Textos de Roberto Danunzio – Parte 8
“Sugiro
o princípio da reconstrução das forças de esquerda em torno de um novo projeto
combativo, deixando que o PT ocupe claramente o lugar que escolheu, ao lado do
PMDB. Assim, quem sabe, as máscaras vão cair de uma vez por todas.”
“As expectativas vão caminhando de tal
forma para a direita que de repente esse discurso velho do desenvolvimentismo,
que poderia ser identificado com os milicos do golpe de 64, de repente passou a
ser discurso de esquerda. Deus do céu, que cansaço! E que maravilha esse Brasil
fru-fru beleza que atrai colombianos que esgotam o shop da Vila Madalena! Que
maravilha! Tudo lindo, amizades coloridas na praia, a indústria do turismo
bombando! Viva o PT, vamos votar na Dilma, geeente!”
“Fiquei olhando para aquele enorme e
caríssimo telão que projetava imagens alucinantes atrás de nossa dama de ferro
durante a convenção que homologou sua candidatura. Quase fiquei cego com tanto
brilho falso! E agora leio esse louvor à militância e fico pensando no tempo em
que vendia broches da estrela vermelha nos anos oitenta. Parece que muita coisa
mudou, não?”
“Que tal uma proposta de negociação
permanente com o funcionalismo público federal, renunciando à prática de
cooptação das centrais sindicais, incentivando a independência sindical (mais
democracia) e renunciando à prática espúria de demonizar e atazanar, com golpes
baixos, as categorias em greve, com a ajuda da grande mídia? (Quem acompanha o
movimento sindical sabe do que falo.) Que tal anunciar uma política cultural
forte, demonstrando que não basta construir pombais para abrigar pessoas, que
não basta armar o circo da Copa da Fifa, que é preciso alimentar a alma das
pessoas e esclarecê-las? Que tal a promessa de distribuir um milhão de
exemplares de Grande Sertão: Veredas, como Chavez fez com Don Quixote? Será que
estas três medidas, que só dependem do executivo, portanto não passam pelo
embate no congresso, se tornaram um sonho, uma utopia?”
“Como ser solidário com as misérias do
mundo se não somos capazes de cuidar de nosso próprio quintal, e ficamos
festejando um governo que leva doze anos para tirar alguns milhões da extrema
miséria para lançá-los na pobreza ou que aquece a economia para tirar outros
milhões da pobreza e lançá-los no seio da classe média baixa alienada?”
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