sexta-feira, 27 de maio de 2016

Parte 83

      Trecho do artigo “Jango, Dilma e os erros da esquerda”, de Fernando Marcelino, da coordenação do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto - MTST de Curitiba, no site “Brasil de Fato”, de 7-5-2016:

      “Agora, depois de 53 anos do golpe de 1964, o governo Dilma e a esquerda são atacados por um golpe institucional. E novamente, a dubiedade do governo paga seu preço. Ao invés de mergulhar no caldo de mobilização das eleições de 2014 para enfrentar os golpistas que já conspiravam pelo menos desde 2013, Dilma se exilou em Brasília, desmontou seus aparelhos de comunicação, paralisou a ação governamental e iniciou uma batalha por um ajuste fiscal sem apoio popular e sem fundamento econômico liderado por Joaquim Levy. Continuou aplicando uma macroeconômica de juros altos, câmbio volátil e desonerações para oligopólios. Permaneceu inerte em relação ao partido da mídia. Aventou a privatização da Caixa Econômica e uma desastrosa Reforma na Previdência. Não percebeu e desdenhou da operação de guerra contra Lula e o PT encampada pela Lava Jato, e acabou sendo o alvo principal da luta contra a corrupção, perdendo a maioria dos setores médios para a hipocrisia da direita. Não denunciou as conexões internacionais do golpe. Tudo isso abriu espaço para a ofensiva conservadora.
      Em nome de uma governabilidade não alcançada, Dilma deixou para trás o projeto que a elegeu e perdeu o apoio da esquerda, cética a respeito dos rumos do governo e da possibilidade de sair em sua defesa, mesmo em meio a um golpe institucional. Suas atitudes ambíguas apenas desmobilizam a base social que poderia defendê-la. Enquanto isso. a direita política, midiática e jurídica se fortaleceu, articulou um programa, mobilizou a classe média imbecilizada, desmoralizou e cercou Lula, o PT e o governo pela Lava Jato, até partir para a ofensiva visando tomar o poder via impeachment, liderado por Cunha e Temer. Então, somente em 2016, no final do segundo tempo, Dilma percebeu que o golpe estava próximo e que era praticamente inevitável.”


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