sexta-feira, 27 de maio de 2016

Parte 98

      Li ontem, 18-5-2016, num blog desatrelado do PT, o seguinte comentário de um esquerdista:

      “Praticamente TODOS os companheiros com quem estou no caminho, gente boa e de briga, diz que está em marcha um golpe de estado do país e que o Brasil tornou-se centenas de vezes mais atrasado e violento desde que o Temer assumiu (no dia 12). Essa onda toda vai passar, mas até o momento, pelo menos é o que parece, a maioria esmagadora das pessoas de esquerda quer acreditar, ou finge acreditar, que o Brasil era uma maravilha até umas semanas atrás, até que vieram os golpistas, a mando de Satanás, e transformaram o nosso paraíso num vale de lágrimas. É complicado.”

      O responsável pelo blog respondeu:

      “Sim, os insultos que me chegam comprovam isso. Parece que estamos de volta ao stalinismo, já não se admite a diversidade de opiniões no campo da esquerda: ou engolimos as fábulas do PT ou nos cassam a carteirinha de esquerdista. Mesmo estando muito à esquerda do PT, invariavelmente nos acusam de sermos ou estarmos servindo à direita. Cérebros bem lavados estão aí... Mas, comigo isso jamais colará. Sei quem sou e quanto valho. Não me deixarei intimidar jamais! Sempre considerei que um homem de esquerda, quando tem certeza de estar defendendo a posição correta, deve sustentá-la contra todos os que estiverem do outro lado, sejam quantos forem. E eu sei que, neste exato instante, o PT está sendo o coveiro da revolução. Vou até o fim com minhas convicções.”

      A situação acima referida revela a profundidade e a extensão do estrago perpetrado à autêntica esquerda por Lula, o “direitaço”, e pela cúpula petista de direita desde o início da década de 80 até hoje. Aliás, esta obra destrutiva do PT, pelo que eu também estou percebendo, não se extinguirá agora com tão fragorosa derrota, mas continuará pelo menos por mais dois anos, até as eleições de 2018. O partido continuará descaradamente a aplicar o seu “171” nacional, mascarado de esquerda oposicionista. Até mesmo militantes aguerridos permanecem a bordo deste barco furado. Eu conheço pessoalmente um deles, um grande e velho amigo, um sujeito muito inteligente e perspicaz, guerreiro em todas as batalhas já havidas. Pois os seus atuais comentários absolutamente idiotizados, defendendo cegamente o PT e demonizando passionalmente os golpistas, sem o menor senso crítico, têm me chocado mais do que a saída da Dilma. Não estou exagerando.
      Ele e alguns outros, mesmo reconhecendo a obra nefasta do partido, devem pensar da seguinte forma: “Nós estamos cientes de que o PT ocupou um espaço revolucionário e aglutinou as esquerdas em torno de si, para depois virar a casaca e culminar esta queda à direita, no segundo mandato da Dilma, assumindo abertamente o mais vil neoliberalismo. Sabemos disso. Porém, temos de convir que houve muitos avanços nos últimos 13 anos em relação à era FHC, e são tais conquistas que devem ser defendidas, e não arroubos idealistas de uma esquerda sonhadora e utópica. Nós somos realistas. Não é o que esperávamos, mas é o que temos.”
      Este argumento, válido à primeira vista, carece de profundidade e no fundo é capitulação. Aliás, TODA a militância petista brasileira, na sua base dos diretórios municipais, desde a década de 80, com a vitória da facção lulista nas cizânias internas, até o presente, agiu desta forma covarde, permitindo à cúpula nacional do PT atitudes autoritárias e não condizentes com o verdadeiro ideal revolucionário. Assim, deu carta branca e endossou as ações da elite petista, e o resultado está aí. Portanto, esta base também é responsável. Tal atitude poderia ser desculpada até 2002, quando éramos apenas oposição. Mas, com a chegada ao poder, com aquela “carta aos banqueiros”, tornou-se clara a postura direitista do Lula e da direção nacional. Eu assisti à sua posse, no dia 1º de janeiro de 2003, na casa daquele amigo acima citado. Após o discurso do Lula, ele me disse que não havia gostado do seu teor.
      Após a saída da Dilma e a posse do Temer, as conquistas petistas serão gradativamente anuladas, até se extinguirem, e outros arrochos virão. Isto significa a DERROTA ABSOLUTA do PT e de sua estratégia política no mínimo equivocada. Portanto, continuar a defender o partido nestas circunstâncias, como TODOS estão fazendo, é a atitude mais CONTRARREVOLUCIONÁRIA possível. É ajudar a enterrar ainda mais a esquerda. É pura ignorância e cegueira. Mais ainda, chega a ser maucaratismo e desprezo pela Revolução. É assumir a direita e condenar o Brasil a uma abjeta subserviência a tudo o que as elites representam, incluso a elite nacional do partido. É não enxergar a necessidade de RECONSTRUIR a esquerda a partir dos escombros do terremoto petista. É lamentar pelo leite derramado, posto que a Dilma não retornará ao Planalto, o Lula será anulado e aqueles que voltaram ao Governo Federal tão cedo sairão.

      Fazendo desde já uma projeção, podemos pensar nos seguintes candidatos às próximas eleições presidenciais. Haverá certamente alguém do PSDB, com um vice do PMDB. Duas mulheres voltarão à cena: Marina (Rede) e Luciana Genro (PSOL). O PT, é claro, lançará um candidato qualquer, mas com poucas chances. Mas há um nome que poderá ter uma força maior: Ciro Gomes. Está claro que o tucano vencerá, ajudado sobremaneira pelas fraudes nestas patéticas urnas de primeira geração. É provável que somente a partir de 2019 possa ser realmente empreendido esforços significativos de reconstrução da esquerda combativa e progressista. Até lá, a militância ainda cooptada pelo PT e o povo ignaro estarão numa espécie de estado de choque. Cabe a nós, os pouquíssimos conscientes, tentar esclarecer e conscientizar os ainda iludidos pela falácia petista. E para isto não há pressa, pois esta luta irá durar ainda longos e difíceis anos. É SÓ PARA OS FORTES!!!...

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