Textos de Roberto Danunzio – Parte 14
“O
Saul Leblon e o Emir Sader não cansam de criticar a falta de isenção da grande
imprensa. Agora, se querem ser isento, devem publicar também o artigo de Jean
Willys que está figurando agora na Carta Capital e detalha como o governo Dilma
foi ingrato em relação às minorias sexuais.”
“Os exemplos abundam, mas o que dei são
suficientes para provar que a tática é muito mais antiga que o fenômeno Marina
Silva parece indicar. A novidade é simples: é que a figurinha é a novidade do
momento, a nova novidade, só isto, assim como um dia foi o pseudo-intelectual
de esquerda, como no outro foi o operário que perdeu o dedo no torno, como no
outro foi a representante do sexo feminino decidida e de perfil técnico, é
assim, os grandes poderes sempre encontram a pessoa certa para o momento certo
e vivemos num perpétuo golpe branco, uma ditadura dos grandes capitais envolta
no manto sagrado da democracia formal.”
“O medo de que as coisas piorem, medo que
é o enredo da campanha do PT depois que há muito renunciou ao enredo do sonho,
o medo de que as coisas piorem é tão grande, que os artistas, jamais
considerados, jamais ouvidos, jamais contemplados nas capengas e privatistas
políticas públicas federais para a área da cultura, ainda se reúnem para apoiar
a candidata da catástrofe menor. Todos estes governos de Sarney a Dilma possuem
implantadas na medula espinhal o gene da tecnocracia. Cultura para esta gente é
um luxo, uma excrecência que só não é eliminada do orçamento e dos ministérios
porque é praxe que figurem em algum lugar, mesmo que a título figurativo. Eu
sou artista e eu proponho a construção de uma oposição forte à esquerda do PT.
E uma nova esquerda que não entenda e que não promova a centralidade da arte
não será, naturalmente, uma nova esquerda.”
“Quando Dilma se recusa a conversar com
índios, quilombolas e ribeirinhos porque deve viabilizar a ferro e fogo a
construção de grandes barragens no estilo dos governos militares e quando
favorece, sem mais discussões, a ampliação das áreas de exploração do
agronegócio, está movida pelos interesses de Kátiabreus e produtos similares.
Quando Dilma manda parar demarcações de terras indígenas e quilombolas quase
prontas ou engavetar as já prontas através do Cardozo, advogado do CNA, e
quando paralisa a reforma agrária, mais uma vez, está submissa a grandes
interesses e ao mesmo tempo age em detrimento de quem poderia se beneficiar com
um meio ambiente mais limpo e alimentos mais saudáveis.”
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