Textos de Roberto Danunzio – Parte 17
“Sou leitor de Marx e de Lenin, não sou
um estudante de vinte anos de idade cheio de furor revolucionário (embora tenha
o maior respeito pela verve revolucionária), pode acreditar, minhas propostas
são bastante singelas e não afetam de forma alguma a chamada governabilidade do
PT, mas tornaram-se uma utopia, parece, pois não podem sequer ser citadas num
programa de partido dito de esquerda. Faça o favor de apontar uma única vez, em
minhas tantas intervenções neste espaço, que eu tenha falado em revolução
socialista, ditadura do proletariado ou, menos, no não pagamento da dívida
pública ou mesmo numa auditoria, o que até estaria dentro da regra do jogo, eu
não acho nada radical, afinal, porque uma dívida não pode ser auditada?”
“(...) não tem a menor ideia do esforço
diário que eu faço como trabalhador e ator social. Trabalho há mais de vinte
anos com índios e camponeses, conheço amplamente o meio sindical e sei
exatamente do que estou falando. Inclusive tenho manifestado aqui nada mais
nada menos do que os sentimentos que tenho captado nestes meios, falo por
muita, mas por muita gente.”
“Que mal pode haver em forçar o PT à
esquerda, santo Deus! Devo só ficar beijando a mão do grande Lula e da brava
Dilma, ídolos intocáveis?”
“Se eu for um industrial e peço de
isenção de impostos para “manter empregos’, não preciso ficar tomando sol,
chuva e porrada de polícia para conseguir o que quero, sou convidado pela
presidente em pessoa para ir ao planalto e me assentar numa grande mesa oval
onde colocaram água mineral para todos. Dias depois, vem o decreto, sem nenhum
problema com a governabilidade, determinando a isenção e fico todo feliz, lucro
garantido. Agora, se for um trabalhador associado a um sindicato independente
procurando ver cumprido um item da constituição (a data base do servidor
público federal), tenho que enfrentar o sol, a chuva, a polícia, as
manipulações sórdidas da CUT tentando minar o esforço de greve, a grande mídia
demonizando o movimento grevista e o PT pegando carona nesta sujeira (pois
nesta hora não reclamam do PIG), o próprio governo, cheio de ex-sindicalistas,
usando todo tipo de tática suja para desmontar a greve, recusando-se
terminantemente a negociar, algo que os panguás do PSDB nunca fizeram, embora
agora já devam ter aprendido.”
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