Textos de Roberto Danunzio – Parte 20
“A
questão é que os avanços sociais que o PT conseguiu promover foram pagos com a
moeda podre do avanço da direita em várias áreas sensíveis. Essa política da
negociação na verdade abriu o flanco à direita em vários campos importantes e
se não houver nenhum movimento mínimo para enfraquecer, por exemplo, aliados
carnais como Kátia Abreu e produtos similares, o PT vai estar fazendo o
trabalho de seu algoz, isto supondo que o partido age de forma pouco esperta, o
que é difícil de acreditar. Acredito que o partido sabe o que está fazendo, ou
seja, o trabalho covarde dos que hoje possuem apenas o objetivo de se perpetuar
no comando da poderosa máquina estatal federal. Leblon quer nos fazer crer que
o PT está fazendo o que pode diante de enormes dificuldades. Eu já penso que o
partido está fazendo o que pode para se manter no poder e por isto não lhe
interessa contrariar nenhum grande interesse, daí o tom conciliador de Dilma no
discurso da vitória. Conciliação aí quer dizer, acomodação, tudo seguirá o
mesmo, os poderosos podem ficar tranquilos, espécie de reedição da carta aos
brasileiros, cujos resultados conhecemos. Ah mas a dama de ferro acenou com a
reforma política! Até parece que ela não sabe que esta reforma não vai sair,
bastava olhar para trás e olhar nos olhos de Michel Temer para ver que ele não
tem o menor interesse em votar o que quer que seja que implique no
enfraquecimento de seu partido. Você quer que eu acredite que Dilma realmente
quer a reforma política, Leblon? É nesta balela que quer que eu acredite?”
“Fausto, você é um manipulado e ainda não
sabe. Você não conhece a rotina do serviço público, você não conhece a luta
sindical no serviço público, você não sabe do que está falando, só replica o
que o mestre mandou.”
“Então você quer que o governo Dilma, que
já pendeu fortemente para a direita em relação ao tímido governo de esquerda de
Lula, você quer que ela penda ainda mais para a direita, que se enclausure,
decidindo com mão de ferro conforme o pequeno grupo de fiéis babaovos que a
rodeiam, tendo à testa Mercadante, o tristonho, desprezando as decisões do
partido que, bem ou mal, estão mais ligadas às vozes das ruas?”
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