quarta-feira, 25 de maio de 2016

Parte 45

      Textos de Roberto Danunzio – Parte 17

      “Sou leitor de Marx e de Lenin, não sou um estudante de vinte anos de idade cheio de furor revolucionário (embora tenha o maior respeito pela verve revolucionária), pode acreditar, minhas propostas são bastante singelas e não afetam de forma alguma a chamada governabilidade do PT, mas tornaram-se uma utopia, parece, pois não podem sequer ser citadas num programa de partido dito de esquerda. Faça o favor de apontar uma única vez, em minhas tantas intervenções neste espaço, que eu tenha falado em revolução socialista, ditadura do proletariado ou, menos, no não pagamento da dívida pública ou mesmo numa auditoria, o que até estaria dentro da regra do jogo, eu não acho nada radical, afinal, porque uma dívida não pode ser auditada?”

      “(...) não tem a menor ideia do esforço diário que eu faço como trabalhador e ator social. Trabalho há mais de vinte anos com índios e camponeses, conheço amplamente o meio sindical e sei exatamente do que estou falando. Inclusive tenho manifestado aqui nada mais nada menos do que os sentimentos que tenho captado nestes meios, falo por muita, mas por muita gente.”

      “Que mal pode haver em forçar o PT à esquerda, santo Deus! Devo só ficar beijando a mão do grande Lula e da brava Dilma, ídolos intocáveis?”


      “Se eu for um industrial e peço de isenção de impostos para “manter empregos’, não preciso ficar tomando sol, chuva e porrada de polícia para conseguir o que quero, sou convidado pela presidente em pessoa para ir ao planalto e me assentar numa grande mesa oval onde colocaram água mineral para todos. Dias depois, vem o decreto, sem nenhum problema com a governabilidade, determinando a isenção e fico todo feliz, lucro garantido. Agora, se for um trabalhador associado a um sindicato independente procurando ver cumprido um item da constituição (a data base do servidor público federal), tenho que enfrentar o sol, a chuva, a polícia, as manipulações sórdidas da CUT tentando minar o esforço de greve, a grande mídia demonizando o movimento grevista e o PT pegando carona nesta sujeira (pois nesta hora não reclamam do PIG), o próprio governo, cheio de ex-sindicalistas, usando todo tipo de tática suja para desmontar a greve, recusando-se terminantemente a negociar, algo que os panguás do PSDB nunca fizeram, embora agora já devam ter aprendido.”

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