá-lo do poder”.

      Ele equivale ao nosso STF – Supremo Tribunal Federal. Note-se que o TSJ posicionou-se contra os deputados. Por que o Supremo venezuelano apoiou Maduro? Ora, muito simples. Porque os magistrados indicados por Chávez e Maduro são de sua ABSOLUTA CONFIANÇA. Só isto. Não preciso falar mais nada.

    Estou começando a sentir VERGONHA de um dia ter apoiado e votado no PT!!!...

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2016/05/supremo-venezuelano-declara-constitucional-o-estado-de-excecao.html

Parte 99

      BLOGUES E SITES NÃO ATRELADOS AO PT:

Náufrago da Utopia

Esquerda Marxista

Correio da Cidadania

Espaço Socialista

Brasil de Fato

Movimento Marxista 5 de Maio

Da Esquerda Anarco-Comunista

Parte 98

      Li ontem, 18-5-2016, num blog desatrelado do PT, o seguinte comentário de um esquerdista:

      “Praticamente TODOS os companheiros com quem estou no caminho, gente boa e de briga, diz que está em marcha um golpe de estado do país e que o Brasil tornou-se centenas de vezes mais atrasado e violento desde que o Temer assumiu (no dia 12). Essa onda toda vai passar, mas até o momento, pelo menos é o que parece, a maioria esmagadora das pessoas de esquerda quer acreditar, ou finge acreditar, que o Brasil era uma maravilha até umas semanas atrás, até que vieram os golpistas, a mando de Satanás, e transformaram o nosso paraíso num vale de lágrimas. É complicado.”

      O responsável pelo blog respondeu:

      “Sim, os insultos que me chegam comprovam isso. Parece que estamos de volta ao stalinismo, já não se admite a diversidade de opiniões no campo da esquerda: ou engolimos as fábulas do PT ou nos cassam a carteirinha de esquerdista. Mesmo estando muito à esquerda do PT, invariavelmente nos acusam de sermos ou estarmos servindo à direita. Cérebros bem lavados estão aí... Mas, comigo isso jamais colará. Sei quem sou e quanto valho. Não me deixarei intimidar jamais! Sempre considerei que um homem de esquerda, quando tem certeza de estar defendendo a posição correta, deve sustentá-la contra todos os que estiverem do outro lado, sejam quantos forem. E eu sei que, neste exato instante, o PT está sendo o coveiro da revolução. Vou até o fim com minhas convicções.”

      A situação acima referida revela a profundidade e a extensão do estrago perpetrado à autêntica esquerda por Lula, o “direitaço”, e pela cúpula petista de direita desde o início da década de 80 até hoje. Aliás, esta obra destrutiva do PT, pelo que eu também estou percebendo, não se extinguirá agora com tão fragorosa derrota, mas continuará pelo menos por mais dois anos, até as eleições de 2018. O partido continuará descaradamente a aplicar o seu “171” nacional, mascarado de esquerda oposicionista. Até mesmo militantes aguerridos permanecem a bordo deste barco furado. Eu conheço pessoalmente um deles, um grande e velho amigo, um sujeito muito inteligente e perspicaz, guerreiro em todas as batalhas já havidas. Pois os seus atuais comentários absolutamente idiotizados, defendendo cegamente o PT e demonizando passionalmente os golpistas, sem o menor senso crítico, têm me chocado mais do que a saída da Dilma. Não estou exagerando.
      Ele e alguns outros, mesmo reconhecendo a obra nefasta do partido, devem pensar da seguinte forma: “Nós estamos cientes de que o PT ocupou um espaço revolucionário e aglutinou as esquerdas em torno de si, para depois virar a casaca e culminar esta queda à direita, no segundo mandato da Dilma, assumindo abertamente o mais vil neoliberalismo. Sabemos disso. Porém, temos de convir que houve muitos avanços nos últimos 13 anos em relação à era FHC, e são tais conquistas que devem ser defendidas, e não arroubos idealistas de uma esquerda sonhadora e utópica. Nós somos realistas. Não é o que esperávamos, mas é o que temos.”
      Este argumento, válido à primeira vista, carece de profundidade e no fundo é capitulação. Aliás, TODA a militância petista brasileira, na sua base dos diretórios municipais, desde a década de 80, com a vitória da facção lulista nas cizânias internas, até o presente, agiu desta forma covarde, permitindo à cúpula nacional do PT atitudes autoritárias e não condizentes com o verdadeiro ideal revolucionário. Assim, deu carta branca e endossou as ações da elite petista, e o resultado está aí. Portanto, esta base também é responsável. Tal atitude poderia ser desculpada até 2002, quando éramos apenas oposição. Mas, com a chegada ao poder, com aquela “carta aos banqueiros”, tornou-se clara a postura direitista do Lula e da direção nacional. Eu assisti à sua posse, no dia 1º de janeiro de 2003, na casa daquele amigo acima citado. Após o discurso do Lula, ele me disse que não havia gostado do seu teor.
      Após a saída da Dilma e a posse do Temer, as conquistas petistas serão gradativamente anuladas, até se extinguirem, e outros arrochos virão. Isto significa a DERROTA ABSOLUTA do PT e de sua estratégia política no mínimo equivocada. Portanto, continuar a defender o partido nestas circunstâncias, como TODOS estão fazendo, é a atitude mais CONTRARREVOLUCIONÁRIA possível. É ajudar a enterrar ainda mais a esquerda. É pura ignorância e cegueira. Mais ainda, chega a ser maucaratismo e desprezo pela Revolução. É assumir a direita e condenar o Brasil a uma abjeta subserviência a tudo o que as elites representam, incluso a elite nacional do partido. É não enxergar a necessidade de RECONSTRUIR a esquerda a partir dos escombros do terremoto petista. É lamentar pelo leite derramado, posto que a Dilma não retornará ao Planalto, o Lula será anulado e aqueles que voltaram ao Governo Federal tão cedo sairão.

      Fazendo desde já uma projeção, podemos pensar nos seguintes candidatos às próximas eleições presidenciais. Haverá certamente alguém do PSDB, com um vice do PMDB. Duas mulheres voltarão à cena: Marina (Rede) e Luciana Genro (PSOL). O PT, é claro, lançará um candidato qualquer, mas com poucas chances. Mas há um nome que poderá ter uma força maior: Ciro Gomes. Está claro que o tucano vencerá, ajudado sobremaneira pelas fraudes nestas patéticas urnas de primeira geração. É provável que somente a partir de 2019 possa ser realmente empreendido esforços significativos de reconstrução da esquerda combativa e progressista. Até lá, a militância ainda cooptada pelo PT e o povo ignaro estarão numa espécie de estado de choque. Cabe a nós, os pouquíssimos conscientes, tentar esclarecer e conscientizar os ainda iludidos pela falácia petista. E para isto não há pressa, pois esta luta irá durar ainda longos e difíceis anos. É SÓ PARA OS FORTES!!!...

Parte 97

      Artigo do jornalista Mário Sérgio Conti no blog “Náufrago da Utopía”:

      “A derrota foi tão funda que a existência mesma do PT está em xeque.”

      Não é a existência do Partido dos Trabalhadores que está em jogo. O PT continuará existindo, fazendo de conta que é esquerda e não realizando nenhuma autocrítica (do Lula ao menor dos militantes). A sua catastrófica DESTRUIÇÃO DA ESQUERDA não irá parar. Dilma está liquidada. Agora precisamos nos livrar do Lula. Estou esperando ansioso o Moro mandar a PF no apê do ex-presidente. O PT não está extinção. É A ESQUERDA QUE SE EXTINGUIU!!!...


Parte 96

      Três artigos do blog “Da Esquerda Anarco-Comunista” apontando o PT como partido burguês, capitalista e de direita:




Parte 95

      Outro artigo do blog “Náufrago da Utopia”, de Celso Lungaretti:

      “Fui dos primeiros a entrevistar o Lula na campanha eleitoral de 1989. Perguntei-lhe como faria para evitar que as estatais continuassem a serviço da politicalha. Ele respondeu que as colocaria sob a tutela de conselhos de trabalhadores. Quando finalmente chegou à Presidência da República, não moveu uma palha neste sentido. Nem isto lhe foi cobrado por quase ninguém, infelizmente.”

      “Desmoralizar a revolução aos olhos dos trabalhadores, fazendo-os identificarem-na com tudo que há de antipopular e antiético, equivaleu a destruir sua esperança num futuro de realização plena dos seres humanos, em troca de um poder muito mais ilusório do que real. Quando o verdadeiro poder --o econômico-- decidiu dar um fim ao ciclo petista, o fez com um simples piparote, sem nem mesmo ter de recorrer aos serviçais fardados.”


Parte 94

      Outro texto de Frei Betto:

      “Lástima que o PT se deixou picar pela mosca azul. Não ousou implementar reformas de estruturas, como a política, a tributária e a agrária. Permitiu que o Fome Zero, de caráter emancipatório, fosse substituído pelo Bolsa Família, compensatório. Erradicou, em fins de 2004, Comitês Gestores em mais de 2 mil municípios, e entregou às mãos dos prefeitos o cadastro do Bolsa Família.
      Como se a retórica fosse suficiente para encobrir gritantes desigualdades, o PT tentou, em vão, ser o pai dos pobres e a mãe dos ricos. Para renovar o Congresso, não confiou no potencial político de líderes de movimentos sociais. Preferiu alianças promíscuas, cujos vírus oportunistas acabaram por contaminar alguns de seus dirigentes. Em 13 anos de governo, não se empenhou na alfabetização política da nação nem na democratização da mídia, sequer no modo de distribuir verbas publicitárias para veículos de comunicação.
      Graças ao crédito facilitado, ao controle da inflação e ao aumento real (e anual) do salário mínimo acima da inflação, a população teve mais acesso a bens pessoais. Dentro do barraco de favela, toda a linha branca favorecida pela desoneração tributária e, ainda, computador, celular e, quem sabe, no pé do morro, o carro comprado a prestações.
      Porém, lá está o barraco ocupado pela família sem acesso à moradia, segurança, saúde, educação e ao transporte coletivo de qualidade. A prioridade deveria ter sido o acesso aos bens sociais. Criou-se, portanto, uma nação de consumistas, não de cidadãos, nação feita de eleitores que votam como quem cumpre um preceito religioso ou retribui um favor de compadrio, enternecidos com os laços de família que se estendem do netinho evocado em pleno parlamento à protuberância glútea exibida ministerialmente.
      Entre avanços e desvios, o PT deixa como legado programas sociais que merecem figurar como políticas de Estado, e não ocasionalmente de governos. Mas terá o partido a ousadia de se reinventar?
      Agora, os pobres, os excluídos, os sem-terra e os sem-teto, que tinham a esperança de ser felizes, terão que buscar outras agremiações partidárias ou forjar novas ferramentas de fazer política, fundadas na ética, na supressão das causas de desigualdades sociais e na busca de um outro Brasil possível.”


Parte 93

      Este artigo fala das perspectivas futuras em relação ao PT, ao governo Temer e à construção de uma nova vanguarda revolucionária.


Parte 92

      O texto a seguir é uma síntese das 91 partes anteriores. Para que a análise permanecesse a mais abrangente possível e não sofresse com a exiguidade, fui obrigado a ser prolixo.
      CRÍTICA  DO  PT  POR  UM  PETISTA
      Acompanhando na internet os fatos desde 2010, e com mais assiduidade desde 2014, foram raríssimos os textos críticos que li com relação ao Lula, à Dilma e ao Partido dos Trabalhadores. Praticamente só existiu no meio virtual a condenação da extrema-direita, como se esta fosse a única responsável pela crise política. Não é. Os erros cometidos pelo PT foram tantos e tão graves que a ele pode ser imputada uma grande parcela de responsabilidade na tragédia que culminou neste 11 de maio de 2016, com a perda do Governo Federal. Apontar tais erros é o objetivo deste texto. Recomendo com veemência que seja lido até o final, apesar de ser extenso, mesmo porque o leitor jamais encontrará algo semelhante em parte alguma, disso tenho absoluta certeza.
      O governo do FHC, de 1995 a 2002, privatizou várias estatais a preço de banana, não realizou nenhuma obra, recorreu três vezes ao FMI, arrochou salários, provocou miséria, fome e mortes na população mais pobre e instaurou uma forte recessão econômica, com juros altos e altas taxas de desemprego, dentre inúmeros outros grandes danos provocados ao país. Mas o pior de tudo foi a roubalheira desenfreada em cima do erário público, com bilhões de reais sendo desviados para contas particulares em paraísos fiscais, beneficiando centenas de autênticos bandidos disfarçados de políticos, revelada no livro “A Privataria Tucana”, de Amaury Ribeiro Júnior. Após este caos neoliberal, a partir de 2003 Lula conseguiu reverter o quadro distribuindo renda para a população carente, criando vários programas sociais, dinamizando a economia, pagando a dívida externa, realizando inúmeras obras em todo o Brasil, colocando o desemprego em níveis baixos, escapando da crise financeira internacional, aumentando salários, aderindo ao bloco do BRICS e retirando milhões de pessoas da linha da miséria, dentre outras louváveis realizações.
      Com uma sólida formação política, toda a liderança petista percebia, nos primórdios do partido, que a construção de um projeto progressista e revolucionário, a médio e longo prazo, tinha de levar em conta, de modo incondicional, a politização das massas e a valorização de todos os movimentos sociais. Afinal de contas, o PT era de esquerda e arcava com a imensa responsabilidade de governar realmente EM NOME do povo e PARA o povo, na frágil democracia brasileira. Bastava apenas instaurar um autêntico capitalismo, sem o arrombamento dos cofres públicos, num modelo econômico ortodoxo, mas comendo pelas beiras, na construção revolucionária de um socialismo “social”, de cunho popular, preparando a sociedade para futuras conquistas humanistas, posto que o homem, cada cidadão, é o verdadeiro gestor desta abstração chamada Nação.
      O principal erro do Partido dos Trabalhadores, a partir de 2003, foi ter se recusado deliberadamente a promover a politização do povo. Toda a sua liderança sabia que a população brasileira, secularmente explorada pelas elites, era em sua esmagadora parcela politicamente analfabeta. Se não fosse realizada esta tarefa, se a grei fosse deixada à mercê de sua natural ignorância e ficasse desprotegida dos inevitáveis ataques da oposição, o resultado, mais cedo ou mais tarde, seria no mínimo a perda do apoio dos beneficiados pelas ações governamentais do PT, com outras graves consequências. Se se dispusesse a efetivar tal programação, o PT poderia contar com três mecanismos extraordinários, perfeitamente disponíveis e legais. Não utilizou nunca nenhum deles.
      Primeiro Mecanismo. Na Venezuela, Hugo Chávez usou intensamente três estações de TV do governo, para contrabalançar o poder da mídia televisiva privada de direita. No Brasil, o PT jamais fez uso político dos seus dois canais, NBR e TV Brasil. Ao longo dos últimos 13 anos, o que se viu foi um massacre da grande mídia em cima do PT, com um Governo Federal encastelado em si mesmo, sem nenhuma defesa, com exceção dos programas obrigatórios eleitorais a cada quatro anos. Durante todas as recentes crises, como a do julgamento do Mensalão pelo STF, a Jornada de Junho e o recente impeachment, a população brasileira viu-se privada de ser informada com relação ao contraditório, devido à omissão petista.
      Segundo mecanismo. Mesmo não usando as duas TVs estatais, o PT poderia, pelo menos, ter utilizado a internet. Nem isso ele fez. Não deu nenhum apoio logístico e financeiro aos blogueiros de esquerda, cujos sites foram a única fonte de informação mais confiável dos atos do PT. Além disso, Lula e Dilma não fizeram a Lei dos Meios e não deram um passo para enfrentar a grande mídia. Mas o pior de tudo é que o governo continuou a pagar publicidades milionárias nos veículos do PIG, principalmente a TV Globo.
      Terceiro mecanismo. Esta ideia é produto de minha exclusiva percepção, pois jamais li sobre ela em parte alguma. A estrutura do PT consta do Diretório e da Executiva nacionais, dos Diretórios Estaduais e dos Diretórios Municipais. O Partido se isolou no Palácio do Planalto e na sua direção nacional, divorciando-se de sua base. Poderia ter usado os Diretórios Municipais para garantir o sucesso permanente do programa partidário. Todos os membros do Partido, em seus municípios de residência, transformar-se-iam em agentes politizadores por excelência, conectados intimamente aos níveis do Estado e da União. É nas cidades que se travam as batalhas, é de lá que saem os votos, é nelas que as obras governamentais são aplicadas. Cada Diretório Municipal teria um papel dinâmico de co-gestor do projeto petista. Promoveria ciclos de estudos, debates públicos, atuação esclarecedora na mídia convencional local, e muitas outras atribuições junto à população, transformando a sede do partido numa extensão do Governo Federal. Desta forma, toda a militância, de norte a sul, em todos os Estados, seria envolvida num engajamento real e em sintonia plena com a liderança última, o Presidente, em Brasília. A base militante não ficaria, desta maneira, ociosa e abandonada. Este sentimento de isolamento com a cúpula partidária arrefeceu os ânimos da maior parte dos petistas, os quais se acovardaram perante as atitudes autocráticas de sua liderança nacional. Um potencial gigantesco de energia e trabalho foi simplesmente ignorado.
      A politização das massas é um projeto de governo de esquerda. Ao dar as costas a ela, o PT tornou público e notório que no fundo não é de esquerda, mas de direita. Como disse Frei Betto, ele pegou o violino com a mão esquerda e tocou com a direita. Esta politização poderia se estender desde a população mais miserável, passando pela classe C, podendo chegar até mesmo à classe média. Os líderes petistas se negaram de forma peremptória a mover uma palha no que tange à conscientização popular, acreditando na gratidão (votos) das massas engambeladas por seus programas sociais. Isto torna evidente que a principal preocupação da liderança do partido era o seu projeto de poder. Um genuíno partido de esquerda jamais faria isso. O Bolsa Família, a Minha Casa, Minha Vida, a Copa do Mundo, foram insuficientes, pois o povo precisava também de uma política sócio-cultural forte para que a sua alma fosse esclarecida, alimentada e fortalecida. O PT apostou tudo na conciliação com as forças retrógradas da elite burguesa e desprezou acintosamente as massas humildes que o colocaram no poder.
      Crítica do líder do MST, João Pedro Stédile, ao PT: “O maior partido da esquerda, com toda sua influência nas massas e nas organizações populares, abdicou de seu papel de organizador político e formador ideológico; resignou-se ao medíocre papel de disputar cargos públicos. Isso o esclerosou ideologicamente. Como é possível conceber um partido que tem 800 mil filiados, mas não tem cursos de formação política, não tem sequer um jornal nacional que oriente o debate e a militância?”
      O povo brasileiro, de forma geral, desconhece a malignidade dos tucanos (e milhares de outras coisas) porque foi esquecido e desprezado pela liderança petista, porque não foi politizado, porque foi influenciado diretamente apenas por um lado: o PIG. Fala-se muito numa “onda conservadora de direita”. Vulgarizaram-se os termos “coxinhas”, “alienados” e “fascistas”. Nada disso é real! Existe tão somente uma população duplamente desinformada, do trabalhador comum à classe média, primeiro pela omissão petista, depois pelas mentiras da elite.
      As manifestações de rua contra o impeachment foram feitas por sindicalistas, estudantes, integrantes politizados de minorias e cidadãos com um nível maior de politização. O povão trabalhador ficou longe delas. Estava ocupado demais sobrevivendo para engajar-se numa luta para a qual não foi instruído e nem conscientizado. O fracasso das mobilizações populares convocadas pela CUT e pela Frente Brasil Popular não é outra coisa senão o fracasso do PT. Desta forma, elas também são culpadas, por se atrelarem à cúpula petista e traírem a autêntica luta revolucionária. Até mesmo uma parcela da população mais pobre voltou-se contra o partido nos últimos tempos, atitude condizente com a sua orfandade política. A omissão do PT na politização popular e na sua autodefesa atingiu o máximo durante o show televisivo do “Mensalão”. O seu silêncio, a ausência de uma contestação veemente por parte do Governo Federal àquele “Mentirão”, insuflou nas massas a desconfiança e a suspeita. O termo “petralhas” se vulgarizou. Quem cala, não consente?!
      Frei Betto disse: “O PT abandonou seu projeto inicial na campanha de 2002, quando fez a opção de assegurar a governabilidade pelo mercado e pelo Congresso – daí as alianças e a ‘Carta aos Brasileiros’, que na verdade é a ‘carta aos banqueiros’. Ali, o PT abandona sua matéria-prima, que são os movimentos sociais pelos quais deveria ter assegurado a governabilidade, como fez Evo Morales na Bolívia, que não tinha apoio no congresso, se apoiou nos movimentos sociais e, através deles, conseguiu mudar o perfil do congresso. Hoje, ele tem apoio dos dois, é o presidente mais consolidado de toda essa safra progressista. O PT optou pelo mercado e pelo Congresso. Agora, está refém dos dois e pagando um preço muito alto.”
      O Poder Executivo petista nomeou Ministros do STF, Procuradores Gerais, Ministros de Estado e outros não alinhados com o ideário do partido, em função de uma falácia chamada “republicanismo”, denotando no mínimo ingenuidade. Dilma manteve no Ministério das Comunicações aquela falência humana chamada Paulo Bernardo por quatro longos anos. Nos Estados Unidos e países europeus o Presidente da República nomeia ministros da Suprema Corte e Procuradores de sua absoluta confiança, e demite-os sumariamente caso contrariem as orientações do governo. O PT fez nomeações absurdas para o STF e PGR, nomeados estes que viraram carrascos do partido, como o Joaquim Barbosa.
      Outra mancada foram as alianças com abomináveis figuras políticas, como o Sarney, em função da política pragmática da governabilidade a qualquer custo, que no final resultou catastrófica. “Foi Lula quem levou o PT a fazer alianças com os setores mais atrasados e anti-democráticos da política brasileira. Foi Lula no Maranhão quem desmontou o PT local para que fosse concretizada a aliança com a família feudal dos Sarney. Foi Lula em Alagoas que destituiu as lideranças petistas contrárias a Collor para que o PT apoiasse a sua candidatura ao governo do estado. Em São Paulo foi Lula quem buscou alianças com Maluff e Gilberto Kassab fazendo de tudo para isolar a esquerda petista em benefício dos seus interesses eleitoreiros e políticos. No Rio de Janeiro Lula agiu da mesma forma autoritária obrigando os diretórios estadual e municipal a se juntarem ao PMDB. Isso só para citar alguns exemplos nos estados onde o lulismo conseguiu desfigurar completamente o Partido dos Trabalhadores em prol de uma política que jamais beneficiaria a população ou o partido, mas que lhe traria dividendos políticos pessoais.”
      Se o PT tivesse assumido a politização das massas e a sua efetiva defesa contra os ataques que sofreu, se tivesse usado os três mecanismos, (TVs estatais, internet e Diretórios Municipais), se tivesse indicado nomes alinhados ao seu ideal político para os altos cargos, jamais teria sido alijado do Poder. O Brasil seria outro. A oposição estaria drasticamente reduzida no Judiciário, no Ministério Público, no Legislativo e até mesmo na mídia. Foi uma população totalmente despolitizada que elegeu os atuais membros do Congresso, aqueles que votaram em peso a favor do impeachment. Praticamente não existiria os “coxinhas”. A classe média estaria mais consciente dos avanços sócio-econômicos. E as bases para uma futura e autêntica revolução cultural estariam plantadas no País. O PT poderia pensar em se manter no Palácio do Planalto por muito tempo. Pelo contrário, o que temos hoje é o trágico fim de um Governo que se perdeu nos meandros e corredores do Poder. O que o PT fez, em última análise, foi MATAR A ESQUERDA. Não existe atenuante para isto.
      Enfim, o governo petista cometeu gravíssimos erros não se defendendo veementemente dos ataques sofridos, não fazendo publicidade de suas obras, distanciando-se da sociedade civil, portando-se de forma tão fraca e irresponsável que beirou a capitulação e a traição. Não é outra coisa senão suicídio político. Grandes reformas deixaram de ser feitas, como a eleitoral. A crise final do impeachment, subproduto das falhas petistas (80%) e da virulência elitista (20%), colocará na condução do país elementos os mais reacionários e corruptos possíveis. Tudo porque políticos com sólida formação marxista e esquerdista se contentaram com algumas medidas econômicas ortodoxas, achando que eram suficientes, num primor de incompetência, senão de deliberada desfaçatez.
      Faço estas críticas ao PT porque ele traiu o seu programa partidário original, burlou a sua base militante, ludibriou os setores progressistas e enganou o povo brasileiro. Sou contra porque SOU DE ESQUERDA. Os críticos do PT situados à direita (coxinhas, classe média, elite) não possuem nada em comum comigo. Também não significa que estou tentando minimizar a culpa dos golpistas, muito pelo contrário, pois merecem a mais rigorosa condenação. Mas é preciso que alguém exponha a verdade dos fatos, mesmo sendo insignificante como o autor destas linhas.
      Outra vez dou a palavra a Frei Betto: “O erro do Lula foi ter facilitado o acesso do povo a bens pessoais, e não a bens sociais – o contrário do que fez a Europa no começo do século 20, que primeiro deu acesso a educação, moradia, transporte e saúde, para então as pessoas chegarem aos bens pessoais. Aqui, não. Você vai a uma favela e as pessoas têm TV a cores, fogão, geladeira, microondas (graças à desoneração da linha branca), celular, computador e até um carrinho no pé do morro, mas estão morando na favela, não têm saneamento, educação de qualidade. É um governo que fez a inclusão econômica na base do consumismo e não fez inclusão política. As pessoas estavam consumindo, o dinheiro rolando e a inflação sob controle, mas não se criou sustentabilidade para isso. Agora a farra acabou, está na hora de pagar a conta.”
      O PT estabeleceu a dissociação entre a sua elite dirigente e a sua base militante. Ignorou o clamor das minorias. Ocultou a ação revolucionária no biombo de um desenvolvimentismo capitalista que satisfez todos os segmentos do status quo, dos banqueiros aos miseráveis (“todos lucraram”). O PT não colocou, pela primeira vez na história, um índio na Funai. O PT acreditou que a grande massa beneficiada por seus programas sociais ficaria eternamente grata pelo seu assistencialismo. O PT, nas crises agudas, sempre apelou para a força popular para não ser derrotado nos embates desta guerra das elites contra o povão, transferindo injustamente a sua histórica responsabilidade para os ombros da militância. Eu vejo os erros do PT quando me deparo com jovens vazios e imbecilizados. A culpa não é deles. Hugo Chávez distribuiu gratuitamente para o povo venezuelano um milhão de exemplares do “Dom Quixote”, de Cervantes. Isto é esquerda. Nós temos o “Grande Sertão: Veredas”, do Guimarães Rosa. Mas o PT não teve a coragem de Chávez.
      O dito Partido dos “Trabalhadores” traiu a classe operária. Autodenominando-se esquerdista, assumiu o poder em 2003 sem a menor intenção de fazer um governo realmente de esquerda. O PT ocupou um espaço revolucionário, fazendo de conta que iria transformar o país de forma estrutural, e acabou se revelando incompetente para tão alta tarefa. Agindo assim, destruiu quase quatro décadas de atuação revolucionária. Por sua vez, os blogues e sites pretensamente de esquerda (a chamada imprensa chapa branca, tida como progressista mas, na verdade, cooptada) são geridos por intelectuais também pretensamente de esquerda, como Paulo Henrique Amorim, Luiz Nassif, Emir Sader, Altamiro Borges e outros a endossarem a política direitista do PT, a não alertarem o público sobre a real natureza da mutreta petista e a se esquivarem a qualquer crítica e autocrítica. Alguns chegaram a abolir os comentários de leitores, quando aparecia algum “esquerdista radical”, como o “Carta Maior”.
      O PT se esclerosou no poder. Tornou-se um partido de massas estruturalmente falido, sem vitalidade intelectual. Burocratizou-se e rendeu-se à política mais mesquinha do toma-lá-dá-cá. Perdeu o vigor dos movimentos sociais, alguns dos quais cooptou, ignorando a sua maioria. Não realizou as muitas reivindicações populares. Revelou-se traidor, estelionatário e privatizador. Não fez reforma política séria, nem reforma tributária, nem reforma agrária, nem reforma urbana. A desculpa de que o Congresso era hostil não justifica tais omissões. Mas fez uma desastrosa reforma da Previdência. O PT foi, quando esteve no Governo, um ferrenho opositor das esquerdas autênticas e combativas, mais feroz até mesmo que o PSDB, pois trata-se de uma oposição de crítica e de princípios, e não de interesses.
      As palavras a seguir são de um sindicalista de esquerda experiente nas lides sindicais e foram escritas em 2014: “O PT nasceu nas greves e sabe muito bem como sufocar um movimento grevista e como combater um sindicato independente. E é isto o que o partido está fazendo, sobretudo no governo Dilma. Usam todo o tipo de manobra suja para minar o esforço de greve. Utilizam de todas as manobras para cansar, ludibriar, enervar, passar por cima dos sindicatos combativos e dos movimentos grevistas, com o apoio do sindicalismo cooptado, um desastre, a institucionalização da pelegagem. A ex-guerrilheira se recusa a receber sindicalista para negociar ou finge negociar só para posar para as fotos e pegar os dividendos políticos. O PT cooptou as grandes centrais sindicais e com a ajuda da CUT tem usado todos os truques sujos contra sindicatos livres, pois são ex-sindicalistas e sabem fazer isso muito bem. O Governo petista trata o funcionalismo público federal como um patrão ditatorial e de forma muito mais cruel do que o PSDB de FHC tratou, não porque estes fossem melhores, mas porque eram mais ingênuos e desconheciam o meio sindical. Muito mais duro é lidar com sindicalista traíra que explora as deficiências do movimento sindical por dentro, coopta a CUT e tenta solapar as novas centrais sindicais e partidos da esquerda combativa. Nos governos Lula e Dilma a CUT e outras centrais e sindicatos foram deliberadamente domesticados para evitar confrontos com os patrões e aplaudir, sem qualquer senso crítico, as ações do governo. Nunca o sindicalismo lutador sofreu um golpe tão duro, em todos os campos, quanto na era do PT no governo federal. O Partido dos Trabalhadores tem medo dos trabalhadores organizados e críticos. Esquerda respeita sindicato independente, não domestica central sindical e é justa com trabalhador, sertanejo, ribeirinho, índio e quilombola.”
      O PT governou 90% para a elite financeira, banqueiros, oligarcas, empreiteiras e latifundiários, os quais jamais perderam nada nos últimos 13 anos. O Lula mesmo disse que os bancos nunca lucraram tanto como na era PT. Concessões tributárias e previdenciárias foram feitas a setores empresariais sem retribuições para o mundo do trabalho. A usina de Belo Monte foi construída para satisfazer as exigências da família Sarney e os interesses das grandes construtoras e das multinacionais do alumínio de olho nas minas de Carajás, massacrando sem piedade comunidades indígenas e ribeirinhas próximas a Altamira, no Pará. Lula, que jamais foi socialista e nunca defendeu a preservação ambiental, tornou-se o garoto propaganda das grandes empreiteiras e do agronegócio brasileiros na África, pois é um porta-voz de peso e tido como defensor dos pobres. Neste sentido, o BRICS pode ser visto como o neo-imperialismo mundial, com a China, Brasil, etc., brigando por novos mecanismos de dominação nos mercados do hemisfério sul.
      O PT foi incapaz de se aliar à esquerda autêntica (ou melhor, à esquerda, pois é um partido de direita) para derrotar o projeto do Código Florestal da CNA – Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, abrindo as pernas para o grande capital da agroindústria. Apesar de estar comprometido com a preservação do nosso patrimônio ambiental, vendeu sua alma aos interesses dos barões pecuaristas. Nesta aliança com os ruralistas, Dilma sepultou a reforma agrária e esvaziou o Incra e a Funai. Além disso, o PT não fez nada para enfrentar a aristocracia financeira, submetendo-se servilmente ao Deus Mercado, na maior cara de pau. Dando isenção tributária a grupos poderosos e ao pagar a eterna e impagável dívida pública, dívida que tanto mais aumenta quanto mais é saldada, como todos os outros governos anteriores, só fez abarrotar o bolso já cheio da elite econômica.
      Lula tentou sem sucesso provar que era possível conciliar trabalho e capital. Não existe capitalismo “humano”: ele sempre será predador e monopolista. Na ideologia pseudo-distributiva do PT, os beneficiários do Bolsa Família receberam a sua pequena quota do orçamento, e foi feito um grande alarde propagandista desta boa ação. Mas o que não se propagou foram os beneficiários dos juros altos, os empréstimos do BNDES, as isenções fiscais, etc. O grosso da grana ia para a aristocracia financeira, sobrando as migalhas para os deserdados do Bolsa Família, de modo a mantê-los no cabresto eleitoral. Este programa é uma esmola estatal que a esquerda marxista sempre denunciou como uma contrarrevolucionária política compensatória ditada pelo Banco Mundial para controlar a luta de classes e impedir explosões sociais. O PT só beneficiou a população pobre e trabalhadora quando não precisou contrariar nenhum grande interesse. Promoveu a retirada de alguns milhões da extrema pobreza para lançá-los na pobreza, e aqueceu a economia para tirar outros milhões da pobreza para lançá-los no seio da classe média baixa. Fez um jogo capitalista, injetando dinheiro no mercado e formando uma legião de pequenos consumidores dos produtos fabricados pelos empresários. Benesses para todos! – era o lema petista. O Bolsa Família teria sido realmente nobre se fosse acompanhado de POLITIZAÇÃO. Aliás, não é um gesto assim tão grandiosamente humanitário como se pensa, pois é uma obrigação do Estado e os reais interesses por trás eram eleitoreiros.
      O PT privatizou 23 mil km de estradas federais (até 2013); 45 portos; 8 aeroportos; 7500 km de linha de transmissão (até 2013); usinas de geração de energia (aos chineses); Brasil Telecon; Estádios da Copa; Ferrovia Norte-Sul; Banco do Nordeste (agora banco misto); e Banco do Brasil (46% nas mãos dos acionistas). Tentou privatizar os Correios (MP 532/11) e terceirizou muitos de seus serviços. Instituiu milhares de PPPs (Parcerias Públicos Privadas) e terceirizações. Dilma colocou o banqueiro Joaquim Levy (um Chicago Boy) no Ministério da Fazenda e a líder do agronegócio Kátia Abreu (grande ruralista) no Ministério da Agricultura. Deu isenção de impostos a mega-empresários dos setores de automóveis e outros. Fez pouquíssima reforma agrária. Cortou o PIS e reduziu o Seguro Desemprego. Vetou a Auditoria da Dívida Pública e pagou fielmente o seu injusto e absurdo juro (47% de tudo o que é arrecadado). Quanto à Petrobrás, 49,7% está nas mãos dos acionistas. As suas contratações foram paradas para contratar 108 empreiteiras. O Pré-Sal foi leiloado. Estes leilões são uma forma de privatizar o petróleo, dando tudo de mão-beijada para as multinacionais, sem ser preciso privatizar a empresa. O que o Brasil lucrará com o Pré-Sal é uma ninharia. O Campo de Libra foi dado para os chineses. E tudo isto foi feito na “moita”, sem que o grosso da população tomasse conhecimento. Esta é, ou melhor, foi a especialidade do PT: promover a agenda da direita na surdina. Talvez não tenha sido pronunciada uma vez sequer, nos últimos 13 anos, pelos líderes petistas, a palavra “estatização”. Tudo isto é uma gigantesca e execrável traição à esquerda e ao socialismo, os quais defendem exatamente o oposto das privatizações, defende o patrimônio do povo.
      Em 13 anos, 4 meses e 11 dias no Poder, o Partido dos Trabalhadores conseguiu a façanha histórica de frustrar quase todas as esperanças que nele foram depositadas por 200 milhões de brasileiros. Foram exatos 4.880 dias se tornando cúmplice dos exploradores em vários sentidos, e isto vindo de um partido que se dizia de esquerda e que tinha a missão primordial de defender os explorados contra os opressores. O PT fez todo o tipo possível de concessões aos setores direitistas retrógrados e ortodoxos. Nascido no final da ditadura militar e composto originalmente por grandes nomes da esquerda e da intelligentsia nacional, muitos deles vítimas da brutalidade dos gestores do golpe de 1964, o PT não teve sequer a coragem de peitar os carrascos torturadores na pífia Comissão da Verdade, mesmo quando cortes internacionais de justiça o exigiam. O partido tinha uma pauta de modernização dos costumes, fim dos preconceitos e defesa das minorias sexuais, mas se absteve pois precisava dos votos da bancada dos evangélicos. Órgãos e autarquias foram ignorados, como Funai, Ibama e IBGE. Foi aprovada a lei antiterror, que pode criminalizar manifestantes que depredem patrimônio público. Enfim, de tanto jogar no lixo as suas bandeiras, o PT ficou no final sem nenhuma proposta positiva para conquistar os corações e as mentes dos eleitores, daí só lhe restando trunfos negativos como a satanização dos adversários.
      As informações acima são verídicas. Não se trata de calúnias da oposição. Foram retiradas na internet de fontes exclusivamente esquerdistas. Nunca leio nada escrito pela direita. A esta altura, o perplexo leitor deve estar com nó no cérebro. Poderia perguntar: Mas, e as obras positivas do PT? Realmente, como foi dito no início, somos obrigados a reconhecer que muita coisa boa foi feita, especialmente nos dois mandatos de Lula. Como o governo FHC foi péssimo, o do PT pode parecer, em contraposição e enganosamente, excelente. Mas não devemos supervalorizar a administração petista. Sendo de esquerda, o PT era OBRIGADO a fazer alguma coisa, não poderia ser um repeteco dos tucanos. Porém, o que ele deixou de fazer (politização, autodefesa, mídia, etc.) e o que ele fez de modo oculto (neoliberalismo, privatizações, etc.) depõe contrariamente de forma arrasadora. Pior do que o lobo em si, é o lobo em pele de ovelha. Os setores elitistas e conservadores não mascaram suas intenções, todos sabem do que são capazes. Entretanto, a cúpula petista não correspondeu às expectativas que o povo nutria, ao dar-lhe carta branca nas últimas quatro eleições. O que o PT fez com as mãos, desmanchou com os pés. Recomendo ao leitor que se liberte de ideias preconcebidas e de paixões políticas e faça um exame honesto e sensato dos fatos.
      Fora do poder, o PT fará oposição ao governo de Michel Temer. Lula e a cúpula do partido manterão a mesma imagem original de oposição esquerdista, como fazia até 2002, sem a mínima autocrítica e nenhuma vergonha na cara. Sendo assim, o PT inaugurará a sua terceira fase de enganos e farsas: a primeira de 1980 a 2002; a segunda de 2003 a 2016; e a terceira de agora em diante. O povo iludido contará com “Lula 2018”. Mas ele será preso, processado e condenado. Jamais permitirão que se candidate novamente, nem que seja preciso eliminá-lo. A extrema-direita PMDB-PSDB dificilmente largará o osso. E esta eliminação do “Pai dos Pobres”, o seu patético ostracismo, para a esquerda é ótimo, posto que assim o PT não continuará a sua obra nefasta de destruição dos setores realmente progressistas. Somente desta forma o país poderá construir livremente, nos anos seguintes, uma AUTÊNTICA MILITÂNCIA ESQUERDISTA a partir de sua juventude atual. O PT se esgotou, não tem mais defesa ou credibilidade. Será preciso começar a agir desde já para reconstruir a esquerda fora do vácuo petista, sem a ilusão de que está do nosso lado, ou seja, do povo. Não há nenhum tempo para se perder um tempo precioso, pois será uma luta de pelo menos duas décadas para reerguer a cabeça da esquerda, destroçada pelo PT.
      É óbvio que o PT lançará um candidato nas eleições de 2018, seja qual for. Votar nele significará a continuação de tudo o que foi exposto acima. Não é uma boa ideia. O bom senso diz que é preciso fortalecer os partidos de esquerda, como PCdoB, PCO, PSTU e PSOL, já em 2016. Esta é uma boa ideia. Todavia, é bom lembrar que qualquer um destes quatro partidos, chegando no poder num futuro distante, fará o mesmo que fez o PT, inevitavelmente. O que significa que a via político-eleitoral-democrática não é a melhor solução. A grande ideia é a POLITIZAÇÃO DO POVO ao longo das décadas seguintes, efetuada POR ELE MESMO, (não de cima para baixo), através de suas inúmeras organizações como entidades estudantis, grupos anarquistas, sindicatos livres, minorias, camponeses, associações, enfim, todo o conjunto que forma a sua imensa base social, desligada completamente do poder público e dos grupos econômicos de qualquer nível ou escala. Somente quando o povo possuir uma razoável compreensão do seu poder natural e inerente, será possível dar início à VERDADEIRA REVOLUÇÃO. Se esta politização não for feita, se a massa permanecer na sua habitual ignorância, na sua eterna inércia, se nada for feito para tentar despertá-la de seu torpor, o jogo tenderá SEMPRE para o lado das elites que detém o poder político, econômico, jurídico, eleitoral, midiático, policial e repressor. A única salvação para o povo é ELE MESMO. Esta é a visão mais avançada da esquerda mundial.
      Desejo a todos uma LONGA LUTA!...

      Marcos Nunes Filho – Muriaé/MG – Maio de 2016.

Parte 91

      Artigo “A mulher sapiens que virou suco: de revolucionária marxista a tecnoburocrata neoliberal”, de Celso Lungaretti, do site “Náufrago da Utopia”, de 13 de janeiro de 2016:


      Trata-se de um longo texto a respeito da Dilma, um verdadeiro “dossiê”. Ressalto esta parte:


      “...o abalo sofrido pela esquerda foi profundo e acarretará um processo agudo de autocríticas e busca de novas opções por parte dos militantes mais articulados e idealistas; e que, consequentemente, teremos uma chance de arejar e reciclar a esquerda, a fim de recolocá-la no rumo da revolução, cada vez mais necessária quando o capitalismo faz água por todos os lados e ameaça até destruir a espécie humana.”

Parte 90

      Escrevo na noite deste triste e trágico 11 de maio de 2016, último dia de Dilma na Presidência da República. De 1º de janeiro de 2003 até hoje, o Partido dos Trabalhadores teve exatos quatro mil, oitocentos e oitenta dias para fazer um governo de esquerda, não implantando o socialismo, mas sendo fiel às suas melhores origens políticas. O PT é o grande responsável por sua própria queda.

      Amanhã a extrema-direita retorna ao poder com a gana predadora de 13 anos de abstinência. Mesmo reconhecendo que o impeachment é uma farsa golpista, Michel Temer assume o Palácio do Planalto como o vice-presidente que é, sendo esta posse algo perfeitamente constitucional. Os esquerdistas afirmam que ele não terá a legitimidade eleitoral. É um argumento falho, pois recebeu a mesma quantidade de votos que a Dilma em 2014. Dizem também que ele não terá o aval do povo. Ele não precisa do povo. Na democracia moderna o cidadão é o que menos conta: serve apenas para eleger os poderosos, os quais estão a serviço de tudo, menos da população.

      Devido a uma luminosa intuição, poucos minutos atrás, descobri que neste 11 de maio a literatura espanhola e mundial comemora o centenário de nascimento do escritor José Camilo Cela. Já li um livro seu de contos. É dele esta frase: “O que resiste, vence”. Seguir-se-ão anos tenebrosos, os quais irão requerer do nosso povo muitos sacrifícios e penúrias. Aqueles que RESISTIREM, por mais difíceis que sejam os obstáculos e desafios, certamente VENCERÃO.

      AMANHÃ SERÁ O PRIMEIRO DIA DE LUTA!...

Parte 89

      Este artigo faz várias criticas à Presidenta Dilma.

      “Dilma cai por causa de sua própria incompetência. Investiu numa política econômica errada e, quando percebeu que ela não produziria os efeitos esperados, em vez de recuar e tentar reparar os danos, resolveu dobrar a aposta com o objetivo de vencer o pleito de 2014. Perpetrou, assim, o maior estelionato eleitoral da história recente do país.”

      “O PT deverá receber agora um longo gelo do eleitor, mas espera-se que sobreviva, faça a autocrítica e se reerga em bases melhores. O Brasil, como toda democracia, precisa de um partido de massas mais à esquerda.”

      O PT vai sobreviver, não fará nenhuma autocrítica e nem irá melhorar. Lula e a cúpula petista conseguiram DESTRUIR A ESQUERDA.


Parte 88

      Trechos deste artigo:

      “Pois, em 13 anos e quatro meses no poder, (o PT) conseguiu frustrar, uma a uma, as esperanças que despertou.
      Tinha como missão defender os explorados, mas se tornou cúmplice dos exploradores em vários sentidos, inclusive o do Código Penal.
      Cabia-lhe assegurar a governabilidade com a força de suas convicções e a mobilização dos homens de bem, mas achou mais fácil compactuar com a fisiologia e a traficância.
      Deveria conduzir os coitadezas para participarem do banquete dos opulentos, mas os colocou ao pé da mesa, recebendo apenas as migalhas que os pantagruéis do capitalismo deixavam escapar pelos cantos da boca.
      Estava comprometido com a preservação do nosso patrimônio natural, mas vendeu sua alma ao agronegócio (e as gerações futuras que se danem!).
      Tinha uma pauta de modernização dos costumes e fim de preconceitos, mas precisava dos votos das bancadas evangélicas.
      Era herdeiro dos heróis e mártires da luta contra a ditadura, mas não ousou inculpar os ogros do passado, nem mesmo quando cortes internacionais o exigiam.
      Prometeu diferenciar-se do regime militar não mentindo para o povo nem o manipulando, mas acabou cometendo o pior estelionato eleitoral brasileiro de todos os tempos.
      De tanto jogar fora suas bandeiras, ficou sem nenhuma proposta positiva para conquistar os corações e mentes dos eleitores, daí só lhe terem restado os trunfos negativos: o alarmismo falacioso, a satanização dos adversários e a exacerbação do ódio.”


Parte 87

      Nesta entrevista de João Pedro Stedile, concedida ao jornalista Paulo Henrique Amorim em 10 de maio de 2016, véspera da votação do impeachment da Dilma no Senado, a respeito das manifestações de rua deste mesmo dia, o líder do MST falou:

      “Eu acho que há um sentimento na sociedade de indignação contra essa hipocrisia do impeachment e, por enquanto, quem está se mobilizando são as parcelas organizadas da classe trabalhadora. Eu acredito que, devagar, outras parcelas se envolverão em mais mobilizações, assim que começar o governo ilegítimo do Temer, que vai implementar um programa neoliberal e vai afetar os interesses da classe trabalhadora. A classe trabalhadora ainda não se deu conta do temporal que vem por aí. Quando ela se der conta, acho que as mobilizações vão se ampliar em todo o país.”

      PHA resumiu desta forma:

      “Ele (Stedile) considera que, no momento, o trabalhador ainda não foi para as ruas. Foram para as ruas os trabalhadores organizados. Quando sentirem na pele os efeitos do programa neoliberal do Temer, aí, os outros trabalhadores vão para as ruas.”

      Eu vi muitas fotos de trancamento de ruas em diversas cidades do Brasil, nas quais se viam apenas algumas dezenas ou centenas de militantes da CUT e outros movimentos. O POVO NÃO ESTAVA LÁ. Stedile foi obrigado a reconhecer o FRACASSO das mobilizações da esquerda, que não é outra coisa senão o FRACASSO do PT. Desta forma, tais movimentos também são CULPADOS, por se ATRELAREM à cúpula petista, traindo a autêntica luta revolucionária. Se com o PT no Governo a coisa está neste pé, imagina a direita de posse TAMBÉM do Poder Executivo, o único setor da República que lhe falta tomar...


Parte 86

      “A esquerda precisa superar o PT” – este artigo é muito bom:

Parte 85

      Este artigo do site “Correio da Cidadania”, “Dilma caiu: como ficamos com o PT na oposição?”, escrito por Marcelo Castañeda em 05 de Maio de 2016, analisa sumariamente a atuação do PT na oposição ao governo Temer. Diz que a sua liderança nacional não fará nenhuma autocrítica em relação aos erros cometidos, persistindo em passar a imagem de partido de esquerda (sendo de direita) e não desistindo de voltar ao poder em 2018. Já falei sobre isto antes. Mas o interessante é o parágrafo final, a reforçar o que disse na parte 82:

      “Por fim, não devemos limitar nossas ações a essa escala maior, do governo federal. Particularmente, estou muito mais engajado em processos micro e no âmbito da cidade onde vivo, o que não significa deixar de lado o entendimento do que está em jogo na política nacional.”

http://www.correiocidadania.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=11646:2016-05-05-23-10-02&catid=72:imagens-rolantes

Parte 84

      Encontrei o texto a seguir no Facebook, num grupo do PCO – Partido da Causa Operária. Não posso afirmar se todos os dados são verdadeiros:

      “O PT PRIVATIZOU:
* 23 mil km de estradas federais (até 2013)
* 45 portos,
* 08 aeroportos;
* 7500km de linhas de transmissão (até 2013)
* Usinas de geração de energia (aos chineses)
* Brasil Telecom
* Estádios da Copa (pagos com dinheiro público)
* Ferrovia Norte-Sul
* Banco do Nordeste (agora banco misto)
* Banco do Brasil (46% nas mãos dos acionistas)
* Petrobras (agora 49,7% nas mãos dos acionistas)
* Tentou privatizar os Correios (MP 532/11)
* Terceirizou muitos serviços dos Correios
* Leiloou o Pré-Sal
* Parou as contratações da Petrobras para contratar 108 empreiteiras
* Anunciou que vai tornar a Caixa Econômica um banco misto (metade público, metade de acionistas)
* Além de milhares de PPPs (Parcerias Públicos Privadas) e terceirizações
* Colocou um banqueiro no Ministério da Fazenda e a líder do agronegócio no Ministério da Agricultura
* Cortou o PIS e reduziu o Seguro Desemprego dos trabalhadores
* Deu isenção de impostos a FIFA e mega-empresários (automóveis, produtos da linha-branca e outros)
* Fez menos reforma agrária que o FHC e que o governo militar
* Vetou a Auditoria da Dívida Pública e ainda paga fielmente o injusto e extremamente absurdo juros da dívida pública brasileira (47% DE TUDO QUE É ARRECADADO vai para pagar juros da dívida)
      Isso é uma imensa traição a esquerda e ao Socialismo, pois a esquerda defende exatamente o oposto de privatização, defende patrimônio do povo.
      Socialismo vai além e defende o FIM DAS PROPRIEDADES PRIVADAS DOS MEIOS DE PRODUÇÃO (Marx, 1848). Ou seja, Estatização de TODAS as empresas sob gestão operária e democracia popular!

      Até quando muitos filiados e simpatizantes do PCO vão continuar defendendo o PT?”


Parte 83

      Trecho do artigo “Jango, Dilma e os erros da esquerda”, de Fernando Marcelino, da coordenação do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto - MTST de Curitiba, no site “Brasil de Fato”, de 7-5-2016:

      “Agora, depois de 53 anos do golpe de 1964, o governo Dilma e a esquerda são atacados por um golpe institucional. E novamente, a dubiedade do governo paga seu preço. Ao invés de mergulhar no caldo de mobilização das eleições de 2014 para enfrentar os golpistas que já conspiravam pelo menos desde 2013, Dilma se exilou em Brasília, desmontou seus aparelhos de comunicação, paralisou a ação governamental e iniciou uma batalha por um ajuste fiscal sem apoio popular e sem fundamento econômico liderado por Joaquim Levy. Continuou aplicando uma macroeconômica de juros altos, câmbio volátil e desonerações para oligopólios. Permaneceu inerte em relação ao partido da mídia. Aventou a privatização da Caixa Econômica e uma desastrosa Reforma na Previdência. Não percebeu e desdenhou da operação de guerra contra Lula e o PT encampada pela Lava Jato, e acabou sendo o alvo principal da luta contra a corrupção, perdendo a maioria dos setores médios para a hipocrisia da direita. Não denunciou as conexões internacionais do golpe. Tudo isso abriu espaço para a ofensiva conservadora.
      Em nome de uma governabilidade não alcançada, Dilma deixou para trás o projeto que a elegeu e perdeu o apoio da esquerda, cética a respeito dos rumos do governo e da possibilidade de sair em sua defesa, mesmo em meio a um golpe institucional. Suas atitudes ambíguas apenas desmobilizam a base social que poderia defendê-la. Enquanto isso. a direita política, midiática e jurídica se fortaleceu, articulou um programa, mobilizou a classe média imbecilizada, desmoralizou e cercou Lula, o PT e o governo pela Lava Jato, até partir para a ofensiva visando tomar o poder via impeachment, liderado por Cunha e Temer. Então, somente em 2016, no final do segundo tempo, Dilma percebeu que o golpe estava próximo e que era praticamente inevitável.”


quinta-feira, 26 de maio de 2016

Parte 82

      Artigo do site do PSTU – Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado, de 16-3-2016. Parágrafos finais:

      “A classe trabalhadora precisa lutar e se organizar para ter o poder em suas mãos e fazer uma verdadeira transformação social que efetivamente acabe com a miséria e a exploração. Um projeto socialista e revolucionário. Para isso, é preciso retomar a ação direta como prioridade, avançar a organização dos debaixo rumo à sua auto-organização e construir um partido revolucionário e socialista.
      Nesse sentido, projetos como a Frente Brasil Popular, que visam praticamente uma refundação do PT, não servem. Da mesma maneira, projetos que priorizam as eleições, como o PSOL, também repetem o PT.
      Não temos o direito de construir novas desilusões. Precisamos transformar de verdade a sociedade e não governar para os banqueiros e em aliança com eles.”

     O articulista diz que é preciso “construir um partido revolucionário e socialista”, sub-repticiamente sugerindo o PSTU como uma possível opção. Sinceramente, não acredito que a RESISTÊNCIA FUTURA deva ser delegada a um novo partido político. A própria SOCIEDADE, com suas inúmeras organizações de base, é que deve TOMAR A FRENTE desta luta. De que maneira isto será feito, não tenho ideia.


Parte 81

      Artigo do jornalista carioca Marcelo Migliaccio, de 18-4-2016
:
      “Estou com Frei Beto, para quem um dos maiores erros do PT foi não iniciar um processo de politização do povo nesses 13 anos. Achou que bastavam três refeições por dia e dinheiro pra comprar uma máquina de lavar.”

      “O PT perdeu para si mesmo.”

      “A verdade é que o povão não se engajou na defesa de Dilma. As manifestações contra o impeachment só tinha gente politizada, com nível universitário e sindicalistas. O grosso da população passava apressado do outro lado da rua. Queriam chegar em casa logo pra não perder a novela.”

      Nestes dias que antecedem a votação do impeachment no Senado em 11 de maio, vejo na internet declarações e convocações a ameaçarem os golpistas com “o povo nas ruas”. Grande falácia!!!... O POVÃO não tem participado de NADA, pois NÃO FOI POLITIZADO.


Parte 80

      Este artigo, de 10-11-2015, “O governo do PT e o seu legado/pecado capital”, fala sobre os líderes petistas “que apostaram na política de conciliação ao invés de trabalhar junto ao povo”, ou seja, priorizaram o jogo do poder político burguês e descartaram a politização das massas.

      “Voltemos a 2003 e busquemos o programa que iniciou essa ação da retirada de milhões de pessoas da miséria, o Fome Zero. Ele iniciou o processo de transferência de renda para pessoas miseráveis no país, além de dinamizar economias locais, combater a fome e garantir uma melhora na qualidade alimentar das pessoas.
      Contudo, o governo petista poderia ir além dessas ações, uma vez que mexia diretamente com as condições de vida de milhões de pessoas em todo o país. Ao invés de aproveitar o momento histórico, a conjuntura política favorável e os anseios de mudança para potencializar esse programa e organizar o povo, decidiu interromper esse processo. 
      No momento em que o programa avançava no sentido de levar a sociedade civil para ações concretas na participação e no monitoramento do Fome Zero, fomentando uma consciência política coletiva, organizando as pessoas e realizando as reformas estruturais, ocorre uma mudança de rumos políticos. O Fome Zero criado no início de 2003 era substituído, já em 2004, pelo Programa Bolsa Família.
      Frei Betto, que estava a frente do programa, afirmava que o Fome Zero tinha um caráter emancipatório, pois além de levar a segurança alimentar, propiciava a articulação, a conscientização popular e a possibilidade de mudanças estruturais. Já o Bolsa-Família, mesmo sendo importante, tem um caráter compensatório e limitado.”

      ALIÁS, este processo de POLITIZAÇÃO poderia se estender além da linha de pobreza extrema, atingindo também a classe C, podendo chegar até mesmo à classe média. Lula e os líderes petistas SE NEGARAM de forma PEREMPTÓRIA a MOVER UMA PALHA SEQUER no que tange à CONSCIENTIZAÇÃO POPULAR, acreditando na gratidão (= votos) das massas engambeladas por seus programas sociais. Isto torna evidente que a PRINCIPAL preocupação dos petistas era o seu PROJETO DE PODER. Um genuíno partido de esquerda JAMAIS FARIA ISTO!...


Parte 79

      MILITÂNCIA REVOLUCIONÁRIA

      As três fotos abaixo indicam o local em que o fato que vou narrar aconteceu, e os seus dois personagens. Trata-se da antiga fábrica de tecidos e hoje Centro Cultural Bernardo Mascarenhas, em Juiz de Fora-MG. O primeiro protagonista desta história é o amigo Isnard, em foto recente. O segundo é o grande militante de esquerda Geraldo, já falecido, o qual aparece na foto em preto e branco, com o braço direito levantado. Não tenho certeza da época, mas deve ter sido em 1989 ou 1994, quando das duas eleições presidenciais perdidas por Lula.

      Estava o Isnard, o Geraldo e outros militantes petistas tomando cerveja num bar no início da rua Santa Rita, em frente à Bernardo Mascarenhas, discutindo política, quando alguém reparou na alta chaminé da antiga fábrica, e propôs um ato perigoso: pregar no seu topo a bandeira vermelha do PT. Os dois citados dispuseram-se a realizar esta ação ousada. Despediram-se da turma e entraram na fábrica. Conseguiram localizar a base da chaminé e começaram a subir. O Isnard foi na frente, levando consigo a bandeira enfiada na calça. Os grampos que levavam ao topo da chaminé estavam em péssimo estado, e alguns deles ameaçavam se desprender. O ideal esquerdista falou mais forte que o medo e o Isnard conseguiu chegar lá no alto, com o Geraldo mais abaixo. Não sei como, mas a bandeira foi afixada e passou a tremular. Foi então que o Isnard começou a descer, mas topou com o Geraldo empacado no meio, paralisado de terror. Enquanto isto, no bar, os amigos não tiravam os olhos da chaminé, desesperados e perplexos, implorando a todos os Santos que ajudassem aqueles dois malucos para que não morressem. Chegaram a acender até uma vela na mesa. O Isnard CUSTOU a tirar o Geraldo do estado de choque, e este foi descendo lentamente os frágeis degraus. Finalmente os dois pisaram em terra firme e voltaram para o bar, enchendo a cara para comemorar o tresloucado feito. O Isnard comentou comigo que teve vários pesadelos nos dias seguintes, quando se via despencando no ar para a morte.

      Esta história revela um AMOR INCONDICIONAL à CAUSA POPULAR e um EXTRAORDINÁRIO DESPRENDIMENTO PESSOAL em prol da luta em favor da população pobre e explorada pela elite política e econômica. Isto é o que significa SER DE ESQUERDA. É preciso ter um ESPÍRITO REVOLUCIONÁRIO para arrostar tantos desafios e dificuldades. E o Brasil está cheio de militantes desta envergadura, a maior parte deles na maturidade e na velhice, todos vitoriosos nesta batalha incansável por um Brasil mais justo e humano. São GRANDES ALMAS ANÔNIMAS!... Muitos se foram para o “andar de cima”. Trazem no peito a certeza de que foi TRAVADO O BOM COMBATE.


      Mas também está surgindo uma nova geração de GUERREIROS entre os estudantes, nos jovens de periferia, em uma diversificada gama da juventude militante, os quais serão os principais atores na resistência aos governos de extrema-direita que se instalarão na “era pós-PT” que está prestes a se iniciar. O futuro é deles. A batalha é deles. A vitória é deles. Existem muitas “chaminés” a serem escaladas, muitas bandeiras a serem fixadas. Que Deus os ilumine!...




Parte 78

      Este artigo fala das duas esquerdas atuantes hoje: a cooptada pelo PT e a desatrelada do PT. A ruína não é só deste partido, mas dos sindicatos a ele subservientes.

      “...deste governo traidor, estelionatário e privatizador.”

      “...Bolsa Família, uma esmola estatal que a Esquerda Marxista sempre denunciou como uma contrarrevolucionária política compensatória ditada pelo Banco Mundial para controlar a luta de classes e impedir explosões sociais.”

      “Mas este 1º de maio fracassado demonstrou mais que apenas a falência moral e política das direções que controlam as maiores organizações sindicais e movimentos sociais. Mostrou que elas perderam o poder de convocatória que tinham. Elas convocavam e milhões respondiam aos seus chamados. Agora, não mais.”

      “Os dirigentes da CUT convocaram uma paralização nacional para 10 de maio contra o impeachment. Nem eles acreditam que o país vá parar. No máximo, vão realizar atividades do tipo que fez o MTST, em 29 de abril, trancando ruas e estradas e queimando pneus só com uma vanguarda militante que busca substituir as massas que eles não conseguem mover, buscando dar a impressão de que estão em luta. Este tipo de atitude, de substituir as massas, é profundamente danoso ao movimento e só isola a vanguarda das amplas massas.
      A consciência dos trabalhadores e da juventude já vive à frente destes líderes, que representam o passado e não o sentimento atual das massas. Por isso, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC não conseguiu paralisar sequer uma fábrica em defesa do governo Dilma, apesar dos esforços feitos. Os operários não apoiam mais este governo e estão cheios da manipulação destes líderes.”

      “Como explicou León Trotsky ‘A roda da história é mais forte do que os aparelhos’. E essa roda é a luta de classes que ninguém pode apagar, nem mesmo o deprimido Lula que tentou durante trinta anos provar que era possível harmonizar capital e trabalho.”

      “Os próximos meses serão um caldeirão fervente no país e uma fábrica de militantes revolucionários para a Esquerda Marxista. Temos uma organização nacional e internacional, um jornal, uma revista teórica, um site bem acessado, militantes animados e aguerridos, métodos proletários, implantação sindical, uma juventude maravilhosa e uma política de combate contra o capital, seus partidos e instituições. Ao combate, camaradas!” (Grifo meu.)