quarta-feira, 25 de maio de 2016

Parte 51

      Textos de Roberto Danunzio – Parte 23

      “Convivo com comunidades indígenas e sertanejas há vinte anos, diretamente, leio muito a respeito e conheço muita, mas muita gente boa que trabalha com esta gente lutadora ligada à terra. Também possuo muitos amigos no meio sindical. Tudo o que digo aqui é o reflexo de muita experiência consolidada e refletida. Já falei diversas vezes aqui dos projetos que admiro nos governos do PT de diversas esferas. Estou acompanhando com alegria alguns lances de Haddad na Prefeitura de São Paulo e não posso negar que me simpatizo com o cara. Também convivo com muita gente do PSOL e do PSTU e sei que existe ali muita baboseira, muita arrogância, muita prática pela prática, muita mediocridade. Minha posição política é bastante conhecida pelas posições que defendo (não posso passar a vida fazendo agrados ao PT, repetindo o mantra das tais "conquistas históricas", isto é ponto pacífico). Ademais, não tenho obrigação nenhuma de revelar minha posição partidária. Minhas pesquisas, meus conhecimentos interpessoais, minha presença no meio sindical têm provado que o dito Partido dos Trabalhadores tem medo dos trabalhadores organizados e críticos.”


      “Trabalho há vinte anos com os sertanejos brasileiros, camponeses do semi-árido que vivem um processo de transformação acelerado em suas vidas. Não há dúvidas de que a era do PT no governo federal está lançando esta gente na modernidade, o que deve merecer um grande viva de Saul Leblon e de ideólogos modernos da mesma cepa. Apenas, como eles não mergulham no Brasil real, não conseguem ver muito de perto a face humana deste processo, apesar de que abundam informações neste sentido e só as ignora o ‘teórico’ que estiver encerrado num bloco de prejulgamentos inquestionáveis. O que, na prática, na vida real, está acontecendo, é que estas pessoas fortes, lúcidas, saudáveis, estão sendo lançadas no que chamo a baixa modernidade. Há fortíssimas dúvidas a respeito de que estejam melhores, a coisa vista deste ângulo. Nesta longa prática que possuo, cansei de ver crianças que se tornaram jovens e tiveram suas crianças. Apenas para dar um exemplo da vida cultural-material, pois poderia dar tantos outros da perspectiva do lixo que consomem da indústria cultural. Estes jovens pais não possuem mais em suas casas, como possuíam seus pais e avós, um forno de quitandas para fazer biscoito polvilho, pão, bolo, leitoa assada. Antes, orgulham-se porque hoje guardam aquele trocado extra que permite comprar para as crianças cartelas e mais cartelas de biscoitos made in Brasil padrão made in China envenenados de gordura hidrogenada. As crianças estão ficando obesas e mal nutridas ao mesmo tempo, dá para entender. E estão demonstrando de forma cada vez mais precoce sintomas associados a doenças de idosos: ansiedade, hipertensão (muito sal em conservas gerando o hábito de comer muito sal), diabetes (excesso de açúcares e carboidratos), etc., etc. Aleluia, viva o neodesenvolvimentismo, viva o fim do horizonte socialista atolado no buraco do pragmatismo, vamos louvar o dia em que teremos que ir buscar silicone na lua para bombar os peitos, turbinar as nádegas e salientar as maçãs faciais de brasileiras, chinesas e indianas! Um viva para globalização do botóx! Ip, ip, uha!!”

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