Textos de Roberto Danunzio – Parte 23
“Convivo com comunidades indígenas e
sertanejas há vinte anos, diretamente, leio muito a respeito e conheço muita,
mas muita gente boa que trabalha com esta gente lutadora ligada à terra. Também
possuo muitos amigos no meio sindical. Tudo o que digo aqui é o reflexo de
muita experiência consolidada e refletida. Já falei diversas vezes aqui dos
projetos que admiro nos governos do PT de diversas esferas. Estou acompanhando
com alegria alguns lances de Haddad na Prefeitura de São Paulo e não posso
negar que me simpatizo com o cara. Também convivo com muita gente do PSOL e do
PSTU e sei que existe ali muita baboseira, muita arrogância, muita prática pela
prática, muita mediocridade. Minha posição política é bastante conhecida pelas
posições que defendo (não posso passar a vida fazendo agrados ao PT, repetindo
o mantra das tais "conquistas históricas", isto é ponto pacífico).
Ademais, não tenho obrigação nenhuma de revelar minha posição partidária. Minhas
pesquisas, meus conhecimentos interpessoais, minha presença no meio sindical
têm provado que o dito Partido dos Trabalhadores tem medo dos trabalhadores
organizados e críticos.”
“Trabalho há vinte anos com os sertanejos
brasileiros, camponeses do semi-árido que vivem um processo de transformação
acelerado em suas vidas. Não há dúvidas de que a era do PT no governo federal
está lançando esta gente na modernidade, o que deve merecer um grande viva de
Saul Leblon e de ideólogos modernos da mesma cepa. Apenas, como eles não
mergulham no Brasil real, não conseguem ver muito de perto a face humana deste
processo, apesar de que abundam informações neste sentido e só as ignora o ‘teórico’
que estiver encerrado num bloco de prejulgamentos inquestionáveis. O que, na
prática, na vida real, está acontecendo, é que estas pessoas fortes, lúcidas,
saudáveis, estão sendo lançadas no que chamo a baixa modernidade. Há
fortíssimas dúvidas a respeito de que estejam melhores, a coisa vista deste
ângulo. Nesta longa prática que possuo, cansei de ver crianças que se tornaram
jovens e tiveram suas crianças. Apenas para dar um exemplo da vida
cultural-material, pois poderia dar tantos outros da perspectiva do lixo que
consomem da indústria cultural. Estes jovens pais não possuem mais em suas
casas, como possuíam seus pais e avós, um forno de quitandas para fazer
biscoito polvilho, pão, bolo, leitoa assada. Antes, orgulham-se porque hoje
guardam aquele trocado extra que permite comprar para as crianças cartelas e
mais cartelas de biscoitos made in Brasil padrão made in China envenenados de
gordura hidrogenada. As crianças estão ficando obesas e mal nutridas ao mesmo
tempo, dá para entender. E estão demonstrando de forma cada vez mais precoce sintomas
associados a doenças de idosos: ansiedade, hipertensão (muito sal em conservas
gerando o hábito de comer muito sal), diabetes (excesso de açúcares e
carboidratos), etc., etc. Aleluia, viva o neodesenvolvimentismo, viva o fim do
horizonte socialista atolado no buraco do pragmatismo, vamos louvar o dia em
que teremos que ir buscar silicone na lua para bombar os peitos, turbinar as
nádegas e salientar as maçãs faciais de brasileiras, chinesas e indianas! Um
viva para globalização do botóx! Ip, ip, uha!!”
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