Textos do artigo “Tragédia anunciada e a
capitulação da esquerda estatista – Parte I”, de Pablo Misraji, no site
“Estratégia e Análise:
“O mesmo PT que em seu programa de 2006 anunciava
os avanços do partilhamento de renda para as camadas mais pobres, era o que
dava marcha ré na estratégia de reformas estruturais. O que não podemos chamar
de recuo ideológico. O partido abandonava seus preceitos antigos, indo buscar
um lugar ao sol como os demais partidos de centro e direita. O PT, como
ex-esquerda, inicialmente amparada por uma sólida base de movimentos sindicais
de luta no campo, retrocede em volume contra pautas eleitas por suas próprias
bases eleitoreiras, como o enfrentamento ao grande capital estrangeiro, a
democratização dos meios de comunicação, reforma agrária, política (campanhas
eleitorais), urbana e tributária, as privatizações, entre outras, pondo um fim
definitivo no avanço de medidas estratégicas no jogo político. Estas medidas,
tanto para o campo da esquerda quanto para dos movimentos sociais em luta,
geraram um afastamento progressivo de suas bases e uma espécie de achatamento
da esquerda estatista.”
“Nessa lógica de isenção do acirramento
de classe, o lulismo definitivamente soterrou a chamada “guinada à esquerda”.
Ao invés de elaborar um programa pautado na convocação permanente das bandeiras
históricas de luta, priorizou e deu as costas para as reformas estruturais.”
“Ao contrário, uma guinada à direita foi
o que o Partido dos Trabalhadores fez. Dentro dessa linha histórica, após criar
uma plataforma de consumo mediante crédito e isenções fiscais destes itens,
podemos citar como exemplo de ações: a governabilidade a qualquer preço e
conciliação de interesses, políticas de privatização em série, a aliança e
capitulação com o capitalismo estrangeiro regulador como o FMI, as nomeações de
ministros (ex-banqueiros), a entrega das divisas para a bancada do agronegócio,
principalmente após a redição do Código Florestal e com isto sob a tutela de
Kátia Abreu pondo em xeque a legislação trabalhista rural, os acordos e a
regularização de terras quilombolas e indígenas, as alianças partidárias com os
setores mais retrógrados da política – na tentativa de manutenção a nível do
legislativo e do executivo para garantir um pleito nas eleições futuras -, os
planos de austeridade de Levy junto à sua filosofia herdada pelo BID e pela
nova configuração do capital estrangeiro para a América Latina (Plano IIRSA,
por exemplo), corte e ajuste fiscal nos setores que já estavam mobilizados como
a Educação, a omissão na democratização dos meios de comunicação que fora
criada e amparada pela própria base petista, o comprometimento da criação e
ampliação da política de repressão e criminalização dos movimentos sociais
através de leis semelhantes aos períodos de exceção (Lei de Terrorismo), entre
outras sérias e graves pedaladas no campo da esquerda.”
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