quarta-feira, 1 de junho de 2016

Parte 110

      Textos do artigo “Tragédia anunciada e a capitulação da esquerda estatista – Parte I”, de Pablo Misraji, no site “Estratégia e Análise:

       “O mesmo PT que em seu programa de 2006 anunciava os avanços do partilhamento de renda para as camadas mais pobres, era o que dava marcha ré na estratégia de reformas estruturais. O que não podemos chamar de recuo ideológico. O partido abandonava seus preceitos antigos, indo buscar um lugar ao sol como os demais partidos de centro e direita. O PT, como ex-esquerda, inicialmente amparada por uma sólida base de movimentos sindicais de luta no campo, retrocede em volume contra pautas eleitas por suas próprias bases eleitoreiras, como o enfrentamento ao grande capital estrangeiro, a democratização dos meios de comunicação, reforma agrária, política (campanhas eleitorais), urbana e tributária, as privatizações, entre outras, pondo um fim definitivo no avanço de medidas estratégicas no jogo político. Estas medidas, tanto para o campo da esquerda quanto para dos movimentos sociais em luta, geraram um afastamento progressivo de suas bases e uma espécie de achatamento da esquerda estatista.”

      “Nessa lógica de isenção do acirramento de classe, o lulismo definitivamente soterrou a chamada “guinada à esquerda”. Ao invés de elaborar um programa pautado na convocação permanente das bandeiras históricas de luta, priorizou e deu as costas para as reformas estruturais.”

      “Ao contrário, uma guinada à direita foi o que o Partido dos Trabalhadores fez. Dentro dessa linha histórica, após criar uma plataforma de consumo mediante crédito e isenções fiscais destes itens, podemos citar como exemplo de ações: a governabilidade a qualquer preço e conciliação de interesses, políticas de privatização em série, a aliança e capitulação com o capitalismo estrangeiro regulador como o FMI, as nomeações de ministros (ex-banqueiros), a entrega das divisas para a bancada do agronegócio, principalmente após a redição do Código Florestal e com isto sob a tutela de Kátia Abreu pondo em xeque a legislação trabalhista rural, os acordos e a regularização de terras quilombolas e indígenas, as alianças partidárias com os setores mais retrógrados da política – na tentativa de manutenção a nível do legislativo e do executivo para garantir um pleito nas eleições futuras -, os planos de austeridade de Levy junto à sua filosofia herdada pelo BID e pela nova configuração do capital estrangeiro para a América Latina (Plano IIRSA, por exemplo), corte e ajuste fiscal nos setores que já estavam mobilizados como a Educação, a omissão na democratização dos meios de comunicação que fora criada e amparada pela própria base petista, o comprometimento da criação e ampliação da política de repressão e criminalização dos movimentos sociais através de leis semelhantes aos períodos de exceção (Lei de Terrorismo), entre outras sérias e graves pedaladas no campo da esquerda.”


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