Trecho do artigo “Jango, Dilma e os erros
da esquerda”, de Fernando Marcelino, da coordenação do Movimento dos Trabalhadores
Sem Teto - MTST de Curitiba, no site “Brasil de Fato”, de 7-5-2016:
“Agora, depois de 53 anos do golpe de
1964, o governo Dilma e a esquerda são atacados por um golpe institucional. E
novamente, a dubiedade do governo paga seu preço. Ao invés de mergulhar no
caldo de mobilização das eleições de 2014 para enfrentar os golpistas que já
conspiravam pelo menos desde 2013, Dilma se exilou em Brasília, desmontou seus
aparelhos de comunicação, paralisou a ação governamental e iniciou uma batalha
por um ajuste fiscal sem apoio popular e sem fundamento econômico liderado por
Joaquim Levy. Continuou aplicando uma macroeconômica de juros altos, câmbio
volátil e desonerações para oligopólios. Permaneceu inerte em relação ao
partido da mídia. Aventou a privatização da Caixa Econômica e uma desastrosa
Reforma na Previdência. Não percebeu e desdenhou da operação de guerra contra
Lula e o PT encampada pela Lava Jato, e acabou sendo o alvo principal da luta
contra a corrupção, perdendo a maioria dos setores médios para a hipocrisia da
direita. Não denunciou as conexões internacionais do golpe. Tudo isso abriu
espaço para a ofensiva conservadora.
Em nome de uma governabilidade não
alcançada, Dilma deixou para trás o projeto que a elegeu e perdeu o apoio da
esquerda, cética a respeito dos rumos do governo e da possibilidade de sair em
sua defesa, mesmo em meio a um golpe institucional. Suas atitudes ambíguas
apenas desmobilizam a base social que poderia defendê-la. Enquanto isso. a
direita política, midiática e jurídica se fortaleceu, articulou um programa,
mobilizou a classe média imbecilizada, desmoralizou e cercou Lula, o PT e o
governo pela Lava Jato, até partir para a ofensiva visando tomar o poder via
impeachment, liderado por Cunha e Temer. Então, somente em 2016, no final do
segundo tempo, Dilma percebeu que o golpe estava próximo e que era praticamente
inevitável.”
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