Destaco os seguintes trechos do artigo “Uma
crítica por esquerda aos militantes ainda vinculados ao governo deposto – 1”, de
Bruno Lima Rocha, de 4-6-2016, no blog “Estratégia e Análise”
“Neste texto, levamos em conta o conceito
de André Singer a respeito do lulismo, considerando-o um pacto conservador, um
jogo do “ganha-ganha”, com as seguintes características: o Brasil aproveita o
crescimento econômico chinês e indiano; tenta estabelecer uma aliança de
classes com os campões do capitalismo nacional; não atinge de forma direta os
interesses do capital financeiro e especulativo; aposta na política de exportação
de commodities agrícolas, minerais e extrativistas; e, simultaneamente, abre
cunhas de alianças com setores reacionários, em troca da gigantesca promoção de
melhora nas condições materiais de vida. Logo, o que pode se observar é que,
embora as mudanças materiais tenham sido consideráveis, não houve alteração nas
estruturas de poder assentadas no Brasil, tanto àquelas de nível doméstico como
na correlação com as forças externas.”
“(...) aceitar a melhoria material como
uma espécie de solução mágica para problemas estruturais de dominação foram o
cadafalso da política lulista no Brasil.”
“Ao promover a melhoria da condição de
mais de 44 milhões de pessoas, o que seria minimamente desejável seria a
afirmação de estruturas de contra-poder, ou ao menos, uma capacidade de
mobilização popular promotora de um poder de veto das maiorias por sobre os
acórdãos oligárquicos e o viciado jogo burocrático-institucional. Ao contrário
de fazer o afirmado aqui, o partido de governo reforçou o poder de seu líder
político e eleitoral (Lula) e apostou toda a acumulação na vitória pelas urnas
e não na construção de um novo consenso político-cultural, entregando a ideia
de hegemonia societária para as estruturas pré-existentes. Deste modo, a inação
levou a que nenhuma das estruturas centrais de poder no Brasil fosse alterada,
ao contrário, se expandiram sob os narizes dos dirigentes petistas, tais como:
o agronegócio e latifúndio; as “igrejas” neopentecostais; o poder da mídia
corporativa; a financeirização da economia brasileira; a concentração econômica
nos oligopólios nacionais (através de uma espécie de Bismarckismo tropical, já deveras
elogiado por Eike Batista); a presença de capitais transnacionais nas
telecomunicações; a divisão de poder no mundo do trabalho com as centrais
pelegas; loteamento do primeiro, segundo, terceiro e quarto escalões do governo
federal com oligarquias mercenárias; e, não menos grave, a negativa em
modificar minimamente as instituições de segurança de Estado, verdadeiras
máquinas de matar a própria população, acumulando entulho autoritário e
violência endêmica na base de nossa pirâmide social.”
“Considerando tudo o que fora citado
acima, entendo que, ou os dirigentes do PT, de seus partidos aliados (como
o PC do B), das centrais sindicais que apoiaram o lulismo (como CUT e
CTB), e setores afins fazem uma profunda autocrítica de suas práticas e alianças
dos últimos 14 anos, ou toda esta indignação coletiva contra o golpe será
jogada pelo ralo na próxima agenda eleitoral e eleitoreira. Esta crítica também
vale para os movimentos componentes da Frente Brasil Popular e Frente Povo Sem
Medo. Se este não é o momento para crítica e autocrítica então quando será?”
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