quarta-feira, 25 de maio de 2016

Parte 36

      Textos de Roberto Danunzio – Parte 8

      “Sugiro o princípio da reconstrução das forças de esquerda em torno de um novo projeto combativo, deixando que o PT ocupe claramente o lugar que escolheu, ao lado do PMDB. Assim, quem sabe, as máscaras vão cair de uma vez por todas.”

      “As expectativas vão caminhando de tal forma para a direita que de repente esse discurso velho do desenvolvimentismo, que poderia ser identificado com os milicos do golpe de 64, de repente passou a ser discurso de esquerda. Deus do céu, que cansaço! E que maravilha esse Brasil fru-fru beleza que atrai colombianos que esgotam o shop da Vila Madalena! Que maravilha! Tudo lindo, amizades coloridas na praia, a indústria do turismo bombando! Viva o PT, vamos votar na Dilma, geeente!”

      “Fiquei olhando para aquele enorme e caríssimo telão que projetava imagens alucinantes atrás de nossa dama de ferro durante a convenção que homologou sua candidatura. Quase fiquei cego com tanto brilho falso! E agora leio esse louvor à militância e fico pensando no tempo em que vendia broches da estrela vermelha nos anos oitenta. Parece que muita coisa mudou, não?”

      “Que tal uma proposta de negociação permanente com o funcionalismo público federal, renunciando à prática de cooptação das centrais sindicais, incentivando a independência sindical (mais democracia) e renunciando à prática espúria de demonizar e atazanar, com golpes baixos, as categorias em greve, com a ajuda da grande mídia? (Quem acompanha o movimento sindical sabe do que falo.) Que tal anunciar uma política cultural forte, demonstrando que não basta construir pombais para abrigar pessoas, que não basta armar o circo da Copa da Fifa, que é preciso alimentar a alma das pessoas e esclarecê-las? Que tal a promessa de distribuir um milhão de exemplares de Grande Sertão: Veredas, como Chavez fez com Don Quixote? Será que estas três medidas, que só dependem do executivo, portanto não passam pelo embate no congresso, se tornaram um sonho, uma utopia?”


      “Como ser solidário com as misérias do mundo se não somos capazes de cuidar de nosso próprio quintal, e ficamos festejando um governo que leva doze anos para tirar alguns milhões da extrema miséria para lançá-los na pobreza ou que aquece a economia para tirar outros milhões da pobreza e lançá-los no seio da classe média baixa alienada?”

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