Neste artigo, de 17-11-2008, o André Lux
narra sua experiência como síndico de um edifício para justificar por que não
faz críticas ao PT. É seu direito pensar assim. Mas eu colhi alguns comentários
de seus leitores, os quais transcrevo a seguir. Faço questão de me estender,
pois se trata de uma RARÍSSIMA discussão na internet sobre o assunto.
“Essa é a explicação para entendermos a
neurose da ultra-esquerda do Brasil: SE tivessem importância na condução de
instituições e movimentos populares. SE tivessem forte influência entre a
classe trabalhadora. SE com as condições anteriores tivessem montado um partido
com influência nacional. Aí seriam uma alternativa real de poder. Como eles não
têm nada disso, esses radicais de salão só ganham alguma visibilidade SE
fizerem alguma ‘micagem’ para o PIG. E, como o PIG adora ver ultra-esquerdista
atacando um governo de esquerda, os miquinhos ultra-esquerdista se esmeram em
ganhar atenção. É triste essa sina dos micos esquerdistas de salão...” (Este
cidadão acusou a “ultra-esquerda” de não ter criado uma “alternativa real de
poder”. Ele estaria correto se o PT fosse desde o início um partido de direita.
O PT era ESQUERDA, ocupou o espaço da ESQUERDA, tinha “forte influência entre a
classe trabalhadora” e tinha “um partido com influência nacional”. Sem mais
comentário.)
“Esse texto é de uma cara de pau sem
tamanho. Vocês do governo Lula prejudicam os trabalhadores governando pra elite
financeira e do agronegócio e vem dizer que a culpa toda é de quem defende o
socialismo ainda. Somos classistas e não pobristas como o PT se tornou. Ser
socialista agora é ser filho da puta?”
“Está vendo André, muita gente concorda
sim que é extremamente necessário criticar o governo Lula em suas falhas,
afinal a democracia serve para isso, da mesma forma que só ‘descer o pau’, não
ajuda nada, só elogiar não levar a lugar algum, pois as criticas servem para
encaminhar o governo aos acertos, eu sou sincero, não sou um fã incondicional
do governo Lula, mas admito suas conquistas, e nem tão pouco acredito em nada
que a Veja ou Folha escreve contra o governo, pois sei que a maioria é
caluniosa, mas você deve respeitar quem critica, pois vivemos em uma
democracia, e não ficar tentando denegrir a imagem das pessoas, como você fez,
acusando-as de fundamentalistas e idiotas, pois isso não enriquece o debate, de
maneira alguma o fato de eu criticar o governo do Lula me torna um aliado da
direita, pois eu nunca apoiaria demos e tucanos.” (André Lux fez a seguinte
réplica.) “A maioria concordou comigo, Roberto. Mas tudo bem, já entendi.
Quando a realidade não bate com sua visão dos fatos, então você muda a
realidade. Vai fundo...” (Recebeu esta tréplica.) “Eu não disse que a maioria
discordou de você, eu apenas disse que algumas pessoas entenderam o que eu quis
dizer. Se eu acho que devo criticar o governo Lula, eu critico, pois não posso
mudar os meus conceitos simplesmente porque é um governo de Esquerda que está
no poder, por exemplo; se fosse um governo totalmente direitista que estivesse
no poder, todos os esquerdistas teriam criticado a reforma da previdência que
aumentou o tempo para os trabalhadores poderem se aposentar, no entanto como
foi o Presidente Lula que promoveu tal reforma, alguns esquerdistas tentaram
justificá-la; no entanto o governo Lula foi incapaz de mexer na aposentadoria
dos Juízes, que ganham uma fortuna e se aposentam com um tempo de serviço bem
pequeno, são coisas desse tipo que merecem ser apontadas, criticas
construtivas.”
“André,
muito interessante sua analogia, mas infelizmente é assustadora. Em poucas
palavras, você diz que não critica o governo Lula porque acha que as pessoas
que o elegeram são burras e corruptas, sem autonomia para tomarem decisões
críticas. Logo, a sua escolha é manipulá-las para atingir seus próprios
interesses. Acabei de conhecer seu blog e achei muitas coisas geniais... no
entanto, esta escolha, de se negar a dizer o que acredita, é decepcionante e
faz perder um pouco da legitimidade de tudo o que você escreve.” (Réplica do
André.) “Sua interpretação não tem nada a ver com o que eu escrevi no texto.”
(Tréplica.) “Poxa André, qual o erro na minha interpretação? Sei que
simplifiquei a coisa, fui um pouco caricato, mas fiz isso apenas por uma
questão lógica e didática, pois no fundo não tem como sair disso mesmo. Além
disso, a comparação do governo político de um país com um condomínio é mais um
argumento de retórica do que algo baseado no funcionamento real da sociedade.”
“É necessário sim criticar sempre quando
houver qualquer coisa errada. Eu sou lulista declarado, sou e faço questão de
que saibam de meu posicionamento! Mas, não posso pensar em não criticar Lula,
porque seus acertos abafam os seus erros. Justamente por ele ser ‘o cara’ é que
devemos criticar suas falhas, para que as corrija. Você tem seu posicionamento
por ser do ramo da mídia e ter visto com todo conhecimento de causa o que esta
poderosa ferramenta de formação de opinião pode fazer para manipular uma
população. O que você não pode fazer é caminhar em sentido inverso e fazer
apologia ao silêncio no lugar das críticas. Pare e continue apenas criticando a
desonestidade midiática. Cegueira e conformismo, em nenhum dos lados é bom.”
“Claro que as críticas devem ser feitas,
sempre, senão estaríamos alienados e cegos para a realidade atual. Porém, acho
de uma ingenuidade temerária algumas pessoas julgarem as notícias que carregam
nas críticas ao governo Lula como realmente imparciais (é preciso analisar se
elas procuram mesmo todos os pontos de vista possíveis). A minha pergunta é:
quantos conseguem olhar de forma ajuizada e sem preconceito para tudo que o
governo Lula tem feito de bom e mau e examinar direito qual prato pesa mais na
balança?”
“Mas é impressionante como o discurso
anti-esquerdista vêm sendo revivido e fortalecido por defensores do lulismo.
Estes ficam indignados que o governo receba críticas da esquerda, mas não se
incomodam (ou justificam como um ‘mal necessário’) a aliança com alguns dos
piores corruptos, reacionários e filhotes da ditadura, como Sarney, para ficar
apenas com um exemplo. Acusam os críticos à esquerda do governo de ‘trabalhar
para a direita’ (numa óbvia teoria conspiratória), mas não se incomodam que o
próprio governo, supostamente de esquerda, se alie aos oligarcas, ou façam todo
tipo de concessão à oposição de direita (vide a contra-reforma do código
florestal, o formato da Comissão da Verdade, a relação com os bancos e com o
agronegócio, etc.). Criticar o governo lulista por cooptar os movimentos
sociais ao invés de realizar suas reivindicações é trabalhar para o PSDB? Ao
dizer isso, você está implicitamente dizendo que o PSDB é de esquerda, o que é
um absurdo. PRECISAMOS de uma alternativa de esquerda à hegemonia petista, por
duas razões: 1) se não existir a alternativa de esquerda, a única alternativa
será à direita, o autoritarismo neoliberal; 2) para ‘empurrar’ o governo
petista para a esquerda e lutar contra as pressões direitistas no coração do
próprio governo. Ninguém esperava um governo revolucionário do Lula de 2002.
Mas menos ainda uma aliança com ruralistas, banqueiros e oligarcas.” (Texto do
André.) “O bom de ser do PSOL ou do PSTU é que você nunca vai ganhar uma
eleição para presidência, portanto fica fácil ficar só atirando pedra.” (Texto
do leitor.) “André, é uma pena que você
responda dessa maneira. Eu realmente não tenho a intenção de ser presidente da
república, assim como a maioria dos brasileiros. Isso torna a minha crítica
inválida? Que estranho critério. Agora apenas quem vai ser governante um dia
têm o direito de criticar o governo, independentemente de as críticas serem
factualmente verdadeiras?
O fato é que sem uma alternativa à esquerda do governo petista, a única alternativa estará à direita. E o governo petista caminhará cada vez mais para a direita... o que já está acontecendo. A intolerância anti-esquerdista dos petistas pode ajudar a naufragar o próprio petismo. A intolerância aparece nessa estranha mania de falar de ‘ultra-esquerda’ ou ‘extrema-esquerda’ como um xingamento. Não é isso que a direita faz? Acusar os dissidentes de ‘extremistas’ (e ‘terroristas’, ‘totalitários’, etc.)?
Eu nem sou militante do PSOL ou PSTU, não sei de onde você tirou isso.” (Texto do André.) “O que eu quis dizer é que é fácil ser de extrema esquerda e condenar todo tipo de aliança para tornar possível o governo quando a pessoa não tem responsabilidade nenhuma e sabe que nunca vai ter que enfrentar esse dilema na vida real.” (Texto do leitor.) “Coalizões parlamentares governistas são necessárias apenas em Estados parlamentaristas. No presidencialismo, se o presidente foi eleito, ele tem o poder executivo nas mãos por 4 anos, independente de quem foi eleito para o parlamento. Além disso, pode usar plebiscitos para que o povo vote diretamente as reformas propostas.
Extrema-esquerda seria o que? Apenas um xingamento? Ou se trata apenas da retórica CONSERVADORA de acusar todos os adversários de ‘extremistas’, ‘radicais’, etc.? Não existe ‘extremo’-isso e aquilo, há esquerda, direita e centro.” (Texto do André.) “Claro que existe extrema-esquerda e extrema-direita. Nos EUA, por exemplo, os democratas são de direita e os republicanos de extrema-direita. Aqui no Brasil, o PT é de esquerda e o PSTU e PSOL são de extrema-esquerda. Sou contra todo tipo de extremismo, seja ele à direita ou à esquerda.” (Texto do leitor.) “Ou seja, você é um extremista de centro...” (Texto do André.) “Sou de esquerda mesmo, com muito orgulho.”
O fato é que sem uma alternativa à esquerda do governo petista, a única alternativa estará à direita. E o governo petista caminhará cada vez mais para a direita... o que já está acontecendo. A intolerância anti-esquerdista dos petistas pode ajudar a naufragar o próprio petismo. A intolerância aparece nessa estranha mania de falar de ‘ultra-esquerda’ ou ‘extrema-esquerda’ como um xingamento. Não é isso que a direita faz? Acusar os dissidentes de ‘extremistas’ (e ‘terroristas’, ‘totalitários’, etc.)?
Eu nem sou militante do PSOL ou PSTU, não sei de onde você tirou isso.” (Texto do André.) “O que eu quis dizer é que é fácil ser de extrema esquerda e condenar todo tipo de aliança para tornar possível o governo quando a pessoa não tem responsabilidade nenhuma e sabe que nunca vai ter que enfrentar esse dilema na vida real.” (Texto do leitor.) “Coalizões parlamentares governistas são necessárias apenas em Estados parlamentaristas. No presidencialismo, se o presidente foi eleito, ele tem o poder executivo nas mãos por 4 anos, independente de quem foi eleito para o parlamento. Além disso, pode usar plebiscitos para que o povo vote diretamente as reformas propostas.
Extrema-esquerda seria o que? Apenas um xingamento? Ou se trata apenas da retórica CONSERVADORA de acusar todos os adversários de ‘extremistas’, ‘radicais’, etc.? Não existe ‘extremo’-isso e aquilo, há esquerda, direita e centro.” (Texto do André.) “Claro que existe extrema-esquerda e extrema-direita. Nos EUA, por exemplo, os democratas são de direita e os republicanos de extrema-direita. Aqui no Brasil, o PT é de esquerda e o PSTU e PSOL são de extrema-esquerda. Sou contra todo tipo de extremismo, seja ele à direita ou à esquerda.” (Texto do leitor.) “Ou seja, você é um extremista de centro...” (Texto do André.) “Sou de esquerda mesmo, com muito orgulho.”
“A Argentina (nem vou falar na Venezuela)
fez isto. Deixou de ser um regime dominado pelos financistas e pelos interesses
corporativos (inclusive da imprensa). E melhorou. Rompeu com paradigmas há
muito arraigados. Mas, segundo a imprensa é populista. E a Europa que detona
com a população e salva o financismo é avançada... segundo a imprensa chapa
branca, lógico.”
Nenhum comentário:
Postar um comentário